Futebol

16 outubro 2017, 14h37

Entre as paredes da história, há sempre pontos de inspiração. Para o Benfica, que na quarta-feira joga com o Manchester United no Estádio da Luz, a noite de 7 de dezembro de 2005, marcante nos 14 anos de vida que o recinto comemora a 25 de outubro, é um deles.

E é mesmo o mais forte na retrospetiva particular que aqui se desembrulha: naquela data, numa partida da fase de grupos da Liga dos Campeões, a equipa benfiquista deu literalmente a volta ao colosso inglês (2-1), deixando-o para trás. “Foi um jogão! Nesse dia o Manchester United sentiu a força do Benfica”, recorda Geovanni, o atacante brasileiro que iniciou a virada das águias, em entrevista ao Site Oficial do SL Benfica.

Graças a esse triunfo – o único do historial do Benfica nos duelos com o Manchester United – na última jornada da fase de grupos da Champions League, as águias ficaram em segundo lugar no Grupo D (que foi ganho pelo Villarreal, com mais dois pontos) e avançaram para os oitavos de final da competição.

A noite foi épica e gloriosa para os encarnados, mas começou tremida para os seus interesses. Aos 6’, Rooney, descaído para a direita, colocou a bola em Giggs no espaço central. O galês, sem grandes cerimónias e visão apurada, percebeu a intenção de Gary Neville no flanco direito e serviu-o com um passe perfeito; o lateral, livre de marcação, cruzou com o melhor pé para onde quis, aparecendo Paul Scholes, igualmente solto, a tocar para a baliza ao segundo poste.

Benfica-Manchester United

Fê-lo de forma meio embrulhada e Quim ainda se estirou para evitar o dano, mas o esférico, tocado por Scholes, transporia mesmo a linha de golo.

A resposta foi dada na raça, mas com um toque de classe. Petit, sobre o eixo da intermediária, desarmou Van Nistelrooy; a bola sobrou para os pés de Nuno Assis, que avançou uns metros, temporizou e virou o jogo para a esquerda.

Geovanni recebeu, derivou para o meio e alargou a ofensiva com um passe para o flanco direito. Nélson recolheu o esférico e, com O’Shea pela frente, cruzou para a entrada da pequena área, onde Geovanni, em salto de peixe, tocou de cabeça para as redes: 1-1 aos 16 minutos.

Antes do intervalo, o 2-1: numa bola devolvida pela defensiva do United após cruzamento executado por Nélson no lado direito, Beto pensou apenas uma vez e arriscou o remate (34’).

Benfica-Manchester United

O esférico sofreu um pequeno desvio no corpo de um adversário, o suficiente para que aquele disparo se tornasse indefensável, mesmo se na baliza estava Van der Sar, um dos melhores guarda-redes do mundo naquele tempo.

Sólido, o Benfica guardou a vantagem e conseguiu o único resultado que lhe servia.

Benfica-Manchester United 

Até ao derradeiro apito do grego Kyros Vassaras, o facto mais saliente foi um atrito entre Cristiano Ronaldo, no momento da sua substituição (67’), e os adeptos do Benfica, que, nas bancadas, puxavam energicamente pela equipa então orientada por Ronald Koeman e em nenhum momento se poupavam.

FICHA DE JOGO

Benfica 2, Manchester United 1

7 de dezembro de 2005

Estádio da Luz

Árbitro: Kyros Vassaras (Grécia).

Benfica: Quim; Alcides, Luisão, Anderson e Leo (Ricardo Rocha, 90’); Petit, Beto e Nuno Assis (João Pereira, 73’); Nélson, Geovanni (Mantorras, 80’) e Nuno Gomes.

Treinador: Ronald Koeman.

Suplentes não utilizados: Rui Nereu, Manuel dos Santos, Bruno Aguiar e Hélio Roque.

Manchester United: Van der Sar; Gary Neville, Ferdinand, Silvestre e O’Shea (Richardson, 86’); Scholes, Alan Smith e Giggs (Saha, 61’); Wayne Rooney, Van Nistelrooy e Cristiano Ronaldo (Ji-Sung Park, 67’).

Treinador: Alex Ferguson.

Suplentes não utilizados: Tim Howard, Bardsley, Brown e Fletcher.

Golos: Scholes (6’), Geovanni (16’) e Beto (34’).

Cartões amarelos: Beto (18’), Petit (65’), Cristiano Ronaldo (23’), Geovanni (44’), Petit (65’), Gary Neville (86’), Rio Ferdinad (90’).

Cartões vermelhos: nada a assinalar.

 

Texto: João Sanches

Última atualização: 23 de outubro de 2017

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