SAD

22 dezembro 2017, 23h00

Bandeira do Benfica

Tal como anunciado no comunicado de dia 18 de dezembro, publicado no Site Oficial do Clube, em que Sport Lisboa e Benfica declarava que, “para todos os efeitos legais, irá responsabilizar todos aqueles que continuam a difundir informação confidencial sua e, ainda, aqueles que, através das hiperligações já publicadas ou outras que venham a ser publicadas, obtenham e acedam ao conteúdo dessa informação confidencial”, o Clube começou já a tomar medidas nesse sentido. Como? Através de uma comunicação dirigida a todos os que têm levado a cabo os crimes acima configurados.

Existem internamente no Benfica mecanismos de averiguação e deteção, através de meios próprios da informática, para apurar quem é que acedeu aos emails do Benfica. O Clube não violou lei alguma. Se me enviar um email com registo de que foi recebido, obviamente que fica a saber que já recebi o email… Ao abrirem o email, tal repercute-se no sistema informático do Benfica e o Benfica fica a saber que essas pessoas abriram o email. É espontâneo. Não há aqui nenhuma ilicitude nem nada de extravagante”, aclarou João Correia, porta-voz da equipa de advogados do Benfica, na noite de sexta-feira, entrevistado no “Jornal da Noite”, da SIC, e na “Edição da Noite”, da SIC Notícias.

João Correia

“Violação da vida privada das pessoas? O Benfica não teve de violar nada. A vida privada do Benfica é que foi violada, sim; invasão do espaço informático do Benfica, sim; apreensão desses emails, também; e ofensas à pessoa coletiva que o Benfica é. Temos aqui em cascata a prática de crimes completamente diferentes”, acrescentou o causídico.

As pessoas que descarregaram, acederam e divulgaram os emails praticaram um crime, como tal o Benfica foi atingido na sua esfera privada por essas pessoas. O Clube reage em legítima defesa. O Benfica é alvo de sistemáticos, reiterados e dolosos ataques informáticos que atingem a sua privacidade. O Benfica é ofendido e, na qualidade de ofendido, pode participar a quem tem os emails de agressão. Essa comunicação foi feita. O Benfica está a ser agredido, como tal defende-se. É uma comunicação de que está a ser agredido. O Benfica vai atacar todos aqueles que se apoderaram do seu sistema informático”, revelou e vincou o porta-voz da equipa de advogados das águias.

João Correia explicou, juridicamente falando, o que importa apurar em toda esta temática.

“Juridicamente falando, não interessa se os emails existem ou não, se estão truncados, se são ou não verdadeiros… O que verdadeiramente tem importância, e a única questão que tem de ser apurada, é se, da parte do Benfica, surgiu algum momento de violação das regras básicas do fair play desportivo, se corrompeu ou não corrompeu alguém, se intimou, se pressionou, se sugeriu ou influenciou… Essa é que é a questão e não se os emails existem ou não. Juridicamente falando, e para efeitos jurídicos e criminais, o que interessa é saber se o Benfica corrompeu ou não corrompeu alguém. Algum dirigente do Benfica, algum responsável influenciou a arbitragem no sentido de ser beneficiado? Então nessa altura o Benfica é responsável, mas isso tem de ser provado”, disse de forma taxativa.

Não existe nenhum contacto entre qualquer dirigente ou responsável do Benfica e um árbitro. E ainda bem que se investiga. Temos uma serena expectativa acerca dos resultados. Não há suspeitas, há quem tenha divulgado suspeitas de forma reiterada e sistemática, com finalidades económicas, desportivas, corporativas e é essa a finalidade desta campanha”, esclareceu, acrescentando que “o Benfica está em constante e sistemática colaboração ativa com os meios de investigação criminal”. “O Benfica não está paralisado”, salientou.

“Toda esta campanha surda, dolosa, sistemática e reiterada contraria o sentimento normal do Clube. Tudo vai ser esclarecido no momento próprio, na sede própria, quando processualmente se atingir o resultado”, elucidou.

“De tudo o que eu conheço, de que tudo o que li e que me foi dado a conhecer, posso assegurar que nisto tudo não há um momento de corrupção ou tráfico de influência. Zero!”, enfatizou João Correia.

João Correia

O porta-voz da equipa de advogados fez questão de mais uma vez realçar a inércia da Justiça perante toda a gravidade do que se tem passado, destacando a total impunidade num Estado de Direito.

“O Benfica age pelos meios próprios, é uma questão de disciplina e método. O Benfica participou criminalmente logo em abril e foi participando semanalmente a prática de crimes que eram anunciados todas as semanas. Veja o ridículo em que este País caiu. Na terça-feira era anunciado que na terça-feira seguinte se iriam praticar crimes e o Benfica participava isso e pedia ao Ministério Público para estancar essa hemorragia… o Ministério Público nada fazia. Na terça-feira seguinte voltava-se a participar e pedia-se ao Ministério Público para estancar a hemorragia… o Ministério Público nada fazia. Até que chegámos ao ponto de participar à senhora Procuradora-Geral da República e esta remeteu para onde quis e lhe apeteceu. Perante a inação dos meios de investigação criminal, o Benfica participou sempre, mas o Benfica não pára o vento com as mãos”, afirmou.

Voltando à temática dos emails…

Não interessa se os emails são verdadeiros ou falsos. O que está aqui em causa e que interessa é se há ou não corrupção. Se eu o induzo a influenciar um árbitro no sentido de beneficiar do Benfica, eu cometo um crime de corrupção ou tráfico de influência. Aí sim! O Benfica tem de ser castigado! Tem de se provar que o Benfica interveio por si ou através de interposta pessoa nesse sentido. Vamos prová-lo! Desses emails resultou um ato de corrupção? Resultou tráfico de influências? Resultou alguma pressão ilícita sobre um agente desportivo para beneficiar o Benfica? Então nessa altura o Benfica tem de ser castigado! Sejamos claros! Se não resultou, então toda esta campanha tem outra finalidade que não a verdade desportiva”, elucidou João Correia.

O Benfica está profundamente magoado, está a ser fortemente agredido, batido em sintonia por dois dos principais clubes rivais casados nesta finalidade, segundo um regime um pouco patético. É perfeitamente legítimo que o Benfica se sinta melindrado, agredido e até fragilizado. O Benfica está fragilizado, mas está também muito revoltado e com muita força. O Benfica tem uma fortíssima diáspora, uma fortíssima representatividade e é provável que essa diáspora se revolte contra tudo isto, contra todas esta imputações, agressões e falsidades. A diáspora está a ser informada e muito provavelmente vai reagir”, afiançou o porta-voz da equipa de advogados do Sport Lisboa e Benfica.

A fechar, João Correia desafiou: “Se se provar e verificar que esta campanha, montada ao longo destes últimos meses, nada mais foi do que querer atingir e fustigar o Benfica para que este não ganhasse títulos e não fosse Pentacampeão, todos os que fizeram isto têm de ser fortemente punidos! As instâncias desportivas vão ser chamadas novamente à pedra para ver se têm coragem de punir quem inventou tudo isto, fustigou e quis debilitar o Benfica. Tudo isto tem de ser feito.”

"Portugal é hoje um paraíso para o cibercrime"

Este sábado, em entrevista ao Jornal SOL, João Correia vincou as ideias transmitidas nas duas entrevistas acima expressas e destacou a passividade da Justiça Portuguesa em todo o processo.

“Todas as terças anunciavam (Porto Canal) que iam praticar um crime na semana a seguir. O Ministério Público (MP) e a Polícia Judiciária (PJ) eram alertados pelo Benfica e mantiveram-se inertes. A Procuradora-Geral da República (PGR) foi avisada. A PGR devia pelo menos ter comunicado que tinha tomado atitudes, pelo menos a nós que somos assistentes nos processos-crime. E devia acima de tudo prevenir a prática de crimes, agindo de forma a que os crimes não se consumassem. Foram oito meses”, afirmou.

Se não houve uma atitude proativa do MP na divulgação dos emails, acredita que vai haver na investigação dos ataques informáticos?

“Vai haver, mas, conhecendo eu como conheço o MP, com os ataques que nós lhe temos movido, o MP não vai deixar de acusar o Benfica. Não tenho nenhuma informação, como o Benfica tem atacado de forma agreste, ácida o MP, ele não vai ficar quieto, quase de certeza que há de inventar uma acusação contra o Benfica para justificar até a prática da comunicação social e a omissão do MP”, respondeu de forma taxativa e acrescentou…

“O MP age sem rigor e isenção, não sei se por vingança. Pode, aliás, agir sem rigor e sem isenção, mas não é sempre. Não posso generalizar e dizer o MP. Em alguns casos que eu conheço, o MP age fora do princípio da legalidade. Não podemos generalizar, são alguns magistrados…”, disse.

O porta-voz da equipa de advogados do Benfica vincou que esta campanha vai contra a cultura do próprio Benfica e que os Benfiquistas estão revoltados.

“O cidadão comum está neste momento a ser influenciado, a ser informado da existência de emails, da existência de coação, de corrupção, de atividade ilícita por parte do Benfica mesmo que seja falso. De tal modo tudo é propalado, declarado fora de todos os contextos e de análise rigorosa objetiva de tudo o que se passou, por parte dos comentadores e dos órgãos de comunicação social em geral, que aquilo existe é a coação para as pessoas acreditarem. Falo com muitos benfiquistas, sportinguistas e portistas – de resto tenho amigos em todo o lado – e estão na plena convicção dessas coisas. Alguns benfiquistas estão revoltados porque isso não faz parte da cultura do Benfica. Há dois tipos de revolta: a devassa da vida privada do Benfica e do outro lado põem em dúvida se é ou não uma cabala”, afirmou.

Isto é uma espécie de Daesh informático e isto não pode continuar, não podemos continuar a ser o paraíso para quem quer fazer ataques cibernéticos. Portugal é hoje um paraíso para o cibercrime. Nós temos belíssimos investigadores informáticos, temos pessoas muitos boas, mesmo na PJ. Aconteceu-lhes a eles [roubo de emails a elementos da PJ], como aconteceu ao Benfica. Só que o Benfica é a maior instituição nacional, não nos podemos esquecer disso. O Benfica tem representação afetiva e formal em quase todo o mundo, não se pode brincar nem tentar destruir a imagem do Benfica”, concluiu ao SOL João Correia.

Texto: Sónia Antunes

Fotos: Arquivo / SL Benfica

Notícia atualizada às 18h00 de dia 23 de dezembro de 2017

Última atualização: 7 de fevereiro de 2019

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