Futebol

01 novembro 2018, 20h34

Rui Vitória

Rui Vitória projetou a receção ao Moreirense FC, agendada para sexta-feira (20h30, no Estádio da Luz), lembrando o que falhou ao Benfica nos dois últimos jogos: converter em golo as oportunidades criadas.

Uma antevisão a este Moreirense. Que equipa é esta?

Primeiro, dar os parabéns ao Moreirense pelos seus 80 anos. Uma equipa que se tem vindo a solidificar na I Liga, que tem feito um belíssimo trabalho com um presidente já há muitos anos. É um clube que tem vindo a fazer uma época dentro daquilo que era previsível – com treinador e jogadores novos – e tem vindo a melhorar gradualmente. Uma equipa bem organizada pelo Ivo, com jogadores de qualidade, que joga num 4x3x3, que às vezes inverte o triângulo do meio-campo, tem o Nenê, que tem muito golo com ele. É uma equipa muito organizada, num retrato muito simplista. Interessa-nos o nosso jogo e exibição, e um resultado muito positivo que queremos que aconteça.

O tema do Benfica esta semana é a revelação daquela gravação sobre uma eventual saída para o Everton. Acha que sai mais valorizado de todo este episódio?

Fundamentalmente, não me preocupam, desde que entrei no Benfica, eventuais sondagens, possibilidades e contactos. As pessoas que trabalham comigo sabem a minha forma de pensar. Sou e gosto de ser discreto. Desde que estou no Benfica nunca quis sair daqui, nem quero. É evidente que na altura a que isso se referia – com um Bicampeonato, um apuramento para a Liga dos Campeões, representar um Clube desta natureza –, possibilidades e contactos existiam. Mas as pessoas só chegam ao pé de mim quando há algo em concreto. A minha forma de trabalhar é assim. O que me move não são só as questões financeiras. É muito mais do que isso: é envolvimento, confiança e o projeto para o futuro. É evidente que, essa possibilidade, se surgiu, nem passou disso. O que quis foi ficar no Benfica.

Mas soube da proposta?

Soube.

Rui Vitoria

Qual a sua opinião sobre a saída de José Peseiro do Sporting?

Um abraço grande ao José Peseiro. É um amigo, como de uma forma genérica tenho em todo o lado. Nunca é agradável uma situação dessas, mas a qualidade existe e está lá, e é um treinador já com prova dadas.

Acha que em Portugal os treinadores portugueses dos clubes acabam por viver em intranquilidade e que não lhes são dadas tantas oportunidades para se mostrarem à frente das equipas? 

O futebol português tem evoluído dentro de uma estabilidade enorme. Isto quer dizer que quando essa estabilidade existe, normalmente existem mais resultados. Mas cada clube tem a sua realidade. O Sporting é um grande clube e quem sou eu para me meter na vida dos outros clubes. Sou defensor de que quando se escolhe, escolhe-se por um conjunto de critérios e valores que são importantes para aquela instituição. Neste sentido, acho que a estabilidade tem de ser dada e, normalmente, quando isso acontece, o sucesso acontece mais vezes do que o insucesso.

O Presidente Luís Filipe Vieira diz que não sairá do Benfica sem ser campeão europeu. Sendo que Rui Vitória tem contrato até 2020, sente-se em condições para cumprir esse objetivo?

Deixe-me só completar que o Presidente também falou que está a terminar o mandato, candidata-se a mais quatro anos e, se for preciso, a mais dois porque é uma pessoa com essa vitalidade e energia. Estas questões de ser campeão europeu, também sou muito otimista, mas dentro da racionalidade. Tudo isso tem de ser muito bem estruturado, pensado e executado. Nada aparece na nossa vida sem olharmos lá para o fundo e pensarmos que podemos lá chegar. Essa é uma visão que o Presidente tem. Há muito trabalho pela frente. Foi dito num contexto presidencial e temporal alargado. Acho que é uma ambição que se pode e tem de ter... mas há muito trabalho para fazer.

Rui Vitoria

Sente que o Benfica é um bocadinho o oásis no meio do deserto nesta aposta na continuidade dos treinadores e neste trabalho encaminhado para a Formação?

Há mais clubes a pensar assim. A realidade do Benfica eu conheço e penso que é o caminho correto. Os clubes portugueses têm de pensar que as armas financeiras não são iguais aos principais clubes europeus, apesar de já haver uma grande aproximação de alguns dos nossos clubes. Onde reside a diferença? Na inteligência, na astúcia, na capacidade de antecipação e na visão que se tem de ter. É aí, pela visão do nosso Presidente, que o Benfica é capaz de estar nessa linha de pensamento. Eu penso que é assim que os clubes têm de pensar. A racionalidade tem de estar sempre presente. O Campeonato e a vida de um clube são uma maratona, em que há acelerações e desacelerações, mas onde tem de haver um objetivo de fundo e o Benfica tem-no. Penso que o Benfica está recheado de um futuro risonho se for bem aproveitado. Não digo isto de uma forma leviana, é só olhar para os dados estatísticos e para os jogadores formados que estão nas seleções. Não é preciso fazer um exercício muito prolongado para pensar que uma boa maioria desses jogadores possam estar a nível muito elevado nos próximos anos. Há dois ou três anos, quando olhávamos para um Renato Sanches, para um Rúben Dias – que andavam pelos Sub-19 –, se calhar ninguém imaginava. Passam dois/três anos e a vida é diferente. O futuro do Benfica está lá. É preciso ser bem aproveitado e não se perder este rumo, que é aquilo que eu acho que o Presidente e o Benfica têm feito muito bem.

Sente que há obrigação em mudar de onze – aquele que tem sido o seu onze-base – ou de sistema tático?

Amanhã [sexta-feira] vamos ter um jogo diferente do anterior. Sabemos o que fizemos e o que não foi favorável: o último momento de a bola entrar. Às vezes podemos dizer que faltou oportunidade, mas não foi isso que aconteceu. Assumimos claramente que, no último jogo, uma equipa como a nossa tem capacidade para estar a ganhar. No jogo com o Moreirense os jogadores têm este sentimento de que têm de ganhar. As dinâmicas têm de aparecer. As oportunidades, surgindo, temos de as finalizar. Mais do que a questão do sistema tático, há uma vontade muito grande de ir para dentro do jogo e tentar ser mais frio no momento da finalização, que é o que falhou nos dois últimos jogos.

Rui Vitoria

Ivo Vieira diz que vem à Luz para atacar e ganhar o jogo. Tem a equipa preparada para contrariar essa ideia de jogo?

Acho perfeitamente lógico e positivo que os clubes e as equipas pensem assim. Tem duas observações: uma é de atrevimento e a outra é de reação da nossa parte. Vir ao Estádio da Luz, jogar contra uma equipa como o Benfica não é fácil para qualquer treinador. No seu íntimo, Ivo Vieira sabe que não é fácil jogar contra o Benfica, fundamentalmente no seu Estádio. Valorizo essas palavras, acho que é correto e lógico que se digam, mas do outro lado está uma equipa que tem vindo a ter um caudal ofensivo enorme, que, aproveitando algumas das oportunidades, faz golos, portanto o Ivo [Vieira] sabe que vai ter um jogo bastante difícil e que o Benfica é uma grande equipa. Valorizo, registo e queremos muito ganhar.

ESCLARECIMENTO DO TREINADOR

Há uma semana, neste espaço de antevisão, fiz uma alusão ao ranking europeu quando me foi colocada a questão. Eventualmente não me expliquei bem, o que eu queria referir era o rácio entre épocas em que estou no Benfica e o número de vitórias por temporadas, fundamentalmente na última década (mais ano, menos ano), período em que o Benfica tem estado mais presente na Liga dos Campeões. Era este esclarecimento que queria fazer para ficar bem comigo mesmo. Foi uma má explicação da minha parte e da minha responsabilidade, que é para toda a gente saber e não se pensar que houve aqui qualquer comunicação que me foi mal feita. Não, a responsabilidade é minha. O que eu queria (e quero) aqui dizer é: rácio entre épocas e vitórias, e consecutivamente pontos [2,6].

Texto: Filipa Fernandes Garcia

Fotos: João Paulo Trindade / SL Benfica

Última atualização: 7 de fevereiro de 2019

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