17 de outubro de 2019, 12h00

José Bastos: guardião da Taça Latina faz 90 anos

História

Defendeu a baliza do Benfica quando, em 18 de junho de 1950, o Clube fez história ao conquistar o primeiro grande troféu internacional.

José Bastos, uma das glórias do Sport Lisboa e Benfica, está de parabéns! O antigo guarda-redes celebra, nesta quinta-feira, 90 anos de vida.

Nascido a 17 de outubro em Albergaria-a-Velha, Bastos foi um dos guarda-redes mais jovens de sempre a estrear-se ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, clube que representou como sénior de 1949/50 a 1958/59 e depois em 1960/61.

Decorria o dia 12 de março de 1950, jogava-se a 21.ª jornada do Campeonato Nacional. No Estádio do Campo Grande (a última casa do Benfica antes do Estádio da Luz), os encarnados recebiam e venciam, por 4-1, o Lusitano VRSA. Na baliza, um nome chamava a atenção: Bastos. O jovem, com 20 anos, quatro meses e 21 dias de vida fazia a sua estreia pelo Clube da Luz, mantendo-se como o guarda-redes mais jovem a estrear-se de águia ao peito até ser destronado por Moreira, em 2002.

Pouco depois da estreia, o primeiro apogeu da carreira. Estávamos no arranque da década de 1950 e o primeiro grande troféu internacional estava ali, à mão de semear, para o Benfica. No Estádio Nacional, a 18 de junho de 1950, fez-se história. No relvado, Benfica e Bordéus para a finalíssima da Taça Latina depois de um 3-3 na final.

Com Ted Smith como treinador, os encarnados alinharam com Joaquim Fernandes, Jacinto, Félix Antunes, José da Costa, Rosário, Francisco Moreira, Corona, Arsénio, Rogério Pipi e Julinho como jogadores de campo. Na baliza? Bem, na baliza estava um guarda-redes alto, esguio e com um talento incrível para a função: José Bastos. No final, após prolongamento, 2-1 para o Benfica.

O na altura jovem guarda-redes ganhara a luta titânica pela posição. Na linha da frente para o lugar perfilavam-se Rosa – fora o 3.º guarda-redes épocas antes –, Furtado, Bráulio ou mesmo Sebastião, mas quem ultrapassou tudo e todos foi… Bastos.

A partir daqui assumiu a baliza encarnada, na qual esteve até 1960/61, antes de representar o Atlético CP, primeiro por empréstimo e depois em definitivo, e o Beira-Mar. Pelo Benfica foram cerca de 200 jogos e quase uma dezena de títulos: 1 Taça Latina, 3 Campeonatos Nacionais e 5 Taças de Portugal.

Para os que nunca o viram jogar, aqui fica um breve raio-X do jornalista Alfredo Farinha a José Bastos: “O Zé era um guarda-redes muito calmo, nada o perturbava, nada lhe causava intimidação; sem grande elasticidade, era sóbrio, abominava dar espetáculo, fazer defesas para a fotografia; não me lembro de ter sofrido um golo após ressalto, ele adivinhava a trajetória da bola.”

Texto: Marco Rebelo

Fotos: Arquivo / SL Benfica

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