10 de novembro de 2017, 01h20

Luís Filipe Vieira: “Queremos fixar o passivo em 150 milhões”

Clube

Presidente do Benfica apontou a um valor estável no passivo que permitirá outra ambição à Instituição em projetos fulcrais para o futuro.

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, falou sobre vários temas na entrevista à BTV, feita num modelo em que vários dos adeptos presentes no auditório do Museu Benfica - Cosme Damião puderam colocara questões. O futuro das Casas, as contas e as vendas de jogadores foram alguns dos assuntos analisados.

"Para sermos um grande clube termos de ter contas saudáveis"

Temos assistido a alterações na dívida do Benfica e o Clube tem feito vendas astronómicas. Por que é que o Benfica vende tanto e o passivo baixa pouco?

O passivo do Benfica tem vindo a baixar dentro do previsto. Em relação às vendas… O Benfica vende um jogador e não recebe logo todo o dinheiro. Vai recebendo a três ou a dois anos. É assim! O ativo sobe e o passivo desce pouco. Vou dar o exemplo do caso do Nélson Semedo: o Benfica recebe 30,5 milhões de euros nos próximos dois anos. O ativo do Benfica sobe e o passivo fica inalterado, e vai descendo à medida que vai recebendo o dinheiro. Mau era se o ativo descesse e o passivo subisse. Para sermos um grande clube temos de ter contas saudáveis. Queremos livrar-nos da dívida financeira que temos no mercado. Queremos, ainda, pagar os empréstimos obrigacionistas. Não antecipámos receitas e se o fizermos é para pagar dívidas. Queremos fixar o passivo em 150 milhões de euros.

Segundo o último Relatório e Contas, o Benfica realizou 138 milhões de euros em vendas, mas o passivo baixou pouco. O que as pessoas querem saber é: o que é feito do dinheiro?

Está tudo lá explicado. Só tínhamos 50 por cento da mais-valia do Ederson. Não tem nada a ver com comissões. Tem  ver com o facto de os passes não serem totalmente do Benfica. O Lindelöf a mesma coisa, 20 por cento do passe não era nosso. O Jorge Mendes é um parceiro do Benfica, não é comissionista. Falam dele, mas depois andam atrás dele para fazerem negócios. Tem sido benéfico para o Benfica esta parceria.

"Há quem fale mal do Jorge Mendes e ande atrás dele para fazer negócios"

Essa parceria é para continuar?

É! Ele quer e nós também queremos. Quem fala mal dele depois quer fazer negócios com o Jorge. Eu sei, ele mostra-me as mensagens... Esta semana disseram que o João Carvalho ia ser vendido. É falso! Não posso ir a Londres, a Madrid, à China… É logo para vender jogadores! Isto tem muito a ver com o ambiente que está a ser criado no futebol português, que é de cortar à faca. Em relação às viagens à China, as pessoas vão perceber dentro de pouco tempo. Pensam que as coisas aparecem do nada, mas há muito trabalho.

Ao longo dos 14 anos de presidência tem dado bastante carinho às Casas. Essa postura é para continuar? Que papel podem ter na promoção da Marca Benfica em termos nacionais e internacionais?

No Benfica nada anda para trás. Lembro-me quando ia às Casas, com o Eusébio... Disse que um dia tinha de ser o braço armado do Benfica e para isso tinham de estar em sintonia com o Clube. Esse trabalho tem sido feito. Quero aproveitar para deixar uma palavra ao Jorge Jacinto, que tem sido incansável. Quando se começou a pensar na uniformização da imagem, tudo mudou. As Casas foram crescendo e estão criadas as condições para nos desenvolvermos. Estamos com o projeto de ligar as Casas em rede e ligá-las à casa-mãe. Não vamos andar para trás. Este projeto não vai regressar ao passado. Eu sei que as pessoas que gerem as Casas servem o Benfica de forma graciosa. Queremos que as Casas do Benfica sejam financeiramente autossuficientes. Ainda este ano tenho três para inaugurar. Este projeto é muito importante, porque é onde convivem os benfiquistas que vivem longe. Ali vive-se o benfiquismo.

 

Texto: Marco Rebelo, Filipa Fernandes Garcia e João Sanches

 

Fotos: João Paulo Trindade / SL Benfica

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