27 de junho de 2020, 18h30

Domingos Soares de Oliveira em entrevista exclusiva à BTV

Clube

A emissão de um empréstimo obrigacionista é o tema central desta conversa, que aborda ainda assuntos como retoma das competições europeias, assistências nos estádios, relação comercial com a NOS e investimento(s) da SAD…

ENTREVISTA COMPLETA

Domingos Soares de Oliveira, CEO do Grupo Benfica, explicou, em entrevista exclusiva à BTV, os detalhes do empréstimo obrigacionista que a Benfica, SAD lança no mercado no dia 29 de junho, segunda-feira. São sete milhões de subscrições, com o valor nominal de cinco euros e uma taxa de juro de quatro por cento.

"Com um novo empréstimo obrigacionista de 35 milhões de euros como valor base para o sucesso desta emissão, reduzimos – como sempre foi o nosso compromisso – o nosso endividamento, mas mantemos uma política ativa de ir ao mercado sempre que vejamos vantagens nesse processo", revela Domingos Soares de Oliveira.

"Esta é a primeira emissão de obrigações, que eu tenha conhecimento, depois do processo de confinamento e de paragem de atividades, e o facto de os bancos terem apoiado o Benfica neste processo é claramente um sinal de confiança por parte destas entidades financeiras", destaca o CEO do Grupo Benfica e administrador executivo da SAD.

Nesta entrevista, Domingos Soares de Oliveira aborda ainda temas como retoma das competições europeias, assistências nos estádios, relação comercial com a NOS e investimento(s) da SAD

Domingos Soares de Oliveira

Uma das perguntas, senão a mais importante, de quem pretende subscrever é: porquê lançar este empréstimo obrigacionista agora?

Temos uma política de empréstimos obrigacionistas como uma das nossas principais fontes de financiamento, e este é o 10.º empréstimo que lançamos desde 2004. Reembolsámos sempre dentro das datas previstas e este ano tivemos dois reembolsos: um em janeiro, de cerca de 25 milhões de euros; e um segundo em abril, já em plena pandemia, de 50 milhões de euros. Fizemos um reembolso de quase 75 milhões de euros neste início de ano. Este último reembolso pressupunha o lançamento de um novo empréstimo com um montante mais baixo, mas, nessa altura, os nossos parceiros financeiros, os bancos, entenderam que o mercado ainda estava muito instável e que não era a altura certa. Portanto, utilizando os nossos próprios meios, a nossa própria tesouraria, fizemos esse reembolso de 50 milhões de euros, o que nos permitiu reduzir os juros. A tesouraria permitia continuar até à situação atual sem qualquer problema, e agora estes dez bancos que fazem parte do sindicato bancário entenderam que o mercado estava já a apresentar alguns sinais de retoma e que era uma boa altura para fazer o lançamento do empréstimo obrigacionista. Tendo reembolsado 75 milhões de euros no início do ano, e lançando agora um novo empréstimo de 35 milhões como valor base para o sucesso desta emissão, reduzimos – como sempre foi o nosso compromisso – o nosso endividamento, mas mantemos uma política ativa de ir ao mercado sempre que vejamos vantagens nesse processo.

Domingos Soares de Oliveira

"Avançar com este empréstimo obrigacionista é muito positivo, porque significa o retomar de alguma normalidade"

Uma das ideias fortes daquilo que foi comunicado a propósito deste empréstimo obrigacionista tem a ver com o reforço da liquidez da tesouraria e também com a capacidade de manter atividade corrente. É isso?

É. Houve uma quebra, como é evidente, do ponto de vista de receitas no Benfica – como em todos os clubes e, eu diria, em praticamente todas as atividades [devido à pandemia COVID-19]. Conseguimos, como é público, manter de alguma forma todos os nossos compromissos, quer em termos obrigacionistas, quer com os fornecedores de pessoal, etc. Entendemos que, havendo alguma incerteza ainda na forma como as coisas vão evoluir do ponto de vista do futuro, as notícias são mais positivas do que negativas. Mas havendo essa incerteza, e querendo o Benfica e a Benfica SAD sempre manter uma robustez muito significativa do ponto de vista da sua capacidade de honrar os compromissos, entendemos que deveríamos lançar este empréstimo. Não significa de maneira nenhuma que haja um problema de tesouraria, bem pelo contrário. Continuamos com uma posição bastante sã e satisfatória, mas significa que não queremos ter qualquer surpresa daqui até ao final do ano, portanto entendemos que este é um bom timing para avançar com esta operação.

Há um lado preventivo, é isso?

É muito mais preventivo. Temos uma situação de caixa neste ano mais forte do que tínhamos há um ano e muito mais forte do que tínhamos há dois anos. Portanto, em condições normais, provavelmente nem precisaríamos de ir ao mercado, mas a nossa política sempre foi muito conservadora do ponto de vista de ter a garantia de que honramos os compromissos. Foi isso que fizemos. Esperámos o timing certo, esta é a primeira emissão, que eu tenha conhecimento, de obrigações depois do processo de confinamento e de paragem de atividades, e o facto de os bancos terem apoiado o Benfica neste processo é claramente um sinal de confiança por parte destas entidades financeiras.

Domingos Soares de Oliveira

"Pela primeira vez vamos fechar o exercício anual com endividamento inferior a 100 milhões de euros"

Falou em incerteza… Essas incertezas têm a ver com, por exemplo, uma das principais fontes de receitas, as competições europeias?

Acredito que, na componente das competições europeias, as notícias que teremos serão provavelmente positivas. Porquê? Porque as viagens estão já, de alguma forma, dentro do espaço europeu, a retomar. Aquilo que se percebe, neste momento, é uma abertura de fronteiras quase generalizada, e se pensarmos numa média de três/quatro/cinco meses de distância – e as competições europeias não vão arrancar antes de setembro/outubro – não vamos certamente regredir, ou pelo menos penso que a expectativa de toda a gente é essa. Todas as reuniões que temos tido do ponto de vista internacional apontam para uma retoma das competições europeias, num modelo diferente do deste ano para fechar os jogos que faltam e em que o nosso Estádio terá um papel importante. Depois, onde tenho algumas dúvidas é do ponto de vista da retoma das assistências… Este ano, como foi já referido, perdemos aqui cerca de 5 milhões de euros pelo facto de não podermos ter público nestes cinco jogos. Se esta situação se mantiver no próximo ano, isso terá também aqui um impacto grande, cerca de 1 milhão de euros por cada jogo… Do ponto de vista do mercado de transferências, haverá certamente uma redução, mas também não creio que seja muito significativa. O Transfermarket apontava para que o valor dos plantéis devesse baixar entre 15 e 20 por cento...

Esperava mais?

Não tinha propriamente um valor na cabeça. Acho que 15/20 por cento é bastante aceitável porque efetivamente há clubes que enfrentarão dificuldades do ponto de vista da tesouraria. Eu não conheço muitos clubes que tenham a situação que nós temos neste momento e, portanto, haverá certamente algum travão. Mas 15/20 por cento é uma situação que se recupera rapidamente. As boas notícias são que, do ponto de vista das receitas de televisão, termos conseguido retomar o Campeonato trouxe da parte dos operadores o honrar do compromisso que tinham com os clubes. No nosso caso, com o nosso parceiro da NOS – um parceiro que tem sido absolutamente extraordinário –, conseguimos de alguma forma cobrar toda a receita da época 2019/20 e cobrar a primeira prestação da época 2020/21… Essas são as boas notícias. Há partes em que já estamos muito estáveis, há outras em que ainda temos algumas dúvidas, e diria que a principal é quando é que teremos pessoas no Estádio.

Domingos Soares de Oliveira Benfica CEO

"Reembolsámos sempre dentro das datas previstas"

A pandemia trouxe, na vida das pessoas, algumas dificuldades e angústias. Neste empréstimo obrigacionista, que resposta espera por parte de quem está no outro lado do mercado?

Temos tido sempre procuras muito elevadas. A última emissão, em maio de 2019, teve uma procura quase três vezes superior aos 40 milhões de euros disponibilizados. E quando fizemos o reembolso – fizemos um antecipado – tive até reação de colegas que me disseram que não estavam à espera desse reembolso. Diria que, por um lado, as pessoas podem ter uma postura mais conservadora, por outro lado, têm de aplicar o dinheiro, porque no banco não rende. Do ponto de vista das emissões antes da COVID, a taxa de juro que estamos a oferecer é interessante: 4 por cento brutos. Não houve emissões abaixo destes valores, com exceção da SONAE. Vi pessoas a dizer que pagam taxas mais altas do que o mercado oferece. Não é verdade, até porque a taxa mais baixa foi feita por nós, que foi 3,75 por cento o ano passado e 4 por cento neste ano. É atrativa para os investidores e positiva para o Benfica.

Há aqui uma alínea que permite que a SAD do Benfica até 8 de julho ainda possa aumentar este valor de subscrições…

Correto. O empréstimo termina a 10 [de julho], começa no dia 29 de junho e, portanto, são duas semanas. Nas últimas emissões pusemos sempre essa possibilidade de aumentar o valor, dado o histórico de procura e dada a adesão das pessoas. As pessoas ficam dececionadas quando o Benfica não faz uma emissão. E o facto de termos reduzido o nosso endividamento, e em particular as emissões obrigacionistas – este reembolso de 75 milhões de euros não foi, até hoje, acompanhado por novas emissões –, leva as pessoas a questionar, e eu fui questionado mais do que uma vez, "e agora, onde é que eu faço o investimento do meu dinheiro". Não há nenhuma emissão obrigacionista que seja isenta de risco, mas o Benfica tem o track record de dez emissões, oito reembolsos feitos sem nunca falhar…. Isso transmite uma mensagem de confiança adicional relativamente ao investidor, digamos, normal.

Domingos Soares de Oliveira

"Última emissão, em maio de 2019, teve procura quase três vezes superior aos 40 milhões de euros..."

Depois deste empréstimo, em termos de endividamento do Grupo Benfica, qual é o retrato possível de se fazer?

Vamos terminar o nosso exercício daqui a três dias, no dia 30 de junho. Vai ser exercício bom, porque tivemos uma venda extraordinária, que foi a do João Félix, e que não é crível que se repita, pelo menos, no curto prazo. As pessoas têm de perceber que os resultados que vamos apresentar são excecionais, mas estão influenciados positivamente pela venda do João Félix e negativamente pela paragem da atividade desportiva. O nosso endividamento é inferior a 100 milhões de euros. 60 milhões em empréstimo obrigacionista, depois temos alguns descobertos bancários e temos poucas operações de financiamento com duas entidades financeiras. É a primeira vez que vamos fechar o exercício anual com um endividamento inferior a 100 milhões de euros. Se a emissão tiver o sucesso que esperamos, o endividamento vai subir para cerca de 130 milhões de euros, que, ainda assim, é um valor baixo tendo em conta uma entidade como a nossa que, como grupo, está a faturar 300 milhões de euros. Já tivemos alturas em que o nosso endividamento era duas a duas vezes e meia a nossa faturação, e atualmente podemos ter um endividamento que será um terço daquilo que é a nossa faturação. Os números são o que são.

Domingos Soares de Oliveira

"Com o nosso parceiro da NOS, conseguimos cobrar toda a receita de 2019/20 e a primeira prestação de 2020/21"

Há pouco falou da relação com a NOS, a propósito do contrato dos direitos televisivos. Muito tem sido escrito, nos últimos dias, sobre essa relação…

Quando assinámos o contrato com a NOS, nunca, na altura, alguém imaginou que seria possível assinar um contrato de venda de direitos televisivos e de exploração da BTV por 400 milhões de euros. Nessa altura a mensagem foi clara: se alguma vez utilizássemos os montantes deste contrato seria basicamente para fazer reembolso de dívida. Ou seja, não quisermos fazer utilização do contrato para pagar despesa corrente, não quer dizer que não o possamos fazer, mas o grande objetivo já nessa altura era quase uma obsessão com a redução da dívida. E como é que isto se compara? Se eu mantiver os recebimentos que tenho previstos no contrato e um endividamento grande, aquilo que vai acontecer é que eu estou a pagar juros sobre um endividamento e, portanto, alguém terá de os contabilizar ao longo dos 10 anos. E é muito simples de fazer as contas. Como foi visto, nós fizemos um desconto de cerca de 160 milhões de euros. Se considerarmos que uma taxa de financiamento ronda os 5 por cento por ano, são 9 milhões de euros em cada ano. Depois o montante vai diminuindo, mas, no fundo, isto atinge valores muito significativos. Exatamente uma operação contrária, que é uma operação de utilização de receita para receber um determinado montante agora e reembolsar dívida também tem um custo. É um custo que tenho agora, mas que evito em termos futuros do ponto de vista de reembolsos do meu endividamento. Com uma vantagem acrescida que é muito importante: reembolsar o endividamento todo que fizemos permite-nos libertar as garantias todas, libertar hipotecas sobre determinados bens imóveis e outro tipo de garantias.

É uma operação que é feita sem recursos. Quando eu faço uma operação sem recurso – e o que está a acontecer agora no mundo dos direitos televisivos é muito interessante – significa que se o meu cliente, neste caso concreto a NOS, não me pagar por alguma razão, o problema já não tem a ver com a Benfica SAD, o problema é entre a NOS e a entidade financeira. Se a operação é feita com recurso, se o meu cliente falhar o pagamento à entidade financeira, então essa entidade financeira tem um recurso sobre a Benfica SAD. Portanto, só em operações sem recurso é que eu consigo ter um impacto significativo no meu balanço do lado do passivo. E foi isso que fizemos. Vi um advogado, um jornalista e até um professor universitário a falarem sobre essa matéria… As pessoas que são Benfiquistas têm uma análise obrigatoriamente mais rigorosa, as pessoas que não o são terão uma análise mais, não vou dizer mais tendenciosa, mas menos rigorosa. Se fizerem bem as contas vão perceber que esta operação de financiamento tem uma taxa que ronda entre os 5 e os 6 por cento com condições de mercado que são muito boas e que já eram boas nessa altura para uma operação sem desconto e, se fosse à data de hoje, não há nenhuma operação de financiamento que esteja a ser proposta a clubes de futebol que não seja com um custo de financiamento superior a 10 por cento. A operação que fizemos foi muito boa, foi nos timings certos, e ainda bem que a fizemos porque, se hoje tivéssemos de ir ao mercado tentar fazer a mesma operação, pagaríamos muito mais caro. 

Domingos Soares de Oliveira

"O nosso principal objetivo é ganhar no relvado, e para ganhar no relvado temos de ter os melhores jogadores"

Como sente o mercado do futebol nas suas mais variadas vertentes: contratações, merchandising, patrocínios?

Há muita atividade que ainda está muito impactada, nomeadamente em relação ao merchandising. Do ponto de vista da quotização, aquilo que o Benfica sente (não sei se a situação dos outros clubes...) é uma situação estável, foi uma agradável surpresa. O que se passa ao nível da bilhética é impactante. E é tanto mais impactante quanto o teatro onde jogamos. O impacto para o Benfica será sempre maior do que será para os nossos rivais. O impacto nas receitas televisivas é nulo, e isso é positivo. O impacto das receitas das competições europeias será nulo, a não ser que haja uma situação complicada, e o impacto do ponto de vista de transações será moderado. Haverá menos e haverá transações por valores mais baixos, mas haverá transações. Do ponto de vista do futebol, avançar com este empréstimo obrigacionista é muito positivo, porque significa o retomar de alguma normalidade. Se esta operação correr bem, para além do elogio da coragem de se avançar numa fase destas, é também um sinal positivo para todo o mercado. Tendo havido uma situação em que o FC Porto adiou o reembolso do empréstimo obrigacionista para o próximo ano, eu diria que, se a tendência for aquela que falámos relativamente a estas diversas rubricas do ponto de vista da receita, os exercícios têm obrigação de correr razoavelmente bem. Todos vão ter de contrair, naturalmente, todos vão ter de baixar alguma coisa nas suas expectativas de investimento, mas não antevejo uma crise, e sobretudo não antevejo uma crise irrecuperável.

Que inputs tem de outros mercados europeus?

É muito semelhante. O primeiro grande sinal era a retoma ou não das competições. França, Holanda e Bélgica primeiro, País de Gales, Escócia e outros países mais pequenos depois, foram os países que não retomaram as competições. O impacto foi grande porque os operadores disseram que, não havendo jogos, não ia haver dinheiro. Nestes casos, tenho a certeza de que o impacto foi significativo. Noutros mercados, aquilo que tenho sentido, através de colegas espanhóis, italianos e alemães, é um certo respirar. Toda a gente está cautelosa, mas com uma mensagem positiva. O facto de conseguirmos fazer as finais das competições europeias é um sinal positivo, porque significa, para esses clubes e para a UEFA, que é importante porque os patrocínios se mantêm e conseguimos todos manter as receitas que temos para este ano e para o próximo.

Domingos Soares de Oliveira

"O maior problema que existe em Portugal relativamente a transmissões televisivas ou direitos chama-se pirataria"

Os jogos à porta fechada tornam mais apelativo, para quem está em casa, o visionamento através da televisão... Para os operadores, esta contingência será positiva para potencialmente captar mais clientes?

Os operadores tomaram uma decisão de elevado risco, mas também de altíssima responsabilidade, e digo isto pela positiva, que foi "zerar" o valor das subscrições. A partir do momento em que o fizeram, quando muito teriam algumas receitas de publicidade, mas já se sabe que os canais de desporto vivem muito mais das subscrições. Lancei um desafio aos operadores, e não apenas àquele que trabalha connosco... O maior problema que existe em Portugal relativamente a transmissões televisivas ou direitos televisivos chama-se pirataria. Os níveis de pirataria em Portugal são absolutamente anormais, muito mais elevados do que, por exemplo, em Espanha e noutros países da Europa ocidental. Se "zeraram", podem equacionar um regresso à cobrança, desde que o valor da cobrança seja muito mais baixo. Porque é que o preço da BTV, desde que me lembro, sempre foi 9,90 euros? Porque é um preço que não faz o cérebro pensar muito. 9,90 euros por mês é um valor que eu aceito pagar e não tenho de pensar muito nele. Se tiver de pagar 29, mais 9,90 e mais 10 de outra coisa, já penso bastante e o ato de pirataria torna-se quase uma defesa subsconsciente.

Se os operadores tivessem conseguido encontrar um modelo que cobrasse menos, provavelmente o número de subscrições aumentaria significativamente. É apenas uma teoria, é minha, não compromete ninguém. Não foi isso que foi seguido... Por aquilo que percebi, foi um regresso aos mesmos moldes de montantes de subscrição que existiam no passado. Os três clubes tiveram recentemente uma reunião com o ministro da Economia sobre os temas que nos preocupam, e três ou quatro são comuns ao sector. Um deles é a saúde de quem nos compra os direitos televisivos. Os clubes devem tentar lutar contra este fenómeno da pirataria, devem tentar convencer os seus adeptos a não entrarem no processo da pirataria, mas isto vai muito mais além do que a ação dos clubes. É preciso encontrar modelos. Espanha conseguiu de alguma forma isso, a subscrição é muito mais barata do que em Portugal. Poderíamos ter tido uma aproximação desta natureza, esta era uma oportunidade, que me parece que foi um bocadinho perdida. Não tenho os números de subscrições, mas diria que não deve haver notícias extraordinárias em relação àquilo que era o passado.

Domingos Soares de Oliveira

"Continuar a investir, mas com segurança e a certeza de que teremos sempre uma equipa bastante competitiva"

Com tanta incerteza neste mundo em que está incluído, como é que o Benfica enfrenta e prepara a próxima época?

Neste momento não temos uma expectativa de grandes encaixas do ponto de vista de alienação de passes de jogadores, e, também é importante dizê-lo, não é esse o nosso objetivo. O nosso principal objetivo é ganhar no relvado, e para ganhar no relvado temos de ter os melhores jogadores. Tanto quanto possível, quero reter os melhores jogadores. Como temos uma situação de tesouraria razoavelmente controlada, não há necessidade de andar a vender os nossos jogadores, muito menos por preços que não sejam os de mercado. Provavelmente haverá também uma maior travagem em relação aos nossos investimentos. No último ano o Benfica investiu mais de 60 milhões de euros em passes de jogadores, admito que no próximo ano haja alguma redução, mas o que é verdade para o Benfica também o é para os clubes onde podemos comprar jogadores. Ou seja, jogadores bons, hoje em dia, estarão "mais baratos" do que estavam antes da pandemia. O objetivo é que o Benfica tenha a equipa mais competitiva a nível nacional, que cumpra os seus pergaminhos e faça uma boa campanha na Europa. Queremos continuar a investir (temos essa capacidade, ligeiramente adaptada), mas com segurança e com a certeza de que teremos sempre uma equipa bastante competitiva.

Texto: Filipa Fernandes Garcia, João Sanches e Marco Rebelo

Fotos: SL Benfica / Arquivo

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