Clube

13 julho 2020, 19h15

Domingos Soares de Oliveira

Decorreu nesta segunda-feira, por videoconferência, a sessão especial de apresentação de resultados das emissões de obrigações "Benfica SAD 2020-2023". A 10.ª Oferta Pública de Subscrição foi um sucesso, com procura até 70 milhões de euros, ultrapassando em 40 por cento a oferta de 50 milhões de euros.

No total, este empréstimo obrigacionista foi subscrito por 3688 investidores, numa procura diária sempre no sentido crescente, o que demonstra o interesse por alternativas de investimento e diversificação das aplicações financeiras.

Durante a sessão mediada pela Euronext, foi aberto um momento de perguntas a Domingos Soares de Oliveira. O CEO do Grupo Benfica explicou a razão para o aumento do valor da emissão de 35 milhões para 50 milhões de euros; admitiu que haverá um valor alocado ao reforço do plantel da equipa de futebol e que os talentos formados no Seixal continuam a ser uma opção válida; ligou o sucesso da operação à confiança demonstrada pelos investidores; e revelou que impacto terá a COVID-19 no exercício 2019/20 do Clube.

Gráfico Empréstimo Obrigacionista

Este resultado revela grande confiança por parte dos investidores e do mercado financeiro. Que leitura lhe merece esta conclusão?

O último reembolso que fizemos foi em abril. O facto de não termos falhado perante os nossos investidores, numa altura absolutamente crítica em que ninguém sabia muito bem como iria ser o futuro, foi a primeira mensagem que transmitimos ao mercado. No momento certo, e quando for necessário, podem contar connosco. Não falhar sempre foi um princípio e conseguimos respeitá-lo nas dez emissões que fizemos. Quando avançámos para o mercado em julho, eu tinha razoáveis esperanças de que esta emissão seria um sucesso. Acreditava que os investidores saberiam olhar para a Benfica, SAD como um emitente que cumpre, com uma taxa de juro que, sendo atrativa, não é extraordinária. Fazer uma emissão nesta altura, com uma taxa de juro competitiva (de quatro por cento), e ter tido sucesso é claramente sinal de que os investidores continuaram a confiar na Benfica, SAD. Outro facto importante a destacar é que logo no primeiro dia o montante que tínhamos disponibilizado inicialmente (35 milhões de euros) foi ultrapassado. Houve uma adesão entusiástica da parte dos investidores relativamente a esta emissão, o que também nos dá uma certeza grande de sucesso quando no futuro quisermos fazer novas emissões. É importante que o nosso histórico se mantenha. Com esta, temos agora três emissões ativas e reembolsos para fazer nos anos vindouros, em 2022 e 2023. É importante que o cumprimento, o rigor e a disciplina se mantenham.

Domingos Soares de Oliveira

"Obrigacionista permite-nos ter a tesouraria necessária para encarar o próximo ano de forma mais tranquila"

O que levou a Sport Lisboa e Benfica, SAD a aumentar o valor do empréstimo obrigacionista de 35 para 50 milhões de euros?

Fomos prudentes no valor definido inicialmente, porque não sabíamos bem como é que o mercado ia reagir. Podermos ter aqui um reforço adicional das possibilidades de tesouraria foi aproveitado, no bom sentido. A procura foi de 70 milhões de euros, e no dia em que tivemos de tomar a decisão de aumentar o valor já tínhamos uma noção dos montantes que iriam ser alcançados. Com uma política conservadora de aumento, não esticando demasiado o montante solicitado, decidimos fazer este investimento limitado de 15 milhões. Dá-nos uma folga adicional relativamente à próxima época desportiva.

Este empréstimo obrigacionista pode servir para reforçar o plantel ou contratar um treinador?

Em relação ao reforço do plantel, sim. Quanto mais disponibilidade financeira tivermos, mais capacidade temos para investir. Isso não entra em rota de colisão com qualquer política disparata do ponto de vista de proteção do balanço económico. Em relação ao treinador, não. A nossa instituição fatura cerca de 300 milhões de euros e na nossa realidade não precisa de disponibilizar valor para um treinador.

Domingos Soares de Oliveira

"Quanto mais disponibilidade financeira tivermos, mais capacidade temos para investir"

Significa maior capacidade de investimento do Benfica?

Fazer uma emissão obrigacionista no mês de julho no montante de 50 milhões de euros, quando reembolsámos 75 milhões no início do ano, significa duas coisas: uma redução do nosso endividamento quando comparado com a data de 31 de dezembro do ano passado e uma capacidade acrescida do ponto de vista de tesouraria, que nos vai permitir reforçar os investimentos que tínhamos de fazer na nossa atividade principal, que é o futebol.

Estamos a assistir a uma mudança de paradigma no futebol profissional do Benfica? O investimento deixará de ser feito, de alguma forma, no Seixal e passará a incidir em jogadores e treinadores mais caros?

Não, não há mudança de paradigma. Creio que existe, por vezes, pouca consciência daquilo que tem sido a política de investimentos do Benfica no seu plantel. Desde 2010/11 temos um valor médio de investimento anual que ultrapassa os 55 milhões de euros. Já tivemos anos em que fizemos investimentos de 84 milhões de euros. O investimento nesta época 2019/20 foi superior a 60 milhões. O Benfica nunca deixou de investir por contraponto de uma aposta cega no Seixal. Já fizemos operações de recurso ao mercado para efeitos de empréstimos obrigacionistas superiores ou iguais ao montante que obtivemos agora. Não há, nunca houve uma travagem relativamente a este investimento. O que acontece também é que a qualidade dos atletas formados no Seixal permitiu acrescentar montante não mensurável do ponto de vista de balanço, com ativos de alta qualidade. Se pensarem bem na quantidade de jogadores que vieram do Seixal e que já integraram ou que integram o plantel... Se cada um desses jogadores custasse qualquer coisa entre 5 e 10 milhões de euros, os nossos investimentos rondariam valores muito acima daquele que acabei de referir. Não houve, não há e não haverá uma mudança de paradigma entre esta necessidade de integrar bons jogadores e juntar-lhes outros bons jogadores oriundos do Seixal, para conseguir uma solução harmoniosa do ponto de vista de crescimento e equilíbrio do nosso plantel. Os nossos montantes de investimento ao longo dos últimos anos foram sempre suficientemente robustos e elevados. Este empréstimo obrigacionista permite-nos ter a tesouraria necessária para podermos encarar o próximo ano em todas as suas vertentes, e não apenas de investimento, de uma maneira mais tranquila.

Domingos Soares de Oliveira

"Não houve mudança de paradigma: integrar bons jogadores e juntar-lhes bons oriundos do Seixal"

Numa entrevista em junho referiu um provável travão no investimento. O sucesso desta operação e a entrada de uma nova equipa técnica obriga a mudar a estratégia?

Efetivamente, numa entrevista, referi que poderia haver uma contração no investimento. A verdade é que o mercado, nestas últimas duas semanas, mexeu e o que estamos a sentir são boas notícias em todas as rubricas que referi. No ponto de vista das transferências, o mercado está a mexer; em relação aos jogos à porta fechada, o que estamos a ver na Europa é que os jogos vão ser à porta aberta; nas competições europeias, em relação ao Benfica, o que se percebe é que todos os países na Europa – pelo menos os clubes das primeiras ligas que disputam as provas europeias – estão a seguir protocolos sanitários idênticos ao nosso. Significa que o risco de transmissão da COVID-19 entre estas equipas pode ser atenuado, se continuarmos a ter estes cuidados sanitários. Cumprindo os protocolos que estão a ser preparados pela UEFA, os jogos das competições europeias terão o mesmo ritmo e encaixe que tivemos no passado.

Tem algum número em mente para atingir em venda de jogadores?

Não. E, conforme já tive oportunidade de dizer, não vamos entrar em qualquer processo de vendas com saldos porque não temos essa necessidade. O mercado é aberto. Tivemos dúvidas de como é que o mercado se iria comportar neste período – diferente – de transferências e começamos agora a ver as primeiras transferências com montantes robustos e o mercado europeu normalmente tem um comportamento interessante, que é um bocadinho em cascata. Desde que haja investimento nos 10/12 grandes clubes, esses investimentos depois têm uma progressão porque quem vende a esses clubes fica depois com capacidade para comprar. É expectável que o mercado se anime ao longo dos próximos meses, é essa a nossa expectativa, mas não temos nenhum número de necessidades de vendas.

Domingos Soares de Oliveira

"O mercado, nestas últimas duas semanas, mexeu. Estamos a sentir boas notícias..."

Confirma ou desmente as notícias que dão conta de contactos diretos ou indiretos com Jorge Jesus ao Benfica?

Não, não confirmo qualquer contacto direto com o treinador Jorge Jesus. Já tive ocasião de explicar isto: o nosso Presidente tem uma relação pessoal com o treinador Jorge Jesus, é natural que converse com ele, mas não há, neste momento, qualquer situação oficial entre o Benfica e o treinador Jorge Jesus.

A Sport Lisboa e Benfica, SAD, tendo em conta o contexto difícil de captação de receita, pretende realizar novas emissões obrigacionistas este ano?

Não, não temos, neste momento, no ano 2020, previsto fazer qualquer nova emissão de empréstimos obrigacionistas.

Domingos Soares de Oliveira

Qual foi o impacto financeiro da COVID-19 nas contas da SAD?

Temos um valor de bilhética de um milhão de euros por jogo em casa. Não conseguimos realizar cinco jogos no Estádio da Luz com público, o que resulta num impacto direto de 5 milhões de euros. Se considerarmos todas as outras vertentes (nomeadamente em termos de merchandising, que teve uma quebra muito relevante), apontamos que o impacto final no exercício de 2019/20 vai ser de 20 a 25 milhões de euros.

Texto: Filipa Fernandes Garcia, João Sanches e Marco Rebelo

Fotos: João Paulo Trindade / SL Benfica

Última atualização: 14 de julho de 2020

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