Futebol

03 maio 2019, 13h19

Bruno Lage

Bruno Lage abriu, esta sexta-feira, a conferência de Imprensa com uma mensagem de apoio a Iker Casillas e só depois lançou a receção ao Portimonense, marcada para este sábado (18h00, no Estádio da Luz). O técnico do Benfica perspetiva um “jogo muito difícil” frente a uma equipa “com uma enorme organização” e alerta: “temos de estar no nosso melhor para conquistar os três pontos nesta final.”

Como perspetiva esta receção ao Portimonense, com o Benfica como líder isolado? Peço-lhe ainda uma análise ao adversário, uma equipa irregular, mas que foi a última a derrotar o Benfica no Campeonato.

Antes de mais, quero aproveitar a oportunidade para, publicamente, desejar as rápidas melhoras ao Iker Casillas. Tivemos um dia em que temos de nos unir, é verdade, em torno de uma infelicidade, mas às vezes são estes momentos que temos para refletir sobre aquilo que queremos para o futebol nacional. E, às vezes, também sentir que são este tipo de jogadores que, com o prestígio e a qualidade que têm, engrandecem o nosso campeonato. Temos de estar muito felizes por ter um jogador como ele, com o seu historial, no nosso campeonato.

Agora, em relação ao Portimonense, perspetivamos um jogo muito difícil. O Portimonense tem uma boa equipa, muito bem orientada. Joga muito bem, sabe jogar em diversos sistemas e tem três homens muito perigosos na frente, três mais o médio-ofensivo. Esperamos uma equipa com uma enorme organização e uma vontade enorme de espreitar os espaços que podemos oferecer para criar oportunidades. Não está numa situação difícil, mas ainda precisa de pontos para garantir a manutenção. Antevejo um jogo muito difícil. Temos de estar no nosso melhor para conquistar os três pontos nesta final.

Bruno Lage

Ainda sobre Casillas… É verdade que no jogo da vida não há rivais, mas isto sente-se muito estando numa equipa de alto nível? Há o pensamento de que “podia ter sido connosco”?

Eu estou aqui há sensivelmente quatro meses e digo-vos que é dia a dia, no desporto como na vida. Vejo o exemplo dele [Iker Casillas], um homem saudável, recheado de títulos – já conquistou tudo aquilo que tinha para ganhar – e, num dia normal, tem uma situação que o leva, se calhar, a pensar no que é a essência da vida. Todos nós temos isso ao longo da vida, por vários motivos. Seja por uma questão familiar ou até mesmo no nosso percurso profissional. Eu já o tive. Às vezes, temos de pensar e perceber que aquilo que controlamos é apenas e só o nosso caminho, e o nosso caminho é feito dia a dia. Não é estar muito preocupado em fazer grandes projeções para o futuro, não é olhar para o lado e ver o que o vizinho tem… Aquilo que acredito é que a vida arranja uma maneira, se não for por este caminho será por outro, e as coisas que hão de ser nossas vão parar às nossas mãos, com muito trabalho e dedicação. Acredito muito nisso. Não sabemos o que acontece nas próximas horas. É dia a dia. Na vida, como no desporto e no futebol em particular, é jogo a jogo, de final em final.

Bruno Lage

O que mudou desde a derrota com o Portimonense na primeira volta?

O que nós fizemos a partir dessa altura foi olhar para aquilo que é nosso, tentar idealizar e tentar convencer os jogadores que tínhamos uma maneira de treinar que, de alguma forma, poderia ajudar a que eles fossem mais equipa, uma equipa mais competitiva. Não é que não o tivessem sido no passado, mas era fundamental ser mais regular. Foi isso que nós fizemos. Treinámos segundo a maneira em que eu acredito e fomos, de treino em treino, de jogo em jogo, jogando bem, criando as nossas oportunidades de golo, marcando os nossos golos e conquistando os nossos pontos.

Bruno Lage

Com Rúben Dias expulso, Ferro e Jardel, em princípio, vão fazer dupla na defesa do Benfica, mas nunca jogaram na esquerda. Tem sido feita essa adaptação nos treinos?

É perspetivar aquilo que podemos tirar de melhor de um e de outro, quer a direita quer à esquerda. Não foi difícil encontrar a solução, foi fácil. Vai ser o Jardel a entrar na equipa. É o nosso capitão e vai jogar com o Ferro. Foi fácil, uma conversa a três para perceber o que cada um pode oferecer, quer à direita quer à esquerda, e começar a preparar isso. Foi o que fizemos durante a semana.

Bruno Lage

A que é que se deve o forte apoio dos adeptos do Benfica a Bruno Lage, em contraste com alguma contestação a treinadores passados? À rotina de vitórias que conseguiu trazer para a equipa do Benfica ou há mais alguma coisa?

A comparação mais justa que tem de se fazer com os treinadores anteriores é que eles ganharam títulos, e eu ainda não ganhei nada. Aquilo que é mais importante neste momento é o que eu controlo, que é o meu trabalho. É um elogio que pode não ser tão real como parece. Acredito que, ao intervalo do jogo com o SC Braga, esse apoio a 100% não seja assim tão real. Se calhar, no final do jogo, já era. É a nossa vida, mas o mais importante é ter consciência do trabalho que estamos a fazer, ter lógica naquilo que vamos apresentando em cada onze, em cada estratégia, em cada desafio. Depois, vamos a jogo com as nossas ideias e, fundamentalmente, é importante que os jogadores acreditem no trabalho. Isso é que tem sido o fundamental porque grande parte do trabalho e do mérito tem sido dos jogadores. Claro que tem sido importante o apoio dos nossos adeptos, tem sido fantástico desde a primeira hora – quando eu cá cheguei e perdíamos por 2-0 contra o Rio Ave – e, de alguma forma, tem-nos ajudado nesse caminho. No sábado, temos mais uma final com o Portimonense e espero que sejam ainda mais assertivos nesta ponta final, porque bem precisamos do apoio deles.

Texto: Filipa Fernandes Garcia

Fotos: Isabel Cutileiro / SL Benfica

Última atualização: 9 de julho de 2019

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