24 de março de 2020, 12h20

Mariana Silva: "Condições de trabalho ímpares em Portugal"

Basquetebol Feminino

A basquetebolista do Benfica destacou o apoio dado pelo Clube às modalidades femininas.

A basquetebolista Mariana Silva tem sido uma das figuras de destaque do SL Benfica na Liga Feminina 2019/2020.

Numa entrevista ao Site Oficial, a jogadora falou do momento que todos vivemos por causa da pandemia de Covid-19 e de ter estado entre os nomeados para atleta revelação nos Galardões Cosme Damião.

É natural de Vila Real, já jogou também no Olivais, em Coimbra. Como se deu a mudança para o Benfica?

Sim, nasci em Vila Real. Nessa altura, os meus pais, que são professores de Educação Física, estavam lá colocados, mas as raízes da minha família são em Lisboa. Os meus pais fizeram o seu percurso académico, jogaram basquetebol em equipas de Lisboa e a minha família está toda aqui. Atualmente os meus pais vivem em Rio Maior. A mudança do Olivais para o Benfica coincidiu com a minha vinda para Lisboa para estudar.

Esta é a terceira temporada que realiza ao serviço do Benfica. Como descreveria a experiência ao longo deste tempo?

Tem sido um tempo de crescimento pessoal e desportivo, onde tenho aprendido e consolidado muitas coisas do jogo. Quando cheguei, na minha primeira época, apesar de ainda ser Sub-19, joguei sempre nas seniores e tive oportunidade de aprender muito com as jogadoras mais experientes. Agora, passados três anos, continuo a ter o privilégio de jogar com elas, o que é muito gratificante para mim. Tento que o meu exemplo de trabalho e dedicação seja fator motivacional para as atletas mais novas que integram agora a nossa equipa e para as restantes que estão nos escalões de formação.

Mariana Silva

"Tento que o meu trabalho e dedicação sejam um exemplo para as mais novas"

Qual foi a reação ao saber que estava nomeada para o prémio Revelação Modalidades nos Galardões Cosme Damião?

Muito honestamente, não estava à espera, porque a época anterior não foi uma das melhores, mas ser nomeada para esta categoria, ao lado de ilustres atletas que, como eu, trabalham diariamente para dignificar este clube, foi uma enorme honra. Foi ver reconhecido todo o meu esforço a esta modalidade e um privilégio fazer parte do evento.

Sente que foi o ponto mais alto desde que chegou?

Em termos de visibilidade, sim, mas gostava de realçar também a conquista da Taça Vítor Hugo no início da temporada.

Ainda é estudante. O que está a estudar e que planos paralelos tem para a carreira de basquetebolista?

Estou a estudar Desporto, no ramo de Exercício e Bem-Estar. Gostava muito de fazer parte da equipa técnica de um plantel como preparadora física e trabalhar na correção de posturas dos jovens atletas, na recuperação de lesões e no fortalecimento muscular de forma a prevenir/minimizar as lesões e a sua gravidade.

Mariana Silva

Com treinos muitas vezes a horas tardias, como consegue conciliar as duas coisas e de que forma isso afeta a rotina?

É muito difícil. A maior parte das vezes, para não dizer sempre, treinamos a horas tardias, o que me obriga a uma rotina de me deitar por volta da uma da manhã e acordar às sete da manhã para ir para as aulas. No final da semana isso traduz-se num grande cansaço, nada desejável a uma atleta, que no fim de semana tem de estar no seu melhor para os momentos competitivos.

Como vê a evolução do desporto feminino em Portugal, nomeadamente o basquetebol?

Quanto ao basquetebol, parece-me que está a evoluir. As praticantes de hoje são mais competentes fisicamente o que lhes permite executar com muito mais facilidade. O nível de jogo das equipas seniores é superior comparado com o praticado há dez anos. Há bastante formação, há imensos cursos de treinadores e há muito talento nas equipas de formação, inclusivamente jovens com bastante altura. No entanto, há muitos jovens que decidem ir acabar a sua formação desportiva fora do país e depois com idade sénior não regressam para alimentar as equipas das nossas ligas, optando por desistir, abraçando a sua profissão ou para jogar em outras Ligas Europeias. Na minha opinião, isto deve-se à diferença de apoios que os clubes dão ao feminino e ao masculino. Muitas vezes no desporto feminino em Portugal a jogadora vê-se obrigada a acumular uma outra profissão, não sendo possível jogar basquetebol em exclusivo.

Mariana Silva

"Realçar as excelentes condições de trabalho que o Benfica nos oferece"

Considera que o Benfica tem realizado um bom trabalho no desenvolvimento do desporto feminino, nomeadamente nas modalidades de pavilhão?

Devo realçar as excelentes condições de trabalho que o Benfica nos oferece. Excelentes pavilhões, balneários, fisioterapia, ginásio, e um conjunto de staff que nos acompanha diariamente (manager, treinadores, preparador físico, seccionistas, psicólogo e nutricionista), algo ímpar no desporto em Portugal. Como atleta que está no Benfica há três anos, tenho constatado que o Clube tem vindo a melhorar os apoios às modalidades femininas.

Antes da paragem provocada pelo vírus, encontrava-se no top 3 das lançadoras mais eficazes nos lançamentos de 2 pontos. O que revela esse indicador?

Essencialmente, esse indicador revela que o meu trabalho diário tem dado resultados.

Neste momento a equipa de basquetebol encontra-se na 5.ª posição da Liga Feminina. Assumindo que o Campeonato será retomado, quais são os objetivos para esta última fase?

Primeiro, veremos se será retomado. Primeiro está a saúde! Todo o trabalho realizado até aqui foi para garantir um lugar nos oito primeiros e nós estamos lá! Agora é importante perceber que todas estas oito equipas podem vencer, trata-se de uma fase de eliminatórias. Quem errar menos irá avançar até à final. E, na final, tudo pode acontecer.

Mariana Silva

"Primeiro está a saúde!"

De que forma é que esta paragem pode afetar o rendimento de um atleta?

Naturalmente vai afetar todas as atletas e todas as equipas. Quem não treina não melhora, não mantém índices físicos, percentagens de lançamentos e até rotinas ofensivas e defensivas da equipa.

O que tem feito nestes dias de isolamento e que tipo de atividades mantém para não perder a forma?

Tenho estado de quarentena, como todos os portugueses, saio de casa apenas para passear o meu cão. Tenho estudado e tenho tido aulas online. Ao final do dia dedico cerca de quarenta e cinco minutos à manutenção da minha condição física geral.

Fotos: SL Benfica

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