14 de junho de 2019, 16h23

"Chegou a altura de dizer 'basta'!"

Futsal

Gonçalo Alves, team manager da equipa de futsal do Benfica, recriminou o "vale-tudo" do Sporting que "condicionou" e "influenciou" a dupla de arbitragem no quarto dérbi da final do Campeonato Nacional, contrapondo a "postura impecável" das águias nos últimos anos.

"Em 30 anos de futsal, nunca vi nada como isto. Foi um dia negro", reagiu Gonçalo Alves, team manager do Benfica, a propósito dos casos e dos sucessivos erros de arbitragem, sempre contra as águias, no jogo 4 da final do Campeonato Nacional, disputado na quinta-feira no reduto do Sporting, cujo discurso negativo após o terceiro jogo "condicionou os árbitros" para este dérbi.

"Já é uma atitude típica do Sporting. Cada vez que perde um jogo das finais tem este tipo de comportamento e tira proveito disso, o que é lamentável. Infelizmente os árbitros deixam-se influenciar e condicionar. A arbitragem de ontem [quinta-feira] é lamentável e chegou o dia de dizer 'basta', não brinquem com o Benfica", frisou Gonçalo Alves em entrevista à BTV.

"Foi um dia negro para o futsal português. Foram erros a mais contra o Benfica, um clube que, de há anos para cá, tem tido uma postura impecável, nada havendo a apontar. Quando perde ou quando ganha, nunca são os árbitros. No entanto, há outros clubes que têm uma postura completamente oposta: quando ganham os árbitros são excelentes, quando perdem os árbitros são sempre horríveis. E tiram dividendos. A dupla de arbitragem estava completamente condicionada", salientou o team manager.

Sporting-Benfica

"Revendo os lances, confirmamos que houve um amadorismo total por parte desta dupla de arbitragem. Então o lance que deu origem ao 4-3, que virou o resultado completamente... O André Coelho ganha posição, toca na bola e segue... Falta! O árbitro que apita é o que está mal posicionado. O outro está em linha, vê o lance, percebe que não é falta... Isto é que é grave: o árbitro que está mal posicionado é que apita. Mas temos algum azar com ele, o Benfica raramente ganha com este árbitro e há sempre lances polémicos, jogadores expulsos...", lamentou Gonçalo Alves, analisando em particular outra das más decisões de arbitragem, uma falta atribuída a André Coelho por (inexistente) mão na bola.

"Não há falta, toda a gente viu. Curioso é que este lance começou numa falta ofensiva, em que o Deo se atirou para o chão, uma coisa típica. Assinalou-se um livre de 10 metros e, como não deu golo, depois foi assinalado praticamente um penálti. O que vale é que ainda tivemos o André Correia [guarda-redes], senão o Benfica era goleado. Eu acho que o objetivo, ontem [quinta-feira], nem era que o Benfica perdesse; era que fosse goleado, esmagado. Mesmo assim, fomos a prolongamento, lutámos até ao fim. Não há nada a dizer a estes jogadores. Estavam super-revoltados e no domingo vão mostrá-lo dentro de campo", antecipou o responsável do Benfica.

Sporting-Benfica

Num determinado momento do dérbi, o sportinguista Deo, sentado no banco de suplentes, usou uma garrafa para esguichar água para o interior da quadra. Uma atitude antidesportiva, cujo vídeo corre nas redes sociais, merecedora de "severa e exemplar" punição, defendeu Gonçalo Alves.

"Isto é lamentável, é o vale-tudo! O André Coelho passou por ali segundos depois. Para que se tenha noção, muitas das lesões no futsal acontecem quando o piso está molhado. Se o André, quando passa, pisa mesmo a água, poderia ficar seis meses parado por causa de uma atitude antidesportiva e lamentável como esta. Espero que a Federação Portuguesa de Futebol veja isto e castigue severamente. Que este caso seja um exemplo", assinalou o team manager dos encarnados.

"No Benfica dizemos para não se fazer isto, somos contra este tipo de atitudes. O que aconteceu não pode passar impune. Isto não pode ser penalizado com um ou dois jogos de castigo. A punição tem de ser severa. Tem de ser um castigo de meses, para que ninguém faça mais", reforçou.

Gonçalo Alves

"Valeu tudo!", reiterou Gonçalo Alves, que também explicou o que se passou atrás dos bancos neste jogo. "Foi inacreditável! Fartei-me de chamar a atenção dos Assistentes de Recintos Desportivos e da Polícia, porque estavam a bater nos vidros por detrás do nosso banco. Valeu tudo! Insultos, cuspidelas, atirar bolas de matraquilhos, moedas, isqueiros, tudo... E houve um momento em que o vidro atrás do banco não aguentou. O nosso técnico de equipamentos, que estava sentado, levou com o vidro em cima. Felizmente não aconteceu nada de grave, mas podia ter acontecido. Não foi um acidente. Quero ver agora o que vai acontecer ao Pavilhão João Rocha. Este jogo vai ser bom para avaliarmos se vale tudo. Vamos estar atentos ao mapa de castigos", avisou Gonçalo Alves.

Derbi Futsal

"Não vamos desistir, ninguém se vai intimidar com este tipo de postura. A Federação Portuguesa de Futebol é que tem de fazer qualquer coisa. A mensagem que vai passar para todos os clubes da Liga Sport Zone é se vale tudo ou não. Vamos ver o que a FPF vai fazer", alertou.

O comportamento do sportinguista Cardinal, invetivando o Benfica e os seus jogadores, como se pôde perceber durante a transmissão televisiva, também mereceu um comentário do team manager: "O Benfica é odiado por muita gente porque é grande. Temos de esperar para ver o que a Federação Portuguesa de Futebol vai fazer."

Centrando o pensamento já no quinto e último jogo da final, aquele de onde vai sair o Campeão Nacional de futsal em 2018/19, Gonçalo Alves apelou a um apoio fortíssimo à equipa benfiquista, sabendo-se já que a lotação para este dérbi, marcado para as 14h20 de domingo no Pavilhão Fidelidade, está esgotada.

Sporting-Benfica

"Vai ser um jogo em que o Benfica vai dar tudo, dentro das regras, com um público fantástico. E o apelo que faço a todos os Benfiquistas é que vão ao Pavilhão para apoiar a equipa e não para estar contra A, B ou C. Criemos um autêntico inferno, no bom sentido, para apoiar a equipa, para que saia vencedora. Estes jogadores estão revoltados e vão fazer tudo para dar a vitória ao Benfica", assumiu Gonçalo Alves.

Texto: João Sanches

Fotos: João Paulo Trindade e Arquivo / SL Benfica

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