15 de novembro de 2018, 19h56

Luís Filipe Vieira: “Benfica pioneiro da globalização do futebol português”

Clube

O presidente do Benfica foi um dos oradores na homenagem prestada na Assembleia da República aos Campeões Europeus pelo Clube em 1961 e 1962.

Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, marcou presença no Auditório António Almeida Santos, na Assembleia da República, onde decorreu, esta quinta-feira, uma homenagem aos Campeões Europeus de 1961 e 1962, organizada pela Associação de Benfiquistas no Parlamento.

Homenagem aos Campeões Europeus

O líder dos encarnados recordou a preservação da história feita diariamente pelo Clube através do Museu Benfica – Cosme Damião; reconheceu a importância do feito alcançado pelos homenageados – e muitos outros – na globalização do futebol português e do Benfica; apontou para o futuro, projetando novos feitos do ponto de vista desportivo, mas também na sustentação da instituição ao nível das infraestruturas.

“Não há futuro sem memória e no Benfica sabemos bem o quanto isto é verdade. Há quase duas décadas iniciámos um processo de valorização da nossa história, da história do Sport Lisboa e Benfica, do seu património ímpar de vitórias e de conquistas, mas, também, de apoio a quem as concretizou”, começou por afirmar.

O Museu Cosme Damião é a face mais visível desse esforço de constante valorização da memória do Clube, dos seus símbolos e dos seus feitos. Um esforço de reconhecimento do passado e de apoio no presente. Saudamos, por isso, a Associação de Benfiquistas no Parlamento por esta justa homenagem aos Campeões Europeus de 1961 e 1962 e aos participantes de outras finais dessa década de ouro: Ângelo Martins, António Simões, Artur Santos, Fernando Cruz, José Augusto e Mário João, aqui presentes e homenageados, representam juntos a conquista de 82 títulos de Campeões Nacionais e Europeus. Feito absolutamente notável. Vocês, os seis, são os justos homenageados desta noite”, considerou.

“Mas é justo que se recordem aqueles que, de igual forma, contribuíram para essas conquistas: Costa Pereira, Cavém, Germano, José Neto, Joaquim Santana, Mário Coluna, José Águas, capitão nas duas finais, e Eusébio, símbolo maior de todos nós e que aqui também já homenageámos. O treinador Béla Guttmann e os presidentes Vieira de Brito e Fezas Vital. As vossas conquistas pioneiras confirmaram o Benfica como referência desportiva nacional e internacional”, lembrou Luís Filipe Vieira.

“Portugal foi pioneiro da globalização, através dos descobrimentos. O Sport Lisboa e Benfica foi pioneiro da globalização do futebol português. O Benfica é uma instituição que sempre soube projetar, dignificar e honrar o nome de Portugal. Quando pensamos sobre as instituições que mais se identificam com o País, que mais o representam, que maior ligação genuína têm ao seu povo, o nome do Sport Lisboa e Benfica surge naturalmente à cabeça. Foi graças ao nosso património de valores, de conquistas e de articulação entre a memória e o presente que o Benfica em muitos pontos do mundo é Portugal”, enfatizou.

Homenagem aos Campeões Europeus

Foi o vosso exemplo desportivo excecional que nos levou a querer ter no Benfica melhores condições de trabalho para a formação, para as várias modalidades e para uma crescente participação desportiva através de equipas masculinas e femininas. Nos últimos anos é reconhecido por todos o crescimento que o nosso Clube tem tido em infraestruturas, património, consolidação financeira e resultados desportivos. Hoje, o Benfica é visto como um exemplo de gestão desportiva em termos internacionais. Reconhecimento só possível devido ao ciclo de estabilidade e crescimento que criámos”, enalteceu.

“Na última década invertemos o ciclo de vitórias existente no futebol português, conquistando 17 títulos, mais do que qualquer outro clube. Para isso, muito contribuiu a estabilidade que imprimimos a este projeto, bem exemplificado pelo facto de o Benfica, nesse período, apenas ter tido dois treinadores. Entrámos agora num novo ciclo, com novos projetos e obras que são garantia de um Benfica ainda mais forte, sólido e ambicioso no futuro”, vaticinou o presidente das águias.

“Foi a memória dos vossos feitos que nos desafiou a querer transformar a excecionalidade das vossas conquistas em algo estrutural. Portugal é hoje uma referência internacional em várias áreas. O futebol é uma das maiores manifestações sociais, uma relevante indústria da economia nacional e uma plataforma para a internacionalização do país. E estando na casa da democracia, gostaria de realçar e relembrar o contributo absolutamente decisivo e único que os clubes, nas mais diferentes modalidades, têm dado ao desporto nacional”, destacou.

As instituições desportivas prestam um serviço à comunidade, sem paralelo na afirmação conjunta da promoção do desporto, responsabilidade social e afirmação do país”, acrescentou.

Termino, reafirmando que, no Benfica, sabemos de onde partimos, onde estamos e onde queremos estar. Com memória. Com presente. E com sentido de futuro. Obrigado à Associação de Benfiquistas no Parlamento. Parabéns aos homenageados! Viva o Sport Lisboa e Benfica! Viva Portugal”, assegurou Luís Filipe Vieira.

Homenagem aos Campeões Europeus

António Simões: “Temos um Clube com todos os traços de modernidade”

O antigo jogador do Benfica discursou na homenagem aos Campeões Europeus de 1960/61 e 1961/62 e pediu para que no Clube “haja sempre memória, afeto e gratidão”. Recordou a ligação às águias que vem do tempo de garoto, época em que esperava só para ver passar o autocarro do Benfica e considerou que ele, como Ângelo, José Augusto, Cruz, Artur Santos e Mário João, são Benfica pela “notável folha de serviço que permitiu alavancar o nome do Benfica”.

“Na atualidade, todos sabemos que o presente tem um peso esmagador sobre o passado, algo que se prefigura muitas vezes injusto. Eu, ainda garoto, andava a pé e não me importava de esperar uma eternidade só para ver passar o autocarro do Benfica. Na margem sul, onde nasci e cresci, guardo no lado mais gentil da minha memória a figura do Costa Pereira dentro do autocarro para minha alegria e comoção. Nessa altura e nos anos subsequentes o José Águas, o Coluna, o Germano, o Santana, o Cavém, o Neto… preencheram o meu imaginário de adolescente”, lembrou Simões.

“E o que dizer de Eusébio, o meu companheiro de sempre? Veio garantir o direito da imortalidade mercê de um génio sem igual, colocando Portugal no mapa, até no efetivo. Portugal e o nosso Benfica, que hoje desfruta de invejável estatuto de Clube mítico à escala planetária, tem muito da assinatura com golos protagonizados pelo melhor jogador português de todos os tempos. Eusébio que, passe a imodéstia, me tratava por irmão branco”, elogiou.

Homenagem aos Campeões Europeus

“Nesta sala estão Ângelo, Artur Santos, José Augusto, Fernando Cruz e Mário João, fantásticos companheiros que participaram em fantásticas epopeias e que se encontram ligados à geração mais ganhadora da centenária história do nosso Benfica. Mesmo não sendo Campeões Europeus, deixem-me que faça alusão ao Torres e ao Jaime Graça pela dedicatória e pelo que deram nessa fase de reconhecida grandeza. Digo aqui que o Ângelo, o Artur Santos, o José Augusto, o Cruz e o Mário João não são apenas do Benfica, são o Benfica! É assim que eu, sem reservas, sempre classifiquei, classifico e classificarei aqueles que, em virtude de uma notável folha de serviço, tanto contribuíram para alavancar o Benfica ao estatuto invejável que qualquer pessoa sensata constata sem renitência ou oposição”, esclareceu.

“Hoje, para nossa felicidade, temos um Clube com todos os traços de modernidade. Sentimos orgulho incontido na nova Luz, no complexo do Seixal, no ritmo de crescimento impetuoso que não reconhece limites e que jamais subtrai a ambição. Também títulos, muitos títulos. Em meu nome, dos meus companheiros aqui presentes e em memória do que já não estão entre nós, peço: haja sempre memória, haja sempre afeto, haja sempre gratidão”, reconheceu, por fim, António Simões.

No evento discursaram, ainda, Jorge Lacão, vice-presidente da Assembleia da República, Maria Antónia Almeida Santos, vice-presidente da Mesa da Assembleia da República e António Lourenço, presidente da Associação Benfiquistas do Parlamento.

A recordação e a exaltação dos feitos do Benfica numa altura em que as conquistas internacionais não pontificavam no País norteou todos os discursos, sendo que todos, sem exceção, consideraram justa uma homenagem a nomes incontornáveis da história centenária de um Clube que faz questão de a preservar no Museu Cosme Damião, mas com os olhos postos no futuro.

Texto: Marco Rebelo

Fotos: Isabel Cutileiro / SL Benfica

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