27 de abril de 2020, 13h00

O exemplo de superação de Patrícia Rodrigues

Andebol Feminino

Capitã da equipa de andebol do Benfica concedeu entrevista ao jornal "A Bola".

A recuperar da grave lesão contraída no joelho esquerdo no passado mês de fevereiro, Patrícia Rodrigues, jogadora da equipa de andebol feminino, revelou alguns acontecimentos na sua carreira antes da chegada ao Sport Lisboa e Benfica, em entrevista ao jornal "A Bola".

Internacional A com apenas 14 anos, foi precisamente em representação da turma das Quinas, num torneio em Angola, já com contrato assinado com o Blomberg Lippe, da Alemanha, que a lateral-esquerda contraiu um vírus e viu a oportunidade de dar um passo gigante na sua carreira a fugir.

Patrícia Rodrigues

"Nas sessões de fisioterapia tentava levantar uma garrafa de água ou um livro"

"As minhas colegas começaram logo com vómitos e diarreia. Eu só comecei com sintomas já estávamos de regresso. Mas passaram. Em março fui convocada para um estágio das juniores A e os meus olhos começaram a inchar. Pensou-se ser conjuntivite, pus colírio e lá fui até Espanha para a viagem de finalistas", contou, prosseguindo com o relato de semanas terríveis.

"As minhas articulações começaram a inchar e eu a perder mobilidade a cada instante. Passei uma noite no hospital, em Espanha, até que os meus pais entenderam ser melhor voltar. Fiz a viagem sozinha, e quando cheguei junto a eles já vinha numa cadeira de rodas. Não me mexia. Estava paralisada. Fizeram testes a tudo e mais alguma coisa, mas ficava pior a cada dia. Não parava de inchar, edemas cada vez maiores, e paralisada. As dores eram horríveis. Fui transferida para Lisboa e fiquei internada três semanas no Hospital D. Estefânia. Diagnosticaram uma artrite reativa e, com seringas, tiravam-me líquido dos membros. Desmaiei várias vezes. Levei muitas injeções de cortisona e medicação que nem eu própria sei. Estive sempre lúcida, foi horrível. Equacionaram salmonelas, água não potável que tivesse bebido ou saladas mal lavadas. Mas era impossível. Tivemos todos os cuidados. Acordava de noite aos gritos, com dores, a pedir que me pusessem a dormir para suportar tudo aquilo. Foi horrível para todos nós. À terceira semana deram-me alta, mas continuava sem andar. Saí em cadeira de rodas para ser cuidada em casa. Como não comia nem bebia fiquei muito magrinha. Nas sessões de fisioterapia tentava levantar uma garrafa de água ou um livro", prosseguiu.

Patrícia Rodrigues

"Por tudo o que passei, dou mais valor a coisas que dava por garantidas"

Com o início da temporada a aproximar-se, com muita força de vontade, Patrícia Rodrigues deu a volta à situação e vê a pandemia por que passamos atualmente com outros olhos.

"Comecei a andar e a recuperar como se não tivesse passado por nada. Fui para a Alemanha, onde fiquei quatro anos, com uma operação ao joelho pelo meio. Por tudo o que passei, tenho maior consciência desta pandemia. Qual é o problema de não poder sair?! De um momento para o outro, também tudo mudou na minha vida. Dou mais valor a coisas que dava por garantidas", assegurou.

Ao diário "A Bola", a andebolista falou também dos objetivos que tem para o futuro.

"Quero ganhar o título nacional em Portugal no escalão sénior e a Taça, nos outros ganhei tudo. Depois adorava jogar uma Champions. Com a Seleção, gostava de jogar um Europeu e um Mundial seniores. Foi contagiante ver o que os rapazes fizeram [6.º lugar no Europeu em janeiro]. Portugal tem talento, e nós temos essa mentalidade guerreira e qualidade também", finalizou.

Fotos: Arquivo / SL Benfica


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