22 de março de 2018, 16h32

Efeméride: "Monumental Adeus" à antiga Catedral

Clube

Há precisamente 15 anos (22 de março de 2003) jogava-se o último jogo no velhinho Estádio da Luz… Depois da vitória, o relvado pintou-se de vermelho no adeus a um recinto que se voltaria a erguer ali ao lado.

Hoje, faz parte do coração e da memória do Benfiquista. A velha Catedral foi demolida e deu lugar a um novo e moderno estádio, inaugurado em 2003. Mas fica a história da velha Luz, palco de inúmeras glórias dos encarnados... que terminou com um monumental e emocionado adeus.

1 de dezembro de 1954, data da Restauração da Independência de Portugal, foi o dia de um dos maiores feitos da História Benfiquista - a inauguração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica. Um Estádio Mítico para os Benfiquistas. Foi o culminar de um sonho de muitos anos. Um monumento erguido com a vontade de um povo! Após várias décadas sem casa própria, o maior e mais popular clube português conseguia, finalmente, um estádio à imagem da sua dimensão.

Finalmente, às 11h00 desse mesmo dia, Joaquim Ferreira Bogalho – presidente do Benfica na altura e o maior responsável pela passagem do sonho à realidade –, abriu, simbolicamente, uma das portas de acesso ao antigo Estádio da Luz, inaugurando um dos mais belos recintos desportivos do mundo.

Originalmente com "dois anéis", sem iluminação e isolado, seria mais tarde dotado de torres de iluminação (1958), de um (que viria a ser eterno e mítico) Terceiro Anel construído em duas fases (1960 e 1985, permitindo aumentar a sua lotação para 66 000 e 120 000 espetadores, respetivamente) e de inúmeras infraestruturas desportivas em redor.

 Antigo Estádio da Luz

A estreia não foi muito feliz para os encarnados: derrota para o rival FC Porto (3-1) – uma vingança pela goleada do Benfica (8-2) na abertura do Estádio das Antas, pouco mais de dois anos antes, em maio de 1952. Mas os contratempos iniciais seriam apagados por um incrível e impressionante registo ao longo de quase 50 anos.

A década de 1960 seria gloriosa, com duas conquistas consecutivas da Taça dos Clubes Campeões Europeus (1960/61 e 1961/62), na célebre equipa comandado pelo húngaro Bela Guttmann fora de campo e pelo imortal Eusébio da Silva Ferreira dentro do relvado. Seguiram-se anos de Glória e Mística… até ao dia em que o velhinho e mítico Estádio da Luz foi demolido. 

A 22 de março de 2003, os Benfiquistas despediam-se da velha Catedral. Numa receção ao Santa Clara – em jogo da 26.ª jornada do Campeonato, que terminou com um triunfo encarnado por 1-0 –, registaram-se cerca de 55 mil espectadores, numa altura em que o velho recinto estava já limitado pela demolição do topo sul.

À partida, um Benfica-Santa Clara seria um jogo perfeitamente normal, mas quando se tornou o último de sempre na antiga Catedral, tornou-se um marco histórico e memorável na vida do clube…"Cai um templo, mas a fé continua...A NOSSA LUZ SERÁ ETERNA!", lia-se numa tarja estendida. 

Antigo Estádio da Luz

Subiram ao relvado, de início: Moreira, Miguel, Argel (73’ João Pinto), Hélder, Ricardo Rocha (46’ Armando Sá), Petit, Tiago, Geovanni, Zlatko Zahovič (46’ Sokota), Nuno Gomes e Simão Sabrosa.

A festa do “Monumental Adeus” seria, então, coroada com uma vitória (depois de uma grande penalidade, aos 62’, convertida por Simão Sabrosa). O Estádio da Luz deitou-se tarde na última noite em que recebeu um jogo. Houve Daniela Mercury, houve Rui Costa, houve Eriksson, houve fogo-de-artifício…

Uma grande festa de despedida em que o clube transformou a tristeza e a nostalgia que assinalaram a demolição da mítica Catedral em alegria e festa, com a projeção do futuro que se erguia ali ao lado. 

O novo Estádio da Luz seria inaugurado pouco tempo depois, a 25 de outubro de 2003.

Texto: Filipa Fernandes Garcia

Fotos: Arquivo / SL Benfica

 

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