27 de maio de 2020, 18h38

Rui Lança: "Construir equipas para lutar pelas competições"

Modalidades

Diretor das modalidades coletivas de pavilhão do SL Benfica assegurou que o Clube trabalha a pensar em futuras conquistas.

Diretor das modalidades coletivas de pavilhão do SL Benfica, Rui Lança explicou, em entrevista à BTV, como está a ser preparado o futuro dos cinco desportos de pavilhão do Clube, tanto em masculinos como em femininos.

Apesar do tempo de incerteza que se vive por causa da pandemia, Rui Lança acredita que o regresso das competições irá acontecer entre setembro e outubro.

Futuro para as modalidades

"Será o mesmo antes da COVID, ou seja, formar e construir equipas para lutar por todas as competições nacionais. Mas a verdade é que temos uma realidade distinta, além de estarmos a preparar a próxima época, estamos a trabalhar ainda no término da presente temporada ao salvaguardar o regresso dos atletas aos seus países de origem e a perceber qual será o contexto desportivo e social da próxima época. Apesar de a COVID poder estar a ter um impacto futuro menor relativamente ao que podíamos inicialmente supor, a verdade é que estamos num mar de incertezas, não podemos fazer grandes planos nem a curto quanto mais a médio/longo prazo."

Andebol

Andebol

"A política comunicacional do Benfica tenta equilibrar nos anúncios, até para agradecer o contributo dos atletas nas épocas desportivas, além de que esses mesmos atletas vão assinar entretanto por outros clubes. Havia um conjunto de atletas que terminavam o seu vínculo, outros que tinham opção, e coincidiu também com o término do ciclo do Carlos Resende. Houve aqui uma análise daquilo que era o que estava a acontecer. Isto não é de agora, é uma análise que tem vindo a acontecer, o próprio treinador assumiu isso, ou seja, em clubes grandes esta análise faz-se constantemente, a cobrança é sempre constante, é sempre dinâmica, está sempre presente para quem trabalha num clube como o Benfica e a passagem para a próxima época irá coincidir com um conjunto de decisões. Sobre os nomes que têm sido falados, aquilo que posso dizer é que neste momento o que está a ser decidido é que vamos tentar dar alguns passos para nos aproximarmos daquilo que é o objetivo de qualquer modalidade do Benfica, que é sermos vencedores ou estarmos na luta pela conquista até ao fim."

Voleibol

Voleibol

"O que podemos esperar do voleibol é o mesmo que esperaríamos se esta época estivesse a terminar e conquistarmos o triplete. Acima de tudo, o que está a ser o nosso esforço para a próxima época é conseguir, dentro daquilo que são as restrições sociais e económicas, manter todo o grupo e privilegiar uma das maiores forças desta equipa nos últimos tempos, que é o seu espírito e a sua qualidade de grupo. É isso que estamos a tentar, porque, tal como o Benfica, também os atletas têm os seus objetivos individuais e de carreira. Por isso, é sempre uma análise que tentamos que seja relacional, no sentido de eles se sentirem bem cá, mas também acaba por ser uma análise fria, porque acabam por ter de decidir em poucos dias o que para alguns são os últimos anos de carreira e é uma análise claramente distinta de quem está a começar. No voleibol, claramente privilegiamos a manutenção do grupo todo, por isso, se conseguirmos manter 90% ou 95% dos atletas, damo-nos como satisfeitos para aquilo que são os objetivos da próxima época."

Futsal masculino

Futsal

"O futsal obriga-nos a não ter um excesso de jogadores não formados localmente. Temos de privilegiar também aqui a qualidade dos jogadores da Formação. É uma modalidade que de alguma forma tem sido nossa aposta na Formação. Vai coincidir com o término de alguns contratos e por muitas das vezes estas decisões têm de ser frias e muito analíticas, no sentido de não nos podermos deixar contagiar por aquilo que são as emoções. Umas vezes são positivas, outras vezes não nos ajudam. Há aqui uma análise, inicialmente sempre desportiva, há sempre o contributo daquilo que os treinadores consideram o melhor para o seu modelo de jogo. Há também um equilíbrio com a gestão desportiva e depois dentro do que são as capacidades. Portugal viveu nos últimos anos um contexto onde era claramente atrativo para jogadores de futsal, nomeadamente nas equipas que lutam pelo título, e a COVID-19 veio alterar um pouco aquilo que será a capacidade de resposta nesta modalidade nos maiores clubes, que também têm de se reinventar um pouco e adaptar-se àquilo que muitas vezes é fazer as mesmas omeletes com menos ovos."

"Aqui, temos de estar mais atentos no mercado porque o futsal, ao contrário de outras modalidades, não é uma modalidade propriamente praticada em todo o mundo, o que quer dizer que às vezes a procura é menor, mas a oferta também e não se encontra atletas como em outras modalidades que têm grandes mercados. Vamos tentar fazer o mínimo de mudanças possíveis, mas há mudanças que nós não controlamos, porque há constrangimentos, há oportunidades para alguns atletas, que fazem, por exemplo, com que o nosso capitão tenha abraçado um novo projeto e todos nós compreendemos, porque são oportunidades da vida. Queríamos que ele continuasse, mas também percebemos que a determinada altura da carreira vai abraçar um projeto que é cativante para ele. Desejamos boa sorte."

Basquetebol

Basquetebol

"Tal como nas outras modalidades, estamos a tentar cimentar no basquetebol o produto da Formação do Benfica, sendo que há modalidades em que há mais oferta e é possível criar mais formação. Os plantéis serão um pouco mais curtos daquilo que é o habitual, para fazer face às restrições e constrangimentos, mas o basquetebol vive muito este contexto, tem a sua cultura muito própria, que é a de que alguns dos reforços acabam por surgir muito perto do início dos campeonatos. Partindo do princípio que o quadro competitivo será similar, o nosso objetivo também, ao nível do que era a base de atletas, é manter e depois fazer escolhas criteriosas dos elementos que vão chegar. Tal como o futsal, temos também o constrangimento da regra dos estrangeiros, mas acreditamos que, pelo menos aqueles que eram os nossos objetivos iniciais, estão alcançados, que era manter a espinha dorsal da equipa. Aos poucos, a equipa técnica e o staff está a fazer as escolhas dos novos atletas no sentido de existir o menor número de trocas possíveis durante a época desportiva."

Hóquei em patins

Hóquei em Patins

"A espinha dorsal é para se manter. Dos 11, vamos manter a maioria e, também fazendo face ao que serão os constrangimentos, temos de fazer algumas adaptações, mas que são fruto de qualquer modalidade desportiva e também daquilo que é o mercado da procura e da oferta e, neste caso também, caminhar para o futuro aproveitamento daquilo que é a Formação, que tem ganho bastantes títulos."

Bolas das Modalidades

Modalidades femininas

"O feminino tem um contexto bastante diferente do masculino. Na grande maioria das modalidades femininas ainda não há um grande domínio dos chamados grandes. No caso do andebol, o nosso objetivo desportivo deste ano era lutar pelo título, estar na luta até ao fim. Tivemos um conjunto de resultados antes do término da primeira fase que nos afastou, mas a ideia é continuar com este projeto. Existindo andebol feminino, subindo à Primeira Divisão, é estar agora sempre nos lugares cimeiros e no sentido de potenciar as jogadoras que chegam ao Benfica."

"No caso do basquetebol vamos manter a aposta de melhorar as classificações dos últimos anos e conseguirmos chegar o mais longe possível na luta pela conquista do título."

"No futsal e no hóquei é manter o domínio nas competições nacionais, também para aumentar o currículo. No caso do voleibol, estávamos na luta pela subida de divisão e há uma alteração no modo como vão ser apuradas as equipas que vão subir à primeira divisão feminina. Será realizada uma Liguilha, consta que será em setembro, vamos ver como será a evolução social e das questões de saúde, mas lá estaremos para tentar subir à Primeira Divisão."

Adeptos

Adeptos nos pavilhões

"Não sabemos que tipo de alterações irão existir nas próximas semanas ou próximos meses, mas penso que existem três fases. A primeira fase é o regresso da normalidade aos treinos, depois será o regresso dos quadros desportivos. Neste último ponto, o cenário já esteve mais negro, colocou-se em causa se as competições iriam começar em 2020, mas agora, com mais ou menos semanas de atraso, o regresso pode acontecer em setembro ou outubro. A introdução de adeptos penso que será numa terceira fase e vai depender de um conjunto de requisitos diferentes do futebol. Estamos a falar de pavilhões muito distintos, uns são muito recentes, outros são camarários, alguns são de escolas e há até pavilhões míticos que já foram palcos de grandes conquistas, mas que neste momento podem deixar um pouco a desejar por não terem condições ao nível dos balneários, de acesso para os dirigentes e para os adeptos. Para já, o esforço dos clubes e das federações é que exista competição, isso vai garantir que se mantenha o core business de cada clube. Pode ser que no verão possam existir algumas novidades sobre como os adeptos poderão vir a assistir aos jogos dentro dos pavilhões."

Fotos: SL Benfica / Arquivo

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