Defesas Esquerdos
Gustavo Teixeira (26/12/1908 - 01/01/1987) - Correcto e possante
Representou o Benfica durante 7 épocas, entre 32/33 e 38/39, marcando 4 golos em 229 jogos - 176 como defesa esquerdo. Casapiano de origem, estreou-se no Clube como médio esquerdo, a 27/03/32, nas Amoreiras, num jogo com o Barcelona, integrado nas comemorações do 28º aniversário do SLB. Mas só na época seguinte (32/33) passou a actuar com regularidade na posição de médio centro, em que fez 11 jogos, 4 deles para o Regional de Lisboa, tendo contribuído para a conquista deste título, após 13 anos de "jejum".
Depois de cumprir a época de 33/34 como defesa direito, o treinador Vítor Gonçalves, antigo jogador do Clube, colocou-o no lugar onde viria a mostrar toda a sua classe.
Correctíssimo no desarme, possuía também um poderoso pontapé de "despacho", pondo a bola bem longe, mas colocando-a bem. Distinto no estilo, levava a que o considerassem um jogador científico.
Uma lesão, contraída no 2º jogo da época de 39/40, afastou-o do futebol. Somou 9 internacionalizações, sempre como capitão. Pelo Benfica, venceu 3 Campeonatos Nacionais da I Liga, em 3 anos consecutivos, e 1 Campeonato de Portugal.
Cruz (12/08/1940) - Inexcedível, descontraído e dinâmico
Jogou 10 épocas, entre 59/60 e 68/69. Fez 447 jogos - 341 a defesa esquerdo - e marcou 1 golo. Começou nos "Principiantes" do Benfica, na época de 1956/57.
A 27/09/59, o treinador Béla Gutmann "deu-lhe" a titularidade como médio esquerdo na equipa principal, por ocasião de um jogo realizado no Estádio 28 de Maio, frente ao Sp. Braga.
Nas duas épocas seguintes, alternou a posição de médio esquerdo com a de defesa esquerdo, mas foi como médio que jogou as finais europeias de 1961 e de 1962.
Com a chegada de Fernando Riera, em 62/63, fixou-se definitivamente a defesa esquerdo, que era o lugar que mais lhe agradava.
Foi nessa posição que disputou mais 3 finais da Taça dos Campeões Europeus, ainda na década de 60. Jogador de elevado brio, defendia com impecável acerto, entendendo-se bem com os colegas mais adiantados no terreno.
Era impressionante a facilidade e a descontracção que revelava em jogos difíceis e frente a avançados poderosos. A sua entrega total e o seu querer impunham-se com facilidade. Lutava do princípio ao fim com grande abnegação.
Era inteligente e implacável na marcação. A vivacidade e o dinamismo que evidenciava dentro de campo permitiam-lhe brilhar com frequência. Representou a Selecção Nacional em 11 jogos. Ao serviço do Benfica, Foi Bi-campeão Europeu, conquistou 8 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal.
Ângelo (19/04/1930) - Fogosidade e coragem
Representou o Benfica durante 13 épocas, de 1952/53 a 1964/65, tendo somado 386 jogos e 4 golos. Estreou-se no Campo Grande, frente ao V. Setúbal, tendo, então, actuado no posto de médio esquerdo.
Mas estrear-se-ia apenas dois anos depois na equipa principal, num encontro com o Barreirense, realizado também no Campo Grande. Nessa altura tinha já recusado uma proposta para ingressar no FC Porto.
O Benfica era a sua paixão. Ângelo destacou-se pela fogosidade que impunha no despique, gastando as energias que tinha e as que não tinha, até à última a gota de suor.
Possuía um excelente sentido posicional e um perfeito equilíbrio de qualidades atléticas (força, velocidade e resistência). Um batalhador por excelência, sacrificando sem limites o individual em prol do colectivo. Dono e senhor da sua zona de acção.
Eficaz no desarme. Corajoso. Veloz. Bom no drible. Atingiu o ponto alto da sua carreira com a conquista dos 2 títulos de Campeão Europeu de Clubes, em 60/61 e em 61/62. Participou, ainda, na caminhada para a final desta prova nas épocas de 62/63 e 64/65.
Foi 7 vezes Campeão Nacional e venceu 5 Taças de Portugal. Pela Selecção, somou 20 internacionalizações. |