8 de março de 2019, 12h00

Futuro do desporto no feminino em debate

Museu Benfica-Cosme Damião

O Museu Benfica-Cosme Damião foi palco de reflexão sobre o papel da mulher.

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, o Museu Benfica-Cosme Damião organizou, a 2 de março, um debate em torno do papel da mulher no desporto. A iniciativa contou com diversas oradoras que abordaram a evolução da presença feminina no desporto nacional e no Benfica.

O Sport Lisboa e Benfica é um caso raro no que toca a representatividade e projeção no desporto feminino em Portugal. Atualmente, são 14 as modalidades que têm representação feminina, com mais de 1000 atletas a vestirem o Manto Sagrado, entre seniores e juniores.

O futebol feminino foi das últimas modalidades a aparecerem no Clube. Atualmente, 95 mulheres jogam pelo Benfica, e Tita, da equipa sénior, falou à BTV das dificuldades que encontrou no futebol por ser mulher.

Ser mulher é um desafio e é um desafio bom. Passar a ideia de que vivemos bem com isso, com as nossas características, com o nosso lado mais sentimental e olhar adiante, manter os nossos sonhos, manter a nossa coragem e enfrentar a vida para o que der e vier. O caminho está a ser feito, já estivemos pior, ainda não estamos bem, mas é continuar a trabalhar”, vincou a jogadora de futebol feminino, Tita.

Telma Monteiro também participou na conversa. A judoca é uma das grandes referências femininas do Benfica e de Portugal, mas nem isso a ajudou a ser igual na hora de ouvir o Hino Nacional.

Desporto feminino

Os feitos femininos não são celebrados da mesma forma que os feitos masculinos, isso aconteceu comigo na Seleção Nacional, eu ver atletas masculinos a conquistarem títulos que eu já tinha conquistado algumas vezes e serem celebrados de uma forma muito mais efusiva. Por outro lado, acho que o judo é um desporto exemplar na medida em que tenta que exista igualdade de género”, afirmou Telma Monteiro.

Também no panorama do jornalismo desportivo, a mulher tem lutado pela igualdade de género, mas sobretudo pelas oportunidades. Cecília Carmo foi um dos primeiros rostos femininos do desporto na televisão portuguesa e garantiu que as mulheres jornalistas estão no caminho certo.

“Neste caso concreto do jornalismo desportivo, ser homem ou ser mulher já foi uma novidade, mas neste momento é mais uma afirmação, é saber para onde se vai e para onde se está a comunicar e isso pode ajudar a que mais mulheres ganhem o gosto de entrar nesta área do jornalismo”, considerou Cecília Carmo.

Ainda há muito para fazer, não só na comunicação social, mas também na atividade desportiva. Eu não defendo que os homens e as mulheres são iguais, pois há diferenças, mas que há muitas mulheres que não têm oportunidade de mostrar o seu valor, isso há e isso não é justo numa sociedade que pretende ser igual para todos”, acrescentou.

Texto: Márcia Dores

Fotos: SL Benfica

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