 |  | 15/12/2009 CLUBE Na Assembleia Geral Intervenção do Presidente do Benfica
Realizou-se esta noite a Assembleia Extraordinária do Clube, que teve como ponto único deliberar sobre a operação de reestruturação do Grupo Sport Lisboa e Benfica. Eis o discurso do presidente do Clube, Luís Filipe Vieira, antes da apresentação da proposta da Direcção.
O Benfica será sempre aquilo que os seus sócios quiserem. Sempre foi claro para mim desde que aqui cheguei que o Clube não faz sentido se perder o seu capital mais valioso: os sócios!
Por isso é que as Assembleias Gerais são importantes, por isso é que as decisões mais estruturantes têm sempre de passar por aqui! Sou daqueles que só avança para as coisas com a convicção da sua utilidade e da sua seriedade. Sempre foi assim na minha vida!
O plano de reestruturação financeira que dentro de alguns minutos vos será apresentado, é um projecto sério, pensado e debatido durante meses, e que, depois de uma análise ponderada, mereceu a minha concordância. É um projecto que nos permite consolidar as nossas contas, respondendo ao mesmo tempo a uma serie de requisitos legais que nos são exigidos.
É um plano feito com a maior transparência e com a garantia de que os interesses do Sport Lisboa e Benfica estão salvaguardados na sua totalidade. Não fosse assim, eu não estaria aqui hoje!! Não sou daqueles que hipoteca a sua palavra e a sua história por coisas menores. Tenho a certeza da seriedade e dos méritos da proposta que vos vai ser apresentada.
O Sport Lisboa e Benfica representa, hoje, uma instituição credível para qualquer parceiro financeiro, e acreditem que não foi fácil chegar aqui.
Quando aceitei liderar o Clube tinha a noção das dificuldades que iria encontrar, mas tinha igualmente a certeza de que o Sport Lisboa e Benfica era um Clube viável e com futuro. Felizmente, ao fim de nove anos provou-se que tinha razão: o Benfica voltou a ter futuro!!
O tempo de discutir, de elogiar ou criticar, é agora e aqui. O plano – numa versão suficientemente detalhada – esteve nos últimos dias exposto no nosso site, porque a ideia da direcção a que presido, foi sempre a de envolver os sócios nesta discussão, convencendo-os da bondade e dos benefícios que ela nos pode trazer. Os últimos nove anos foram como é público uma longa batalha na recuperação do Clube.
Foram nove anos em que foi necessário muito empenho e dedicação pela recuperação do nosso património físico, do nosso património humano e, acima de tudo, pela recuperação de um bem de valor incalculável: a nossa credibilidade!!
Não foram anos fáceis, mas cumprimos uma estratégia de rigor que nos permitiu chegar onde chegámos e que envolveu sempre os sócios em todas as decisões, porque ao contrário de outros eu só concebo o Sport Lisboa e Benfica como uma instituição que pertence aos seus sócios!
Se bem se lembram, sempre disse, sempre o defendi e assim será enquanto for Presidente do Sport Lisboa e Benfica, que o Clube teria sempre a maioria do capital da SAD, porque para mim o Benfica pertence aos seus sócios e por isso só podia entender a SAD, se a maioria dela pertencesse ao seu Clube. Foi assim que nasceu a SAD, é assim que ela permanece, será assim que ela continuará no futuro!
Não contem comigo, por isso, para que o Sport Lisboa e Benfica deixe de ter a maioria nas várias empresas em que participa. Através deste plano de reestruturação financeira o SLB não apenas mantém, como reforça a sua posição maioritária dentro da SAD, com todas as implicações que daí resultam.
A minha primeira palavra, portanto, é esta: Ontem como hoje, e enquanto eu tiver as responsabilidades que tenho, a primazia será sempre dos sócios, e o Clube deterá a maioria em todas as empresas do universo Benfica.
A segunda nota que quero aqui deixar - e farão o favor de me fazer justiça - porque esta sempre foi outra luta permanente dos meus mandatos, é a seguinte: Não contem comigo para abandonar as modalidades !! As modalidades fazem parte da história do Sport Lisboa e Benfica, sempre o assumi e sempre o defendi, e toda a recuperação que durante estes anos fizemos das modalidades vai continuar. As modalidades fazem parte do nosso património.
O ano passado conseguimos voltar a ganhar um título que nos fugia há 14 anos no basquetebol, já este ano ganhamos a Supertaça. No andebol, mantemos uma equipa competitiva e que quer recuperar o título conquistado há dois anos.
No hóquei e no voleibol voltámos a investir e contamos com equipas ‘fortes’ que podem discutir os respectivos campeonatos, para já não falar do Futsal. Esta é a nossa realidade, as modalidades são, hoje, uma componente fundamental da nossa história e assim vão continuar.
A terceira nota que quero deixar, nesta intervenção inicial, tem a ver com o futebol profissional. Gerir significa avaliar e decidir.
Não contem comigo para vender jogadores ao desbarato, os jogadores do Benfica só sairão pelo seu justo valor e depois de alcançar o objectivo a que nos propusemos: ganhar o campeonato!! Foi assim que me apresentei aos sócios na última campanha eleitoral e é algo que pretendo cumprir! Investir e ganhar na componente desportiva. Gerindo com rigor, mas com a ambição e os meios necessários para recuperar o nosso lugar no panorama desportivo!
Quem trabalha diariamente comigo sabe que hoje seria fácil vender alguns jogadores e fazer uma mais-valia de cem milhões de euros. Mas a estratégia não é essa! A estratégia passa por investir ainda mais, garantindo um grupo de trabalho que nos dê garantias de sucesso em Portugal e de um bom desempenho na Europa!
O plano de reestruturação financeira respeita estas três realidades. Sempre assumimos todos os compromissos, mesmo aqueles que resultaram do período mais negro da nossa história, e alguns ainda continuam por fechar. Mesmo assim conseguimos ganhar o respeito de todos os parceiros financeiros, dos nossos fornecedores, dos restantes Clubes – nacionais e internacionais - e, mais importante, dos nossos funcionários! Tudo isto ao mesmo tempo que garantíamos o nosso crescimento.
Uma coisa é certa, o Sport Lisboa e Benfica não pode continuar a acumular dívida às suas participadas. Demasiadas vezes discutimos mais o curto prazo do que o médio e longo prazo. Muitas vezes há analises pouco rigorosas, mas convenientes em função de algumas variantes conjunturais e de alguns protagonistas que as fomentam. Alguns exemplos são recentes!
O importante é manter o rumo traçado e que aponta para uma gestão orçamental rigorosa dos nossos meios. Espero uma discussão séria de um plano – repito – muito ponderado e discutido nos meses anteriores!
Muito obrigado! | | | |
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