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29/07/2009 CLUBE
Comunicado
Não vale tudo!

“Não tenho vocação para masoquista nem para Madre Teresa de Calcutá”, é uma citação do Presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, José Azeredo Lopes, em entrevista ao Diário de Notícias, em Fevereiro deste ano, e que ilustra bem a razão do Sport Lisboa e Benfica na opção assumida em relação a alguns órgãos de Comunicação Social.

Os Direitos – quaisquer que eles sejam – nunca são absolutos, nem ilimitados. O Direito à informação termina onde começa o Direito de terceiros, mas, principalmente, termina quando o seu exercício se torna ilegítimo ou abusivo.

O jornalismo, além dos direitos inerentes a quem o pratica, tem deveres. Não se podem reclamar os primeiros sem cumprir os segundos. Não se pode noticiar ou relatar factos que não tenham sucedido, não se podem ficcionar situações que não se verificaram, tentando dar uma roupagem de verdade a notícias que carecem de qualquer fundamento.

Infelizmente, apesar de não ser convidada para eventos promovidos pelo Sport Lisboa e Benfica, a TVI tem insistido – numa atitude claramente provocatória – em aparecer em cerimónias para onde não foi convidada e em locais que sabe não ter acesso, numa tentativa ilegítima de exercício de um Direito que não pode reclamar.

Esta atitude de confronto tem tanto de irresponsável como de panfletário. Há poucas virtudes que a TVI não reclame e poucos erros e violações ao código deontológico da classe que não tenham cometido, facto que a Entidade Reguladora da Comunicação já confirmou, quando, em Maio passado, acusou a TVI de ter “desrespeitado as normas ético-legais do jornalismo”. Nessa mesma deliberação a ERC instava a TVI a cumprir “de forma mais rigorosa o dever de isenção jornalística”.

Ao contrário dos dias de hoje, em que a TVI, tão sofregamente, procura o apoio da ERC, nessa altura limitou-se a ignorar de forma ostensiva as recomendações que a mesma Entidade fizera, afirmando que a mesma se limitava “a atacar a TVI e os seus profissionais de forma até insultuosa”.

Este comportamento revela bem a coerência dos seus responsáveis, ignorando a ERC quando as recomendações desta lhe são desfavoráveis, mas reclamando a sua intervenção quando se sentem lesados.

Nos últimos meses o padrão que tem guiado a informação da TVI – bem como de algumas empresas do Grupo – em relação ao Sport Lisboa e Benfica passou por misturar factos com opinião, passou por relatar o que não sucedeu e deturpar o que ia sucedendo.

A TVI chama de “discriminação ilegítima” a decisão do Sport Lisboa e Benfica, mas na verdade a única coisa que o Clube fez foi dar-se ao respeito. Nas palavras do Presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação, José Azeredo Lopes, “ninguém pode ser obrigado a falar com quem não quer”. Foi exactamente isto que o Benfica fez. Em eventos de carácter reservado, limitou-se a não convidar a TVI.

Ao Direito à informação deve corresponder – sempre – o dever de informar com verdade e sem quaisquer artifícios. Falhando aos deveres perde-se o Direito. Voltando a citar Azeredo Lopes, num episódio ocorrido com um semanário de referência, em Dezembro do ano passado, o Presidente da ERC foi peremptório: “O Expresso, em dois anos e meio, nunca foi objectivo com a ERC. Eu não peço favores a ninguém, mas tenho o direito de exigir que as minhas declarações não sejam desvirtuadas e omitidas”. O Benfica exige o mesmo da TVI.

E, já agora, para aqueles que sugeriram o recurso aos tribunais como a melhor forma de repor a verdade, o Presidente da ERC é igualmente elucidativo nesta matéria: “Ir para os tribunais é inacreditável, conhecendo o ritmo a que funcionam”.

Quanto ao Sindicato de Jornalistas, sempre tão pronto na reclamação do Direito à informação, creio que já vai sendo tempo de se começar a preocupar com a qualidade do jornalismo que algumas empresas de comunicação produzem. O jornalismo não se defende assumindo sempre uma lógica corporativa. Defende-se assumindo um espírito crítico que este Sindicato nunca foi capaz de fazer! O Sport Lisboa e Benfica continuará a defender de forma intransigente os seus Direitos e a dignidade da instituição.

O Director de Comunicação do SLB,
João Gabriel
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