6 de fevereiro de 2016, 15h51

Eterno Eusébio

História

A grande referência do Sport Lisboa e Benfica faleceu aos 71 anos. Para a história ficam as grandes conquistas de águia ao peito e o lado humano de Eusébio.

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Eusébio da Silva Ferreira deixou o Sport Lisboa e Benfica e o Futebol português órfãos no dia 5 de janeiro de 2014. Com um brilhante e interminável percurso profissional, marcado por um inquietante jeito para praticar o desporto-rei, o Pantera Negra ultrapassou fronteiras. 

Reconhecido em qualquer ponto do planeta, a Glória Benfiquista teve concessão de honras de Panteão Nacional no dia 3 de julho de 2015, tal como já tinha acontecido anteriormente com 11 personalidades nacionais. 

Foi a primeira vez que um desportista mereceu tal cerimónia, o que demonstra bem toda a importância que teve em levar o nome de Portugal ao mais alto nível.
Antes da cerimónia final, houve um cortejo pelas principais artérias de Lisboa. Tudo começou no Cemitério do Lumiar. Seguiu-se uma missa no Seminário da Luz, onde estiveram a família, amigos e vários convidados, com os Órgãos Sociais do Benfica a marcarem presença, liderados pelo presidente do Clube, Luís Filipe Vieira.

A viagem até à última morada continuou e um dos pontos altos foi a paragem no Estádio da Luz. Ao som do Hino do Sport Lisboa e Benfica, milhares de Benfiquistas aplaudiram e viveram um momento de grande emoção. O cortejo entrou depois na Segunda Circular, passou pelo Campo Grande, Avenida da República, Saldanha e Marquês de Pombal, onde deu volta ao Parque Eduardo VII e parou junto à bandeira nacional. A urna foi então transferida para uma charrete com o Pantera Negra a ser escoltado por uma Guarda Real, constituída por 54 cavaleiros.

Eusébio

O percurso passou seguidamente pela Federação Portuguesa de Futebol, onde numa lona gigante se lia "Os génios vivem para sempre". Seguiu-se nova breve paragem, agora pelo Parlamento, antes da chegada ao campo de Santa Clara. Cumprido todo o protocolo, a chegada dos restos mortais ao Panteão Nacional aconteceu às 19h00, onde se encontravam personalidades de todos os quadrantes.

O Hino Nacional foi interpretado de forma única pela cantora Dulce Pontes, abrindo a cerimónia oficial.

“Eusébio foi o primeiro desportista a ter honras de Panteão”

Discurso memorável

António Simões, Glória do SL Benfica, o ”irmão branco de Eusébio”, tomou da palavra para o elogio fúnebre, um momento emocionante e carregado de simbolismo. “Disputo o desafio mais emocionante da minha vida junto a Eusébio. Um desafio que diz vitória, troféu e glória. Não estou a disputar a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus ou uma meia-final de um Mundial, estou a homenagear um amigo único, um companheiro inesquecível, um ser humano admirável, o maior e o melhor desportista português de todos os tempos”, afirmou.

No seu discurso, a António Simões lembrou que o Pantera Negra foi determinante na forma como os outros países passaram a olhar para o nosso País. “Eusébio, o maior herói popular do século XX português, fez com que o mundo olhasse para um Portugal ostracizado a nível internacional por teimosia política, como um País suscetível de ser credor de respeito. Fazê-lo repousar ao pé de grandes figuras da nossa pátria, é um ato de maior justiça”, sublinhou.

A cerimónia contou ainda com os discursos marcantes de Maria Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, e de Aníbal Cavaco Silva, presidente da Assembleia da República.

Já o cantor Rui Veloso surgiu vestido de branco para celebrar a vida do King, interpretando duas canções: “Nunca me esqueci de ti” e “Irmã África”.

Houve ainda a projeção de um vídeo evocativo do Pantera Negra e a assinatura do Termo de Sepultura no Panteão Nacional. Depois das assinaturas foi tocado o Hino Nacional pela Banda da Guarda Nacional Republicana (GNR). No final, a urna foi transportada para o interior do Panteão Nacional, num momento de verdadeira emoção.

Os números

Eusébio da Silva Ferreira nasceu em 25 de Janeiro de 1942. Foi o quarto filho do casal Laurindo António da Silva Ferreira e de Elisa Anissabene, nascido no popular bairro de Mafalala, na zona pobre de Xipamanine, na capital moçambicana Lourenço Marques, então colónia africana portuguesa.

Numa família numerosa, com sete irmãos - cinco do primeiro casamento e mais três da mãe e padrasto - Eusébio cedo despertou para o futebol com bola trapeira nas peladas da Mafalala, de manhã à noite até que a luz o permitisse.

Veio para Lisboa em dezembro de 1960 e fez a estreia pela Reserva a 23 de maio de 1961. Sagrou-se Campeão Nacional pela 1.ª vez em junho desse ano.

O Pantera Negra conseguiu proezas extraordinárias a nível individual, contribuindo para o sucesso das equipas que integrava (35 troféus no total). Em 614 jogos pelo Benfica marcou 638 golos, ou seja, em média mais de um golo por jogo. 

No Campeonato Nacional, em 301 jornadas marcou 317 golos (2.º melhor marcador de sempre).

Na Taça de Portugal, em 61 jogos marcou 98 golos (melhor marcador de sempre). Na Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 64 jogos obteve 46 golos.

Eusébio esteve 15 temporadas – 1960/61 a 1974/75 – ao serviço do SL Benfica, 14 delas completas, tendo sido três vezes o melhor marcador da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Conquistou também duas botas de ouro e uma bola de ouro.


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