Manuel Dias

Uma maratona com percalços

Manuel Dias foi o único atleta “encarnado” a participar nos Jogos Olímpicos de 1936.
Quando rumou a Berlim, detinha o recorde nacional da maratona (2h37min20s), meta que quebrou em 5 de julho de 1936 e que pertencia a Francisco Lázaro desde 1912.

Emblema utilizado no uniforme dos membros da delegação portuguesa
no Jogos Olímpicos de Berlim
1936
Coleção Museu Nacional do Desporto


No dia 9 de agosto decorreu a prova da maratona que reuniu 56 participantes. Durante a primeira metade da prova, o fundista português dominou a frente do pelotão juntamente com o argentino Juan Carlos Zabala, o campeão da maratona olímpica de 1932. A partir dos 25 quilómetros, passaram à frente os corredores ingleses e japoneses que vieram a ocupar o pódio.

Manuel Dias terminou a prova em 17.º lugar, em 2h48min49s, ficando a 19min30s do 1.º classificado. No entanto, foi admirado internacionalmente por ter batido “o melhor americano, o melhor belga, o melhor dinamarquês, o melhor alemão, o melhor polaco e o melhor suíço”, “deixando atrás de si campeões de fama mundial”.

Comitiva de corredores portugueses da maratona à saída do almoço oferecido
pelo Ministro de Portugal em Berlim. Manuel Dias é o segundo a contar da esquerda.


Este resultado é ainda mais extraordinário porque Manuel Dias fez a primeira parte da prova com umas sapatilhas de ginástica, de solas muito finas, que se desfizeram com o asfalto. A meio do percurso tinha os pés em sangue e cada passada representava uma dor atroz. Pouco depois, um espectador apercebeu-se do seu sofrimento e cedeu-lhe os seus sapatos. Apesar de serem mais pesados, permitiram-lhe recuperar o passo e, mesmo com os pés em bolha, cortar a meta com uma honrosa classificação.



Sabia que…?


Manuel Dias era benfiquista ferrenho, vivia na Mouraria e era ardina. Anos mais tarde, venceu um prémio na lotaria, com o qual pôde realizar um sonho: fundar um jornal desportivo. Convidando um jornalista desportivo e um professor de educação física, para assumir o papel de diretor do jornal, juntos fundaram, em 1949, o ainda hoje persistente jornal Record.

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