22 de setembro de 2018, 10h12

Jardel: um Guerreiro no comando

Futebol

Veste o Manto Sagrado desde janeiro de 2011. Com uma fibra impagável, ultrapassou, subiu a pulso, transformou-se num pilar, marcou golos de ouro e, envergando agora a braçadeira de capitão, renovou contrato e já está já lançado para os 250 jogos.

Se tiver de partir, parte, torcer é que nunca! Jardel, que acaba de renovar contrato, é assim. O Guerreiro da Luz, como carinhosamente o tratam os adeptos do Benfica, veste o Manto Sagrado desde janeiro de 2011.

Absorvendo os melhores ensinamentos de centrais de gabarito e líderes como Luisão e Garay, escalou a pulso no Clube pelo qual é “apaixonado”, está já lançado para atingir os 250 jogos e, envergando a braçadeira de capitão, é um pilar, uma unidade de comando.

A capacidade de liderança, aliás, foi determinante para Jardel ser conduzido ao grupo dos capitães no defeso de 2015, precisamente antes do começo de uma temporada que viria a ser relevante e até emblemática no seu percurso ascensional no Benfica. A paragem de Luisão (fraturou um braço em 21 de novembro) criou um contexto de exigência e de necessidade de resposta imediata por parte de Jardel, que rapidamente se confirmou como elemento basilar na linha recuada da equipa que haveria de finalizar 2015/16 a festejar o Tricampeonato.

Jardel

No dia 25 de novembro de 2015, em Astana, o Benfica encarou a 5.ª jornada na fase de grupos da Liga dos Campeões e foi Jardel quem, pela primeira vez nessa temporada, capitaneou a equipa. As águias empataram 2-2 e validaram matematicamente o apuramento para os oitavos de final da Champions.

Jardel fechou a época com quase 4000 minutos nas pernas fruto da participação em 44 encontros.

É muito especial poder usar a braçadeira de capitão, representando este emblema. Não imaginava isto nem nos meus sonhos. Não é fácil representar um clube com a grandeza do Benfica”, comentou recentemente o central em entrevista à página oficial da UEFA.

Jardel

A primeira ultrapassagem pela esquerda

As primeiras linhas da história de Jardel no Benfica começaram a ser grafadas no inverno de 2011. O central representava então o Olhanense (I Liga), o segundo emblema que serviu em Portugal (o primeiro foi o Estoril, um ano antes, na II Liga). Em janeiro, foi contratado pelas águias, que, ainda antes do encerramento da janela de transferências, veriam David Luiz ser recrutado na Luz pelo Chelsea.

No dia 30 de janeiro de 2011, a estreia oficial de Jardel com o Manto Sagrado. Com uma exibição serena ao lado de Sidnei, tomou parte na vitória dos encarnados por 0-4 em casa do Aves na Taça da Liga, totalizando 90 minutos de competição.

Jardel

Volvido menos de um mês, o primeiro jogo no onze inicial das águias no Campeonato. Foi a 27 de fevereiro, na 21.ª jornada da prova, frente ao Marítimo, e fez dupla com Luisão no triunfo por 2-1. Iniciava então a ultrapassagem a Sidnei na esquerda do eixo defensivo.

Capitalizando presenças na equipa logo nos primeiros meses na Luz, Jardel entrou no alinhamento do Benfica no duelo com o PSV relativo à primeira mão dos quartos de final da Liga Europa. Fez os 90 minutos na noite de estreia na UEFA (7 de abril de 2011) tendo novamente Luisão como parceiro.

Na ronda uefeira seguinte, Jardel acrescentou a coluna dos golos à sua ficha no Benfica: marcou ao Braga na primeira mão das meias-finais da Liga Europa (triunfo por 2-1 na Catedral).

Jardel

Fibra à prova de choques

Pela camisola do Benfica, tudo. À flor do relvado, onde cada lance é encarado como um jogo dentro do próprio jogo (para ganhar, sempre!), nenhum esforço pode ser adiado. Nestas palavras vemos a imagem construída por Jardel no Clube.

Os exemplos de sacrifício do central em nome dos interesses e dos objetivos do coletivo são variados e antigos. Aliás, têm praticamente tanto tempo como o jogador tem de casa. Na noite de 21 de fevereiro de 2011, saltou para o interior das quatro linhas no tempo de compensação da primeira parte do Sporting-Benfica. Era preciso reparar o rombo causado pela expulsão de Sidnei e Jardel correspondeu. Num dérbi intenso e disputado, o luso-brasileiro foi protagonista de um choque que lhe deixou marca na cabeça (uma dezena de pontos, segundo os relatos daquela altura).

Jardel lesionou-se, podia ter saído, mas não quis; encerrou a atuação no Estádio José Alvalade com a cabeça ligada e festejou a sua primeira vitória (0-2) num mano a mano com o histórico rival.

Jardel

Entre os diversos episódios de combatividade e tenacidade, o mais exemplar do Guerreiro da Luz terá sido o vivido no Benfica-V. Guimarães da 20.ª jornada do Campeonato 2013/14.

"Essa partida foi uma guerra. Tive um choque muito forte, não sabia da gravidade do corte. No intervalo fui ao espelho para ver o corte e não me deixaram, porque se visse a gravidade do corte, possivelmente, não voltava. Não me deixaram e voltei. O sangue não estancava, mas fiz o jogo todo. Fiquei feliz por ter feito o jogo todo e por termos saído com a vitória", contou Jardel em entrevista à BTV depois de completar 200 jogos pelas águias, recordando o sucedido na noite de 24 de fevereiro na Catedral.

Um choque involuntário com Enzo Pérez, logo nos instantes iniciais do encontro com os vimaranenses, expôs a fibra e o perfil do camisola 33 do Benfica. Foi assistido várias vezes ao longo do desafio e fez sempre questão de continuar, desvalorizando uma ferida profunda que implicaria uma sutura com cerca de 20 pontos.

Jardel

Teve de usar uma touca na cabeça para segurar a ligadura e estancar o sangue, mas isso, para Jardel, foi apenas um pormenor. Fundamental era cumprir a missão que lhe fora destinada naquela noite. Todos lhe deram os parabéns pela impagável bravura que define um líder.

Depois dessa noite, Jardel teve de parar. Só regressaria à competição a 7 de abril, diante do Rio Ave, na Catedral, mas fê-lo utilizando uma máscara protetora.

"Fico feliz quando me chamam Guerreiro da Luz. É uma alcunha carinhosa e dá-me motivação. Trabalho cada dia no meu limite para estar sempre bem e representar o Benfica no topo", afirmou o atleta à BTV em fevereiro de 2018.

Jardel e Luisão

Sucessos no Benfica

TROFÉUS

ÉPOCAS

4 Campeonatos

2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17

2 Taças de Portugal

2013/14 e 2016/17

3 Supertaças

2014, 2016, 2017

5 Taças da Liga

2010/11, 2011/12, 2013/14, 2014/15, 2015/16

Jardel

Ganhar, marcar, ganhar: golos de ouro no ano do Tri

Em oito épocas incompletas no Benfica (está no começo da nona), Jardel já celebrou a conquista de 14 troféus: 4 Campeonatos (2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17 – o Tetra), 2 Taças de Portugal (2013/14 e 2016/17), 5 Taças da Liga (2010/11, 2011/12, 2013/14, 2014/15, 2015/16) e 3 Supertaças (2014, 2016, 2017).

O primeiro sucesso coletivo foi obtido e comemorado em Coimbra na final da Taça da Liga que pôs frente a frente Benfica e Paços de Ferreira (2-1), em 2010/11.

Na reta final da época do Tricampeonato (2015/16), a influência de Jardel teve igualmente impacto na outra extremidade do retângulo de jogo. Nas subidas à área contrária em lances de bola parada, o luso-brasileiro desencravou dois resultados (30.ª e 32.ª jornada da Liga NOS) e contribuiu para a recolha de seis pontos que naquela fase da prova valiam ouro. Foi a temporada em que mais golos marcou (5).

Jardel

Jardel no Benfica*

JOGOS

GOLOS

221

14

* Números até 22 de setembro de 2018

Texto: João Sanches

Fotos: SL Benfica

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