23 de março de 2018, 16h04

Fred Winters: “Tive a sorte de escolher a equipa certa”

Voleibol

O voleibolista do Benfica falou dos primeiros tempos de Benfica, assumiu ter escolhido o Clube ideal e espera conquistar títulos de águia ao peito.

O internacional canadiano Fred Winters explicou, em entrevista concedida à BTV, a vinda para o Benfica, mostrou-se satisfeito no Clube e ambicioso para vencer os troféus ainda em disputa.

Que balanço faz destes meses no Benfica?

Tem sido bom. É uma adaptação, jogar aqui é diferente de jogar noutro clube qualquer, mas o meu agente preparou-me. O Vinhedo também me explicou como funciona. Tem sido impressionante.

O que encontrou de diferente dos outros clubes que já representou?

A maior diferença é a Liga. É difícil alternar entre jogos muito complicados e alguns com níveis de dificuldade mais baixos. Como jogador, é difícil estar focado em todos os jogos e esse é o maior desafio.

Fred Winters

O facto de ter jogado no Brasil e perceber português ajudou na adaptação a Portugal?

Sim, acho que acabou por facilitar, mas, como em todos os sítios onde joguei, a língua nunca foi o problema porque a maioria dos colegas fala inglês.

Como tem sido a sua carreira até aqui?

À medida que vou ficando mais velho, fico mais satisfeito e orgulhoso da minha carreira. Quando comecei há 14/15 anos nunca pensei vir a jogar tanto tempo e sinto-me bem. Sei que não dura para sempre e joguei Voleibol por todo o mundo. Tenho orgulho no que fiz e estou motivado para continuar.

E porquê o Voleibol?

Adoro basquetebol, foi a minha primeira paixão, mas era muito bom em Voleibol e consegui uma bolsa de estudo para jogar na universidade. Acabei por escolher esta modalidade.

As condições do Clube surpreenderam-no?

Não, eu estava preparado porque alguns canadianos já aqui tinham jogado e falaram-me disso. Já estava à espera porque quando se joga por um clube que tem tanta tradição e uma equipa de futebol tão reconhecida é sempre assim. Tive a sorte de jogar no Cruzeiro enquanto estive no Brasil e eles tinham o mesmo tipo de organização.

Já conhecia o Benfica antes de ingressar na equipa?

“Jogar aqui é diferente de jogar noutro clube”

Sim. Quando se joga na Europa algum tempo, acaba-se por seguir a Liga dos Campeões no futebol e o Benfica costuma estar lá. Estava familiarizado com o Clube.

Foi bem-recebido?

Sim, eu vim para ajudar a equipa. Vim dois meses depois do arranque da temporada. Não tinha contrato e estava a procurar algo bom, um sítio onde tivesse a hipótese de vencer um Campeonato. Toda a gente me tem apoiado e são todos bons rapazes.

Apesar da eliminação da Challenge Cup, o balanço é positivo?

Gostávamos de ter disputado o 4.º set aqui com o Ravenna. As estatísticas dizem-nos que fomos tão bons como eles, se não melhores. Eu estive em várias equipas e sei que a nossa tem realmente muita qualidade, mas acho que o facto de termos um menor número de jogos muito competitivos do que eles, durante a temporada, fez a diferença.

Qual foi o segredo para eliminar o Espinho com um score de 9-1?

Foi o foco. Sabíamos quais eram os jogadores deles que nos podiam criar dificuldades, mas se jogássemos de forma regular e confiante não iríamos ter problemas em passar.

Os adeptos foram importantes para as três vitórias?

Claro, em Espinho foi algo especial. A organização mudou o pavilhão quando antes já tinha cancelado o jogo. Eu e o Ivo Casas já estávamos no carro, com a minha mãe e a minha mulher, a viajar para o Porto quando nos ligaram para voltar. Felizmente, recuperamos rapidamente o foco e vencemos o jogo com a ajuda do público que foi muito importante.

Fred Winters

Esperava que os adeptos fossem assim?

Como um desporto secundário no Benfica sabia que não teríamos a maior fatia dos adeptos, porque é difícil encher um pavilhão em todos os jogos, mas os adeptos que aparecem apoiam-nos e preocupam-se com a equipa.

Quais são as expectativas para o jogo dos quartos de final da Taça de Portugal com a Fonte do Bastardo?

O primeiro objetivo agora é ganhar a Taça, sem dúvida. Temos de nos focar num jogo de cada vez. Espero uma partida mais complicada do que aquela que tivemos na Liga aqui, porque eles tinham um jogador ou dois lesionado.

O primeiro objetivo agora é ganhar a Taça

Além do Voleibol, o que faz aqui em Lisboa?

A minha mulher gosta de cozinhar e de gastronomia, então vamos a muitos restaurantes, experimentamos algumas comidas diferentes. Isso é uma grande parte dos meus dias de folga. Lisboa é uma grande cidade para se fazer isso. Ainda vejo muito basquetebol.

E acompanha a nossa equipa de basquetebol?

Um bocado. Eles estão a sair-se bem. Não os conheço pessoalmente, mas já vi alguns jogos. O basquetebol é muito mais agressivo do que me lembro de ver no Canadá. É muito físico. Não sei se é só em Portugal ou se é na Europa em geral.

Quais são os seus objetivos aqui no Benfica?

Na primeira entrevista que dei disse que vim para ganhar e é basicamente isso. É a principal razão que me fez vir. Já ganhei bastantes Campeonatos e também já joguei em equipas com menos qualidade. Tive a sorte de escolher a equipa certa. A época pode terminar em seis, sete ou oito jogos. São esses jogos que temos de vencer para conquistar o Campeonato e a Taça de Portugal.

Texto e entrevista: Luís Afonso Guerreiro

Fotos: João Paulo Trindade / SL Benfica

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