14 de março de 2018, 21h40

José Eduardo Moniz aborda todos os ataques e temas quentes à volta do Benfica

Clube

Vice-presidente do Clube falou de tudo e não deixou pergunta sem resposta numa grande entrevista à BTV.

"Não nos escondemos!", exclamou José Eduardo Moniz, vice-presidente do Benfica, numa extensa entrevista à BTV em que respondeu a todas as perguntas sobre os temas mais quentes em torno do Clube e explicou, ponto por ponto, as motivações por detrás de um ataque sem precedentes por parte dos adversários. 

Começamos pelo caso e-Toupeira, que envolve o assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves, mas sobretudo que envolve uma questão que também está hoje em voga, que tem a ver com a permanente violação do segredo de justiça. Admite que houve acesso a informação ilegítima neste processo?

A única coisa que eu tenho de admitir é que isto é uma calúnia. Nem eu nem os meus colegas – quer da direção, quer da administração da SAD – tivemos acesso a qualquer informação relacionada com qualquer processo de que o Benfica esteja, porventura, a ser alvo. Agimos com a maior das franquezas e das frontalidades nestas situações todas. Nunca tivemos qualquer informação sobre qualquer das matérias que têm sido objeto de notícia ao longo destas últimas semanas e meses e é, curiosamente, pela Imprensa que temos vindo a tomar o primeiro contacto com aquilo que vem aparecendo. Aliás, eu diria mesmo que aquilo que sabemos é precisamente pelos jornalistas. São os jornalistas os primeiros a noticiar que o Benfica vai ser objeto de buscas e são também os jornalistas os primeiros a chegar ao Estádio da Luz, ainda antes de a Polícia Judiciária cá aparecer. Alguém fura o segredo de justiça, mas seguramente não é o Benfica, nem são os seus dirigentes.

O Benfica deixa isso bem claro…

Dou aqui a garantia a 100 por cento que não houve, não há, nem nunca haverá, por nossa iniciativa, qualquer posicionamento que se possa considerar menos correto perante a justiça em Portugal.

No entanto, os Benfiquistas têm acesso à informação – sobretudo nos jornais – e, de acordo com a Imprensa, há várias notícias que deixam os adeptos mais preocupados. Qual é a posição do Benfica sobre notícias como as que referem que “a investigação acredita que o Benfica teria montado uma rede junto do sistema judicial”? O que é que tem a dizer aos Benfiquistas que leem estas notícias?

Desconheço a existência de qualquer rede ou qualquer iniciativa tomada no âmbito do Benfica – ou tomada por pessoas a mando da direção/administração da SAD do Benfica – no sentido de fazerem fosse o que fosse para obter informação reservada sobre processos relacionados com o Benfica ou com terceiras entidades. Não temos nada a esconder, a SAD é uma sociedade cotada. Somos um clube respeitado, somos o maior clube português. Temos a responsabilidade de zelar pelo património e pelos interesses do Benfica, pela sua imagem e pela sua credibilidade. Não podemos dar nenhum passo que coloque em causa essa credibilidade e essa imagem.

Não podemos permitir que haja danos naquilo que é a história do Benfica, o presente e o futuro do Benfica. Agimos sempre com extremo cuidado. Não entendo essas notícias. Não entendo como possam surgir a não ser porque o Benfica é grande demais, o principal e maior clube português – não só no futebol, mas também nas modalidades amadoras –, mas também porque tem uma pujança notável que é invejada no estrangeiro. Os nossos concorrentes, não sendo capazes no terreno de lutar taco a taco connosco e de nos ultrapassar no sítio onde as coisas devem ser postas, utilizam métodos altamente condenáveis. Não vou dizer que somos uma casa de santos com asas nas costas, mas somos pessoas de bem, gente séria, gente honesta, gente que tem um currículo. Construímos uma carreira à base do nosso trabalho.

José Eduardo Moniz

"PAULO GONÇALVES PÔS O LUGAR À DISPOSIÇÃO"

Por que motivo o Benfica renovou a confiança em Paulo Gonçalves?

Nós todos, aqui no Benfica, fomos apanhados de surpresa com esta situação. Todos temos consciência de que fomos confrontados com uma situação grave e difícil. Todos temos de agir com muita ponderação, muito cuidado e com uma capacidade de reflexão inusitada. Qualquer passo que seja dado, qualquer palavra que seja utilizada de forma imprópria poderá ser suscetível de permitir interpretações menos corretas sobre aquilo que são as nossas intenções. Nós não tomámos nenhuma decisão precipitada, o que aconteceu foi que esperámos, pacientemente, que a justiça fizesse o seu curso e os tempos da justiça não são os tempos nem do jornalismo nem das empresas. A justiça é muito lenta. Não gosto que sejam feitos julgamentos na praça pública. Tal não significa que nós sejamos irresponsáveis. Aguardámos pela decisão da juíza de instrução e aquilo que ela decidiu foi importante para a reflexão que fizemos e para a resolução subsequente. A juíza determinou que Paulo Gonçalves não ficaria em prisão preventiva. Determinou ainda que poderia frequentar o Estádio da Luz e que poderia voltar a trabalhar no Estádio da Luz e nas suas funções normais no Benfica.

Em cima disso, ficou claro que um dos principais indícios para Paulo Gonçalves ter sido levado para a PJ era o facto de, alegadamente, o Benfica ter contratado para os seus quadros o sobrinho de um especialista informático que se encontra detido [José Augusto Silva]. O que se verificou é que isso era mentira e que o Benfica não tinha nenhum funcionário com esse nome, nem nunca tinha estado prevista a entrada do sobrinho de José Augusto Silva nos seus quadros. Nunca foi tema. Foi perante estas quatro situações objetivas, e perante a circunstância de Paulo Gonçalves ter tomado a iniciativa de se dirigir ao presidente do Benfica e ter colocado, de imediato, o seu lugar à disposição, que nós – analisando os prós e os contras – não querendo fazer nenhum julgamento antecipado, estamos convictos de que Paulo Gonçalves tem pleno direto e capacidade para esclarecer tudo aquilo que lhe é imputado. Na convicção disto, decidimos que Paulo Gonçalves deveria manter-se em funções, executando as tarefas que lhe são confiadas ao longo dos anos. Esta é a justificação, que nos parece lógica. Todas as pessoas são inocentes até prova em contrário. Não seremos nós a fazer esse julgamento. O Benfica está acima de qualquer um de nós. Nós passamos, mas o Benfica continua. Estamos aqui, temporariamente, a proteger os interesses do Benfica, a defender os interesses do Clube, e a trabalhar – de forma empenhada e desinteressada – para que o futuro seja auspicioso.

Colocam as mãos no fogo por Paulo Gonçalves?

Nem eu, nem nenhum dos meus colegas, alguma vez cometemos algum ato ou tivemos conhecimento de algum ato por si ordenado no sentido de o Benfica agir de forma menos correta perante a Justiça ou qualquer outra situação. Essa é uma garantia que aqui posso deixar.

Paulo Gonçalves é indiciado numa investigação em curso. Apesar de essa confiança depositada, considera que ele tem condições para continuar a trabalhar no Benfica?

Da nossa parte tem condições para fazer o trabalho que tem de fazer. Caberá a ele decidir se tem condições psicológicas para tal. Pelo que posso perceber, tem. Aliás, permita-me um parêntesis nisto… Verifico um ligeiro alarido com o facto de Paulo Gonçalves ter sido mantido em funções pela SAD do Benfica quando me recordo de outros casos de dirigentes de outros clubes envolvidos, alegadamente, em situações complexas, nomeadamente no caso do FC Porto com o Apito Dourado e com a Operação Fénix. Não vi nenhum dirigente do FC Porto suspender funções. Desde o seu presidente a outros. Ninguém fez alarido em relação a isso. Reafirmo o que disse: temos de esperar pacientemente o caminho da Justiça, que percorra todos os seus formalismos, que conclua os seus processos como tem de fazer, nos timings que acha que tem de fazer. Gostaríamos que fossem céleres e esperamos que as autoridades judiciais compreendam a premência envolvida nestes processos.

José Eduardo Moniz

"SÓ HOUVE UMA PESSOA QUE EXIGIU SER NÚMERO DOIS"

Temos ouvido a expressão de que Paulo Gonçalves é o braço direito de Luís Filipe Vieira. José Eduardo Moniz é vice-presidente do Benfica e administrador da SAD. Qual é o modelo de organização do Benfica e onde se enquadra Paulo Gonçalves?

Não é! Não há um braço direito de Luís Filipe Vieira. O braço direito somos todos: os vice-presidentes, os administradores e os diretores. Só houve uma pessoa que exigiu ser o número dois; teve de sair perante as circunstâncias e preferiu ser comentador numa estação de televisão…

Está a falar de Rui Gomes da Silva?

Exatamente! Rui Gomes da Silva, foi público, quis ser número dois, era a exigência que ele colocava. Não lhe foi dado isso e saiu. Cada pessoa tem as suas ambições.

Sobre o caso E-Toupeira: José Augusto Silva, funcionário do Instituto de Gestão Financeira e dos Equipamentos de Justiça é arguido e está em prisão preventiva. De acordo com algumas notícias havia ligações a Luís Filipe Vieira, que terá tirado uma fotografia e tido um encontro com ele no Estádio da Luz durante um jogo. Houve mesmo esse encontro? Há ligação a Luís Filipe Vieira?

Pelo que diz Luís Filipe Viera, não há nenhuma ligação. Acho naturalíssimo que Luís Filipe Vieira não saiba se se encontrou ou não. Vou-lhe dar o meu exemplo: sempre que entro no Estádio da Luz para ver um jogo, há “n” Sócios que me pedem para tirar fotos; há simpatizantes e Sócios do Benfica por esse País fora que me pedem para tirar fotos e dar autógrafos. A circunstância de estar ao lado deles não quer dizer que os conheça. Por vezes tiram-se conclusões precipitadas de atos normais do que fazemos. O Benfica é uma força enorme que faz vibrar. São multidões e multidões atrás de nós por Portugal.

Isto leva-nos a outro enquadramento que tem a ver com a notícia de hoje no jornal “I”. Fala-se num mal-estar no Ministério Público e na Polícia Judiciária, porque há uma espécie de clubite nas estruturas judiciais. Acha que se está a assistir a um campeonato entre Benfica, FC Porto e Sporting dentro da Justiça, nos tribunais, Ministério Público ou Polícia Judiciária?

De toupeiras e roedores não percebo nada. Quero acreditar que isso não acontece. Claro que há notícias que falam desses facciosismos. Acharia gravíssimo que assim fosse. Acredito na honestidade do Ministério Público, dos juízes, da Polícia Judiciária. Mas se, porventura, o que é relatado corresponder à verdade, é gravíssimo. Mas se houver matéria sobre os três grandes, gostaria de saber por que razão só um é visado. Há uma intenção deliberada de atingir o Benfica. Não quero acreditar que o sistema judicial funcione assim.

José Eduardo Moniz

"TENHO VISTO MAIS MANIPULAÇÃO E MENTIRA DO QUE NOTÍCIA"

Um blogue ligado ao Sporting divulgou por antecipação documentos sigilosos da Polícia Judiciária…

A confirmar-se isso, espero que aconteça o mesmo ao Sporting que aconteceu ao Benfica: buscas. Que haja apuramento de tudo o que passou e por que razão isso aconteceu. Por mim só há uma intenção: denegrir a imagem do Benfica, afetar as suas receitas e atacar o Clube em toda a sua dimensão, e isso é muito grave. Tem de haver por parte das mais altas autoridades portuguesas uma intervenção drástica no sentido de colocar os pontos nos is.

Muitos perguntam o que é o gabinete de crise e quem o compõe. Pode explicar?

Leio e ouço comentários com um misto de ironia e tristeza. O nosso jornalismo desceu a um nível demasiado baixo. O Benfica foi alvo de um ataque sem precedentes. Não sei se alguma instituição no mundo foi devassada na sua vida nos últimos dez anos como foi o Benfica. Ninguém está preparado. Numa primeira fase pensámos: “Não nos vamos precipitar. Somos pessoas maduras e serenas. Temos a consciência tranquila em relação ao nosso trabalho. Isto não passa de uma nuvem passageira.” Assim não foi. Impunha-se que tivéssemos mecanismos de ação que nos apetrechassem. É um gabinete de acompanhamento da SAD do Benfica relativamente às matérias que surgem. Integra membros da Comunicação do Benfica e do seu gabinete jurídico. O Benfica está mais atento e ágil, faz um acompanhamento mais sistemático ao que já acontecia anteriormente.

Porquê só agora?

Quando vejo pessoas importantes da Comunicação Social dizerem que o Benfica persegue jornalistas e quer calar a Imprensa e os comentadores… Comigo aqui isso nunca aconteceria. As pessoas esquecem-se do meu trajeto profissional. Sou jornalista, tive grandes combates pela liberdade de informação em Portugal. Sei o que sofri. Não há um jornalista da TVI que me possa acusar de ter colocado censura sobre ele, dei a cara pela informação e pelo jornalismo da empresa para que a TVI pudesse ser respeitada por todos. Respeitamos toda a liberdade de informação que os jornalistas tiverem. Insurgimo-nos contra a calúnia e a mentira e, já agora, a manipulação.

Tem visto mais mentira e manipulação, ou notícia?

Tenho visto mais manipulação e mentira do que notícia, porque o Benfica vende.

Rui Santos dizia na SIC que isto era uma declaração de guerra…

Rui Santos, por muito que eu possa respeitar a sua opinião, não é propriamente um Papa destas coisas. Gostaria, porventura de ser, mas não é! Eu ontem, aliás, tive a oportunidade de assistir a parte do programa dele – não o vi todo, porque, confesso, também não tenho paciência… Chega a uma altura em que nos cansamos destas coisas, sobretudo quando elas são fastidiosas e repetitivas. Houve uma coisa que me impressionou, que foi o tempo dedicado a escalpelizar cada parágrafo das afirmações proferidas pelo presidente do Benfica. Parágrafo a parágrafo. Ao assistir ao programa, estava boquiaberto; estava entre o divertido e curioso, porque eu nunca vi fazer-se aquilo a um discurso de um primeiro-ministro, a um discurso de um Presidente da República, nem sequer a uma Encíclica Papal. De facto, o Benfica é muito importante, tem de ser muito poderoso para haver tanto tempo dedicado a analisar cada palavra proferida pelo presidente do Benfica. Acho isso extraordinário! Fiquei muito admirado, mas, enfim, cada um faz os programas que entende fazer e cada um vê aquilo que quer. Eu respeito isso.

Mas isto não é um exclusivo da Imprensa Portuguesa, já tem repercussão internacional. Isso preocupa-o?

Obviamente que preocupa! O que mais nos preocupa, enquanto dirigentes do Benfica e administradores da SAD, são os impactos que isso tem na nossa atividade, junto dos nossos sponsors nacionais e internacionais, junto daquela que é a nossa massa associativa, porque nós vivemos da Marca Benfica. A Marca Benfica é, porventura, a marca portuguesa mais conhecida no mundo e mais valiosa. Não podemos permitir que alguém brinque com ela, ou faça dela aqui que entenda. A marca Benfica vale milhões, afetá-la é delapidar o património do Benfica e nós temos a obrigação de sair em defesa dessa marca e fazer tudo para que isso não aconteça. Para que não a vilipendiem da forma como andam a fazê-lo.

José Eduardo Moniz

"O OBJETIVO DO QUE VEMOS É DECAPITAR A DIREÇÃO E LANÇAR O CAOS"

Além do caso E-Toupeira, que é o mais recente, o nome do Benfica está envolvido em mais três casos: vouchers, emails e viciação de resultados no jogo Rio Ave-Benfica… Isto acontece porquê?

Porque o Benfica é grande demais! Tudo isto se iniciou no caso dos vouchers. Foram feitas as averiguações pelas autoridades desportivas competentes e o caso foi arquivado, apesar dos recursos e dos contrarrecursos. A seguir, avançou-se para os emails! Dos emails conhecidos até agora…

Mas a questão é se os emails são verdadeiros ou não e se aquele conteúdo compromete o Benfica…

Vamos por partes. Há dez anos de emails do Benfica. Há dez anos eu não estava cá, portanto, nem sequer me posso pronunciar sobre isso… E faço aqui uma inconfidência: eu não uso o email do Benfica, eu uso os meus emails pessoais. Do que saiu até agora, eu nada vi que pudesse considerar-se comprometedor ou menos lícito. Eu não vi nada e ninguém mo mostrou! Não ando à procura de emails, mas falo com pessoas que estão cá há muitos anos e que mandaram e receberam emails, e essas pessoas, no contacto que têm connosco, mostram-se tranquilas relativamente àquilo que fizeram.

Eu também tenho de estar tranquilo. Eu acredito nos funcionários do Benfica, tenho de partir do pressuposto de que não há nada que possa ser comprometedor. Porque, se houvesse, tenho a certeza que já teria saído! Com a voracidade com que tanta coisa é lançada para a Imprensa, para as Televisões e para as Rádios, seguramente alguma coisa teria aparecido já!

Ainda sobre este caso dos emails, que leitura é que faz ao facto de terem sido divulgados, em primeira mão, pelo FC Porto, através do Porto Canal e do diretor de comunicação do clube? Depois houve uma cadeia de distribuição através de blogues alegadamente associados ao Sporting onde foram divulgados emails de vários funcionários do Benfica e colaboradores…

Quem faz essa divulgação, esquecendo-se que, porventura, os seus telhados podem ser de vidro, tem objetivos de curto prazo, muito limitados. Se eu quiser fazer uma interpretação muito direta, imediata e sem grande reflexão, diria: “Bom, o Benfica é muito grande, ganhou quatro Campeonatos seguidos, continua na luta pelo Penta apesar de tudo aquilo que se faz e se tenta pôr de pé para minar a sua firmeza, segurança e alicerces, portanto, há que atuar de outra forma! Há que abalar os seus dirigentes, há que decapitar a Direção.”

Acha que é esse o objetivo?

Acho! Por exemplo, no caso do Paulo Gonçalves acho que o objetivo não é ele, o objetivo é o presidente o Benfica! Acho que o objetivo é decapitar a Direção do Benfica para lançar o caos, para que o Benfica volte a ser o que era há muitos anos. A verdade é que o Clube fez uma recuperação extraordinária, como nenhum outro clube português fez.

No editorial publicado hoje na Revista Dragões, do FC Porto, assinado por Pinto da Costa, o presidente do FC Porto diz que, relativamente a este caso E-Toupeira, há uma rede de tentáculos a todos os títulos vergonhosa.

Provavelmente o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa teve um apagão na memória! Só pode ter sido, relativamente a todo o historial dele e do FC Porto. Teve um enorme apagão!

Isto vem de encontro a uma tese que tem vindo a sair na Opinião Pública de que há um padrão comportamental do Benfica para dominar o futebol português…

Há um padrão muito curioso. Tudo começa com uma denúncia anónima; com a denúncia anónima levanta-se uma suspeita, segue-se a investigação, invariavelmente segue-se o arquivamento. Pelo menos, tem sido assim. Foi assim no caso dos vouchers e foi assim no caso do ministro Mário Centeno. Depois, há que referir uma outra coisa que abala esse argumento: o presidente da Federação foi dirigente do FC Porto, o presidente da Liga de Clubes foi eleito sem o voto do Benfica, o presidente do Conselho de Arbitragem, como toda a gente sabe, não tem nada a ver com o Benfica! Portanto, se formos pensar logicamente e de forma racional sobre tudo isto, e se tivermos presente na memória tudo aquilo que se passou, o que se chega à conclusão é que, pelo menos até agora, tudo isto deu zero. Esboroou-se e esboroou-se porque não tem fundamento no essencial.

O que se passa aqui é: o Benfica é muito grande, o Benfica é grande demais. Como é grande demais, cresceu muito, equipou-se muito em infraestruturas, em projeção internacional, na sua capacidade de gestão. Tem uma estrutura profissional como nenhum outro clube português tem, aposta nos jovens, etc, etc, etc… Portanto, está a construir um caminho que mais ninguém conseguiu construir, logo há que deitá-lo abaixo de qualquer maneira, independentemente dos meios.

José Eduardo Moniz

"NERVOSO? VI O PRESIDENTE INDIGNADO, ISSO SIM!"

Há muita gente que queria ouvi-lo sobre todos estes temas…

Aqui ninguém se esconde!

Mas não se sente incomodado com tudo isto?

É evidente que me sinto incomodado! Quem não se sentiria incomodado? Só se eu fosse uma lagartixa.  Temos um nome a defender, o meu capital é o meu nome e não quero estar envolvido nestas coisas, nem eu, nem os meus colegas! Logicamente que nos sentimos incomodados com isto, agora a nossa obrigação é não virar a cara. Somos pessoas de bem, não temos nada a esconder, e como não temos nada esconder e estamos aqui de boa-fé, vamos dizer aos Sócios do Benfica, aos simpatizantes, aos nossos sponsors, que o que nós fizemos – Direção e SAD do Benfica – está dentro daquilo que é exigível aos seus responsáveis! Nós temos um património histórico a defender, temos o nome Benfica a defender, a marca a proteger, um futuro para construir e isso é muito importante e não podemos fazer conceções a coisas destas que perturbem o nosso trabalho. E podem ter a certeza de que isso não vai acontecer.

Que impacto é que todos estes casos tiveram, têm ou podem vir a ter na equipa de Futebol e no objetivo principal, que é o Penta?

A equipa de futebol tem dado uma resposta inequívoca dentro de campo a todas estas questões que têm surgido na Comunicação Social e a todos os ataques que têm sido desferidos. Há, de facto, dentro do balneário do Benfica uma união enorme em torno daqueles que são os principais objetivos. Todos nós queremos a conquista do Penta e estão desde a primeira hora a tentar deitar-nos abaixo utilizando todos os métodos. Mas desconhecem uma coisa: este grupo de trabalho é extremamente unido, o balneário é sólido e muito solidário. Cada coisa destas funciona como uma provocação aos nossos jogadores, porque eles sabem que conquistaram estes Campeonatos com o seu trabalho, com aquilo que foram capazes de fazer dentro do campo e não porque houve jogadas fora de campo. Nós não precisamos disso! Demonstrámos isso ao longos destes últimos quatro anos para grande mágoa dos nossos adversários… E os jogadores estão empenhados em demonstrar que as coisas foram assim e vão continuar a ser assim.

Luís Filipe Vieira disse, no último sábado, que os Benfiquistas têm de estar unidos e até se revoltou contra aqueles que têm feito o jogo do adversário. Sente que tudo isto pode ameaçar a unidade do Benfica?

Os Benfiquistas têm de acreditar em nós e, sobretudo, têm de acreditar no Benfica! Se vim aqui hoje, se me disponibilizei para vir aqui hoje, e podia estar tranquilamente escondido atrás de um biombo, coisa que eu nunca fiz na vida, é porque eu acredito, acima de tudo, no Benfica e no futuro do Benfica. Eu não tenho nenhuma procuração de Luís Filipe Vieira; não estou sempre de acordo com aquilo que Luís Filipe Vieira faz, aliás, os membros da Direção e da SAD não estão sempre em consonância relativamente às decisões que são tomadas, mas há uma coisa que me impressionou na análise que foi feita à intervenção de Luís Filipe Vieira de sábado, após o jogo. Ouvi dizer que ele estava nervoso, irritado, que ia perseguir jornalistas… Eu não vi um homem nervoso! Vi um homem indignado, que é uma coisa diferente! E o direito à indignação existe, já o dizia o dr. Mário Soares.

Não o vi com instintos persecutórios a ninguém. Vi, sim, um homem empenhado na defesa da marca Benfica e nos interesses do Benfica. Isso foi o que eu vi e vi-o a fazê-lo de forma genuína. Dizerem que se expressou mal? Expressou-se à maneira dele! E cada um fala como deve falar, como sabe falar, como pode falar e como entende que chega às pessoas! E temos de respeitar isso! Portanto, discordo frontalmente da grande maioria dos comentários que foram feitos! Foram comentários dirigidos, mal-intencionados e sem sentido. É evidente que pode haver adeptos, Sócios, simpatizantes que discordem das decisões tomadas, não tenho nada contra isso. Acho saudável, porque o Benfica é um clube aberto, e as pessoas não têm de pensar todas da mesma maneira.

José Eduardo Moniz, vice-presidente do Benfica, na Casa da Bairrada

"RUI GOMES DA SILVA? EU NÃO PENSO, EU DISPENSO!"

Um ex-vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, fez-lhe algumas observações nas últimas horas, no programa “Dia Seguinte”, da SIC Notícias. Quando falou à BTV, dizendo que alguns ratos saíram mais cedo do barco, você estava a referir-se a Rui Gomes da Silva? E como que analisa a resposta do ex-vice-presidente quando este diz que alguém anda preocupado com sondagens?…

Eu não gostava de dedicar atenção a esse senhor. Tive de lhe dedicar atenção há uns anos, quando alguém, porventura inadvertidamente, lhe deu poder, lhe deu poder ao ponto de o nomear ministro. E como ministro, e com uma grande dificuldade em lidar com aquilo que é a liberdade de Imprensa e a liberdade de comentário, esse senhor tentou interferir com a linha editorial da TVI, censurar o principal comentador que a TVI tinha, Marcelo Rebelo de Sousa, hoje Presidente da República. E a verdade é que, na sequência dessa intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa saiu mesmo da TVI. Isso atesta o que eu penso desse senhor e a atenção que lhe dedico. O que é que eu penso sobre ele? Eu não penso, eu dispenso!

Uma mensagem final aos adeptos do Benfica…

Tenham confiança! Tenham confiança no nosso trabalho! Nós temos estabilidade, estabilidade diretiva, financeira e estamos unidos, solidários. E temos uma coisa que é muito relevante para quem é grande e para quem quer continuar a ser grande, que é a ambição! E essa ambição traduz-se em algumas coisas que são muito importantes e que irritam muito aqueles que são os nossos adversários. É que nós estamos a fazer coisas! Continuamos na luta pelo Penta, que é o nosso principal objetivo desportivo da época, mas estamos a fazer coisas que os outros não fazem, porque não pensam a longo prazo. Estamos a alargar o Seixal, estamos a construir um Centro de Alto Rendimento em Oeiras, estamos num projeto de internacionalização do Benfica nos mercados emergentes, nomeadamente nos Estados Unidos e na China, e vamos fazer um abatimento drástico no passivo do Benfica em cerca de 100 milhões de euros. Ora, não é qualquer instituição desportiva em Portugal que consegue fazer isto, o que talvez ajude a explicar muitos dos ataques e muitas das coisas que têm acontecido à volta do Benfica nos últimos meses e, nomeadamente, nas últimas semanas.

Texto: Filipa Fernandes Garcia, Marco Rebelo e Sónia Antunes

Fotos: Arquivo / SL Benfica

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