25 de abril de 2019, 13h51

Telma Monteiro: “O objetivo maior é o apuramento para os Jogos Olímpicos”

Judo

A propósito da entrega do Prémio CNID de Atleta do Ano 2017 à nossa judoca, o jornal “O Benfica” esteve à conversa com a medalhada olímpica e registou o tão aguardado momento.

Questionada, em entrevista ao jornal “O Benfica”, sobre os objetivos que se avizinham, Telma Monteiro, depois de receber o prémio ganho em 2017 (Atleta do Ano), perspetivou as próximas provas e fez um balanço da época.

Qual a importância de receber um prémio como este, o de Atleta do Ano CNID?

Tem uma grande importância, pois é bom quando vemos o nosso trabalho reconhecido, ainda para mais pela comunidade jornalística, porque acompanham de uma forma diferente o nosso desporto. Numa visão mais alargada, quais é que são os próximos grandes objetivos e quais as provas que se avizinham? O objetivo maior é o apuramento para os Jogos Olímpicos, e está relacionado com os resultados que tenho de ter nas competições em que vou participar, até maio do próximo ano. O objetivo mais recente será o Grand Slam de Baku, que é mais uma competição a contar para o apuramento olímpico, e o Campeonato da Europa, que vai ser inserido nos Jogos Europeus, a acontecer em junho.

A Telma vai estar a participar no Grand Slam de Baku, a realizar-se agora em maio. Quais as expectativas?

As expectativas são sempre as mesmas: conseguir subir ao pódio, conseguir o máximo de pontos possível para a qualificação olímpica.

Recentemente esteve em estágio no Japão (país de origem do judo), como é que correram os treinos?

Correu bastante bem a passagem pelo Japão. Foram duas semanas e estive em duas universidades diferentes. Ir ao Japão é sempre bom porque posso treinar com atletas de um nível muito elevado, mas que não participam diretamente nas competições a que eu vou, pois só podem ir duas judocas, no máximo, por país. E, portanto, regressei com a sensação de que fiz um bom trabalho e que estou num bom caminho.

Telma Monteiro

Este é um ano que antecede os Jogos Olímpicos. Quais as previsões e expectativas para a qualificação?

Tenho como expectativas conseguir apurar-me. Vão ser os meus quintos Jogos Olímpicos. O objetivo passa por conseguir fazer uma boa classificação, aproveitar para estudar as adversárias que possivelmente vão estar em Tóquio, e assim que terminar a qualificação quero focar-me e fazer uma boa preparação para os Jogos Olímpicos, para estar em condições de fazer uma boa competição.

Esta talvez tenha sido uma temporada marcada por obstáculos, e até esteve doente, o que não permitiu participar numa prova (Grand Slam de Dusseldorf). Como tem lidado com estas situações?

Tenho tido alguns contratempos. Neste ano era para ter participado no Grand Slam, na Alemanha, mas não o fiz porque estive doente… Mas ainda há muitas competições, portanto eu estou bastante positiva. Eu estou habituada a ganhar, e isso não tem acontecido, pelo menos não tenho subido ao pódio como estou habituada, mas faz parte da carreira de um atleta, também, saber dar a volta às situações menos boas, e lidar com elas… O mais importante é continuar a trabalhar e manter a confiança.

Uma nova medalha olímpica em 2020 de Telma será uma meta alcançável?

Sem dúvida que é uma meta alcançável. Acho que esse é sempre o meu objetivo, e é para isso que eu me esforço e trabalho diariamente.

Telma Monteiro - prémio CNID

Como vê a inclusão no Clube das judocas Bárbara Timo e Rochele Nunes, que já afirmaram que veem a Telma como uma grande referência?

A inclusão delas foi uma mais-valia para nós, para o Clube e, também, para a seleção nacional. Acho que foi algo que funcionou muito bem, até porque foi uma oportunidade para elas, uma oportunidade para lutarem pelo objetivo e pelo sonho delas, que é estar nos Jogos Olímpicos, e por outro lado eram duas categorias de peso que nós ainda não tínhamos, nem no Clube nem na seleção, e que são importantes para eventualmente disputarmos uns Jogos Olímpicos de equipas. Portanto são duas judocas com muito valor e têm demonstrado isso mesmo. Considero que a vinda delas foi algo que desde o seu início está a ter muito sucesso, e já têm muitos pontos na qualificação e bastantes medalhas. São duas atletas que dão muito bom ambiente à equipa e espírito, e são bastante competitivas. É disso que nós precisamos.

A Telma é a melhor judoca lusa de todos os tempos… é uma forte inspiração, e recentemente foi feita uma homenagem por parte do Benfica, que criou uma prova com o seu nome. Qual foi o sentimento deste reconhecimento?

Senti-me muito orgulhosa, é um feito que se alcança quando já temos uma bagagem muito importante na carreira. Quando já temos um percurso que não é só ganhar muitas medalhas, mas também pela forma como as ganhamos. Já estou no Benfica há 12 anos, e é bastante gratificante sentir este carinho e reconhecimento. É um marco bastante importante na minha carreira ter uma competição com o meu nome.

Texto e entrevista: Carolina Brito

Fotos: Catia Luís / SL Benfica

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