Estádio das Amoreiras

1925/26 – 1939/40

O Estádio das Amoreiras foi a concretização de um sonho de 20 anos. Permitiu ao Benfica ter finalmente um "poiso certo".

Quando a Escola Normal começou a exigir, em 1920, a utilização dos terrenos da Quinta de Marrocos (local onde se situava o velho campo de Benfica), o Clube iniciou contactos para conseguir um espaço onde pudesse construir um campo atlético. Em 10/04/1921, uma vez mais por intermédio de Cosme Damião, o Benfica conseguiu um terreno onde se podiam erguer novas instalações desportivas. A Direção nomeada em 10/09/1921 teve tarefa de grande envergadura na preparação da transferência do parque de jogos para o terreno onde o Benfica havia de erguer uma obra notável para a época, embora não tivesse chegado a ficar concluída por completo - o Estádio das Amoreiras.

Houve que preparar tudo: plano (em face das necessidades impostas pelo ecletismo desportivo), projeto, estimativas e… Dinheiro! Tudo isto constituiu um processo complicado. Mas serviu, uma vez mais, para demonstrar o entusiasmo que o Benfica sempre empregou nas suas campanhas. A Direção projetou uma obra grandiosa, destinada ao futuro. O grande objetivo era conseguir pela primeira vez, no seio do Clube (que comemorara, em 28.2.1921, o 17.º aniversário), um espaço desportivo definitivo, isto é, que, de uma vez por todas, lhe pertencesse.


Para concretizar o sonho era indispensável arranjar dinheiro, tendo em conta o desejo de tudo ser feito com recursos próprios, à custa de espírito de sacrifício e de muito entusiasmo. Levou dois anos a preparar o "projeto" em que assentou a aquisição dos terrenos das Amoreiras e a construção do novo parque de jogos. A Assembleia Geral realizada em 04/02/1923 foi uma das mais importantes na nossa história. A Direção foi autorizada a realizar a emissão de 12 000 Obrigações hipotecárias, no valor de 1 200 contos, e de 5 000 Títulos de Propriedade, no valor individual de 200$00 (perfazendo, no total, 1 000 contos), para a construção do Estádio das Amoreiras e para a aquisição de terreno destinado a esse complexo. A compra do terreno, em excelentes condições de localização e preço, foi efetuada com a intervenção de Cosme Damião, que agregava, em simultâneo, as funções de vice-presidente da Direção do Clube e de empregado superior da Casa Palmela, proprietária dos terrenos.

À transação, seguiu-se a campanha de lançamento de Obrigações e Títulos de Propriedade. Foi uma obra larga de tenacidade e de entusiasmo. O custo do terreno foi de 451 077$50. As obras iniciaram-se em outubro de 1923. Seguiu-se a construção do Estádio, tendo a Direção contraído um empréstimo de 200 contos, destinado a acelerar o andamento das obras. Até 30/06/1924, os custos estimavam-se em 534 504$80. Um ano depois, em 30/06/1925, os valores eram já de 947 462$37.

Finalmente, após mais de dois anos de trabalho esgotante, em que foi necessário as direções fazerem um esforço gigantesco (e os associados corresponderem), o Benfica inaugurou, a 13/12/1925, um magnífico estádio. O sonho tornava-se realidade!

Depois do Estádio inaugurado, a Direção viu-se forçada, em 25/04/1926, a contrair novo empréstimo, agora de 100 contos. Com as instalações das Amoreiras gastou-se, até 30/06/1926, 1 480 666$60, incluindo o custo do terreno. O projeto contemplava, também, uma sede junto ao estádio, plano que nunca chegou a concretizar-se! Mas foi nas Amoreiras que o Benfica ressurgiu com a força que lhe iria permitir reencontrar os grandes êxitos. Em termos associativos, o clube possuía agora mais um núcleo na cidade, captando simpatias acrescidas numa área importante de Lisboa: Amoreiras/Campolide/Campo de Ourique. Iniciava-se, assim, um "triângulo vermelho" na Capital, com vértices em Benfica (sede), Baixa (secretaria) e Amoreiras (estádio).


Os primeiros anos foram de consolidação e, em 1929, dois acontecimentos marcaram as Amoreiras, o Benfica e o desporto português: a visita da consagrada equipa húngara do Ferencvaros, considerada uma das melhores da Europa (nas habituais digressões pelo continente europeu "arrasava" os adversários, incluindo em Portugal, onde goleara já alguns dos melhores clubes portugueses - Sporting e Belenenses, pelo mesmo resultado: 6-0). Em 06/01/1929, perante uma multidão que constituiu recorde de receita em jogos realizados no nosso País, o Benfica venceu o Ferencvaros por 1-0 (considerado, durante muitos anos, o "melhor resultado do futebol português" - é que, depois, os húngaros ainda venceram, mesmo após viagens extenuantes, o V. Setúbal, por 4-1, e o FC Porto, por 5-3). O resultado reavivou os grandes feitos do Benfica em jogos com emblemas internacionais.

Por ocasião da festa comemorativa das "Bodas de Prata" do SLB, realizada no Estádio das Amoreiras, em 31/03/1929, efetuou-se uma grande parada atlética, com a participação de meio milhar de atletas de todas as modalidades, incluindo de algumas filiais. Pelo terreno das Amoreiras passou o que havia de melhor, ou de mais prometedor, entre os inúmeros atletas do Clube, que desfilaram perante as bancadas cheias de público.


Foi durante a permanência nas Amoreiras que o Benfica conquistou os primeiros títulos nacionais: 3 Campeonatos de Portugal (a prova que antecedeu a Taça de Portugal) e o Tricampeonato da I Liga (35/36, 36/37 e 37/38) - competição que depois se viria a designar de I Divisão e, mais tarde (já nos anos 90), novamente de I Liga.

Durante este período (1925-1940), o Benfica conquistou ainda uma Taça de Portugal e dois Campeonatos Regionais. Houve grandes jogos nas Amoreiras, com destaque (além da já referida vitória sobre o Ferencvaros), para o 13-1 ao Casa Pia (no Regional de Lisboa), o 6-0 ao FC Porto (na 2.ª mão das ½ finais da Taça de Portugal, recuperando (!) de uma derrota de 1-6 na 1.ª mão), e a vitória por 5-0 sobre Sporting, que permitiu a conquista do 10.º regional de Lisboa, em 39/40.


Em 1936, chegou a pensar-se na conclusão do projeto que consistia no melhoramento e aumento das bancadas para 20 000 pessoas, bem como na construção de uma piscina. Junto ao campo de jogos, existia o campo de basquetebol e dois "courts" de ténis. No verão de 1937, fizeram-se obras para melhorar o piso e facilitar o sistema de drenagem. Em 1939, porém, começam as preocupações com o estádio das Amoreiras:
a Direção do clube é informada de que o ministro Eng.º Duarte Pacheco não prescinde de promover rapidamente a construção de uma autoestrada pelo traçado escolhido (que implica a inutilização da bancada do peão) e do propósito de atirar os campos desportivos para fora do perímetro interno da cidade. O Benfica tinha, então, de sair das Amoreiras e, provisoriamente, instalar-se no Campo Grande, enquanto a Câmara Municipal de Lisboa não construísse três estádios no Parque Florestal de Monsanto para os três principais clubes da capital.

A indemnização oferecida ao Benfica foi de 600 contos, valor que este contestou, conseguindo elevar o montante em cerca de 33 por cento (800 contos). Foi já sob o estigma do abandono que o Benfica promoveu, nas Amoreiras, em 23/07/1939, um grande almoço de homenagem aos campeões do Clube. Em 1940, dois momentos marcaram a despedida deste Campo: a festa comemorativa do 36.º aniversário (realizada no dia 7 de Abril) e que significou o adeus ao Campo; e a disputa do último jogo (23 de Junho) - um encontro a contar para a 1.ª Mão das meias-finais na Taça de Portugal, com o Barreirense (vitória do Benfica, por 5-2).

Atualmente, nos terrenos onde esteve o campo e instalações desportivas está o Liceu Francês e a Avenida Eng.º Duarte Pacheco. Em finais de 1940, o Benfica abandonou as Amoreiras, deixando no local apenas uma delegação. Afinal, o sonho de ter campo privado tornara-se realidade somente durante algum tempo. Após 15 anos de morada fixa, o Benfica regressava a um campo provisório, sendo "obrigado" a arrendar um espaço à CML. Para trás ficava o mítico Estádio das Amoreiras, local onde a mística muito se reforçou.

Foi nas Amoreiras que o Benfica conquistou os primeiros títulos nacionais: 3 Campeonatos de Portugal (prova que antecedeu a Taça de Portugal) e o Tricampeonato (35/36, 36/37 e 37/38)

Estádio das Amoreiras - Características

Nome:
Estádio das Amoreiras

Localização:
Em Campolide, no troço Norte (lado esquerdo) da Rua das Amoreiras. Confinava a Sul com as instalações da Carris, a Norte com as traseiras dos prédios da Rua do Arco do Carvalhão, a Este com a Rua das Amoreiras, onde estava a entrada, no n.º 135, e a Oeste com o Aqueduto das Águas Livres

Datas de Posse:
Entre 04/02/1923 e finais de 1940

Situação Atual:
Instalações do Liceu Francês e Av. Eng.º Duarte Pacheco, entre o Liceu Francês e o CC Amoreiras

Tipo de Propriedade:
Propriedade do Clube

Valor Aproximado:
1 480 666$60 (incluindo o custo do terreno, de 451 077$50).

Data de Inauguração e 1º Jogo:
13/12/1925, num jogo para o Regional de Lisboa, com o Casa Pia AC

Data do Último Jogo:
23/06/1940, para a Taça de Portugal, com o CF Barreirense

Outras Instalações:
Dois "courts" de Ténis Campo de basquetebol

Motivo do Abandono:
Expropriação pelo Ministério das Obras Públicas, para a construção da auto-estrada de acesso ao Viaduto de Monsanto, atualmente com o nome do Ministro Eng.º Duarte Pacheco (indemnização de 800 000$00)

Data Resultado Observações
06/01/1929 1 - SL Benfica
0 - Ferencvaros TC
O Benfica foi o único clube vencedor dos húngaros, que na sua digressão golearam os melhores clubes portugueses.
05/12/1937 13 - SL Benfica
1 - Casa Pia AC
Grande Goleada.
18/06/1939 6 - SL Benfica
1 - Porto
Grande recuperação na 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, após D 1-6 no Porto, na 1.ª mão.
03/02/1939 5 - SL Benfica
1 - Sporting CP
Conquista do 10.º Campeonato Regional de Lisboa.


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