Futebol

16 abril 2021, 16h52

Jorge Jesus

ANTEVISÃO

O Benfica recebe (sábado, às 18h00) o Gil Vicente em jogo na contar para a 27.ª jornada da Liga NOS. Jorge Jesus deixou elogios à formação de Ricardo Soares, "uma equipa que não é fácil de bater", alertou. 

Na conferência de Imprensa de antevisão, realizada no Benfica Campus, o técnico admitiu ainda que já olhou para o calendário dos rivais até ao fim da época e confessou-se agradado por ainda ter de receber os dois principais adversários no topo da Liga NOS, Sporting e FC Porto.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Como reage às declarações do treinador do Gil Vicente, Ricardo Soares, dando-lhe razão sobre a forma como a COVID-19 afetou o plantel do Benfica?

A COVID-19 foi uma novidade em todas as áreas e no futebol também. Para nós, já foi ultrapassada. Felizmente conseguimos recuperar o grupo e agora há que continuar como temos vindo a fazer neste último mês e meio. Com todos os jogadores disponíveis para treinar, com uma capacidade física muito melhor, a melhorarem individualmente e depois a equipa, por tabela, também melhora coletivamente.

Que Gil Vicente espera defrontar no Estádio da Luz?

O Gil Vicente é uma equipa bem organizada. Tem uma intensidade de jogo alta, um jogo agressivo, no bom sentido como é óbvio. Não é fácil bater esta equipa do Gil Vicente, seja fora ou em casa. Vamos ter um jogo difícil como temos tido vários jogos difíceis no Estádio da Luz, continuando sempre a pensar que temos a capacidade e a "obrigação" de somar mais uma vitória, porque o nosso caminho é esse e não há outro, mas estamos preparados para as dificuldades. Estamos muito confiantes para que possamos somar mais uma vitória.

"Muito confiantes para que possamos somar mais uma vitória"
Jorge Jesus, treinador do Benfica

Nesta fase da época tem prazer em ver os atletas do Benfica a jogar em campo, ou acredita que a equipa ainda não está no ponto?

Acredito sempre que as equipas, e neste caso os jogadores, melhorem. Se os jogadores melhorarem individualmente, vão acabar por melhorar coletivamente. Sei que ainda faltam oito jogos [no Campeonato] e o Benfica ainda tem muito para crescer, mas isso é normal. Os anos de trabalho dos treinadores vão melhorando as equipas. O Benfica ainda tem muito para crescer porque o tempo de trabalho aumenta a qualidade às equipas, neste caso ao Benfica, e aumenta a qualidade individual dos jogadores.

O Benfica já não sofre golos há sete jogos, mas o treinador do Gil Vicente reforçou que a equipa marcou nos últimos quatro… Será esse um dos pontos fortes do Gil Vicente?

O nosso primeiro grande objetivo é somar os três pontos, sabendo que, não sofrendo golos, estamos mais perto de poder ganhar. É nisso que acreditamos. Vamos tentar ser perfeitos como temos vindo a ser do ponto de vista ofensivo e defensivo. Às vezes não se sofre golos por sorte, outras vezes é porque o adversário não tem possibilidades para criar ações de finalização. Queremos ser uma equipa com muita organização defensiva, que não dê possibilidades ao adversário de ter situações de finalização, remates à baliza. É isso que vamos tentar fazer, e marcar golos com a nossa qualidade e criatividade. O Benfica tem, cada vez mais, jogadores que, a qualquer momento, podem criar individualmente e fazer a diferença. 

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Há umas semanas, antes de jogar em Braga e de chegar ao terceiro lugar, disse que ainda pensava no primeiro lugar, mas que tinha de avançar passo a passo. A distância para o segundo mantém-se, mas recuperou quatro pontos face à equipa que ainda lidera o Campeonato. Olhando para as últimas oito jornadas, ainda vê uma competição totalmente em aberto?

O que sei é a recuperação que estamos a tentar fazer jogo a jogo e em relação aos adversários que estão à nossa frente. Neste momento estão dois. Para chegarmos ao primeiro temos de alcançar o segundo, e depois há uma vantagem e uma desvantagem. Para chegarmos ao segundo dependemos de nós, para chegarmos ao primeiro dependemos dos outros. É dentro desta lógica que acreditamos que, jogo a jogo, somando os três pontos como temos vindo a fazer nos últimos encontros, podemos recuperar o segundo lugar, porque só dependemos de nós. O resto é o adversário que vai à nossa frente que tem essa responsabilidade e sabemos que estamos dependentes deles.

Com o aproximar do final da época, aumenta a tendência para olhar para os jogos que faltam a cada um dos candidatos e fazer comparações. Já olhou para esse calendário? Qual dos três tem um final de época mais complicado? 

Claro que olhei, mas isso é subjetivo. No futebol, às vezes, os jogos que parecem mais fáceis tornam-se mais difíceis. Aquilo que nos agrada nestes últimos jogos é que dois deles são contra rivais que vão à nossa frente. Para nós, isso é importante. Baseamo-nos no que podemos controlar, que são os nossos jogos e, mesmo assim, às vezes não conseguimos controlar tudo. Isso, para mim e para a equipa, é um fator que nos dá mais confiança.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Jogou com o 3x4x3 em Paços de Ferreira. Nestes últimos oito jogos do Campeonato vai preferir apostar apenas num sistema tático ou vai variar de jogo para jogo?

Estamos a trabalhar, porque também não dá para trabalhar muitos em simultâneo, pelo menos no plano A e no plano B. É isso que temos feito, estamos a sair-nos bem tanto num sistema como no outro, isso tem muito a ver com os jogadores do Benfica e zero com o adversário. É nisso que apostamos e é nisso que acreditamos.

Onde é que sente que a equipa está eventualmente mais longe daquilo que pretende?

Acredito que a soma do trabalho justifica a qualidade do jogo da equipa e do próprio jogador individualmente. Onde é que podemos crescer mais? Em todos os momentos do jogo, uns são mais difíceis do que outros. Ao longo da minha carreira, quanto mais tempo os jogadores trabalham comigo, mais forte a equipa fica. 

"Vamos tentar ser perfeitos como temos vindo a ser"
Jorge Jesus, treinador do Benfica

Já disse várias vezes que entende que a melhor equipa é aquela que vai à frente do Campeonato. No entanto, o Benfica é a equipa com mais vitórias consecutivas atualmente. Pode-se dizer que nesta altura é o mais forte do Campeonato?

Há alturas em que as equipas têm momentos melhores e momentos piores durante a época, mas a melhor é aquela que chega ao fim e ganha. Ao longo do percurso e da soma dos 34 jogos foi aquela que mais pontos fez, portanto, essa tem de ser a melhor equipa, na minha opinião. O Benfica, nos últimos desafios, fez cinco/seis jogos interessantes, mas na soma de todos os encontros não foi melhor. O melhor foi o Sporting, porque está à frente.

Uma das questões na ordem do dia é se a Liga deve continuar com 18 clubes ou reduzir para 16 nos próximos anos. Qual é a sua opinião? 

Eu sou tão defensor do futebol num Campeonato com 16 equipas como com 18. Um Campeonato com 16 pode ser mais vantajoso para as equipas que normalmente vão às competições europeias, porque têm menos jogos durante o Campeonato e isso pode dar-lhes alguma vantagem. Por outro lado, acredito que reduzindo de 18 para 16 deixamos de ter duas equipas na Primeira Divisão. Se fizer um plantel de 25, são 50 jogadores. São 50 jogadores que ficam com mais dificuldade em ter trabalho. Há interesses para uma parte e para outra. Estou mais preocupado que esses jogadores tenham mercado e possam estar na I Divisão.

Jorge Jesus, treinador do Benfica

Pedia-lhe um comentário às declarações de Pepe, que confessou que se sentiu envergonhado depois das suas declarações sobre Eustáquio e disse mesmo que o Benfica não se pronunciou quando Corona sofreu diversas faltas frente ao Benfica...

Eu falo diretamente, como é óbvio, dos meus rivais, dos adversários, como foi o caso do Eustáquio, que aconteceu num jogo comigo, não vou falar de outros jogos. O que aconteceu no jogo do Paços [de Ferreira], com o Eustáquio e o Weigl... No momento, logo no campo, eu vi o lance, depois vi o lance após o jogo, um pouco à pressa. Depois de ter analisado bem o lance, percebo perfeitamente porque é que o Eustáquio chegou tarde ao momento da decisão da bola entre ele e o Weigl. Quem jogou futebol e andou muitos anos nisto… Sou do tempo do pé em riste em que não se passava nada. Hoje isso já não pode existir no futebol. Quando os jogadores chegam tarde à bola levam amarelo ou vermelho. Depois percebi porque é que ele fez isso. Fez sem intenção, sem querer magoar o Weigl, ao contrário do que achei. Vi com outros olhos, não porque alguém estivesse de acordo, ou não. Vi coisas que só quem joga é que percebe. Vi depois do jogo que não tinha intencionalidade nenhuma pela perna de apoio dele, a forma como escorrega e perde o equilíbrio. Fui sempre jogador, sou de outro tempo, sei o que são tempos de entrada, os momentos em que queremos dar na bola ou não queremos... O Eustáquio não teve intencionalidade nenhuma. Não vou comentar o que o Pepe disse. Comentar o que o Pepe disse sobre uma jogada destas? Grande moral...

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Texto: Diogo Nascimento e Filipa Fernandes Garcia
Fotos: Tânia Paulo / SL Benfica
Última atualização: 16 de abril de 2021

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