8 de novembro de 2019, 14h36

🎥 Bruno Lage: “Terminar este ciclo de jogos como líderes”

Futebol

O Benfica chega ao encontro com o Santa Clara como melhor ataque e melhor defesa da Liga NOS. O técnico quer “sair de lá nas mesmas condições”.

CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Bruno Lage anteviu, em conferência de Imprensa realizada no Benfica Campus, o desafio da 11.ª jornada da Liga NOS com o Santa Clara. O embate vai ter lugar no Estádio de São Miguel e tem início agendado para as 18h00 deste sábado.

O treinador das águias analisou as forças do adversário, explicou a filosofia e as escolhas para o Campeonato Nacional e para as competições europeias, assegurou que Ferro viaja para os Açores e considerou “fantástico” o apoio dos Benfiquistas.

Bruno Lage

O Benfica vai aos Açores na condição de melhor defesa e melhor ataque. O que espera do Santa Clara?

Vamos nessas condições, e o nosso objetivo é sair de lá nas mesmas condições e na mesma posição. Vamos jogar contra uma equipa onde o João [Henriques] tem feito um bom trabalho; uma equipa que tem apresentado um bom futebol, com vitórias. Está a meio da tabela, com pontos que lhe permitem a tranquilidade. O Santa Clara é uma equipa que domina bem dois sistemas. Temos de estar preparados para uma nova linha de cinco defesas. Temos de estar preparados para todas as eventualidades, fazer um bom jogo, conseguir os três pontos e terminar este ciclo de sete jogos como líderes do Campeonato.

Qual tem sido o foco em termos mentais desde o jogo da Champions até este com o Santa Clara?

Nós, como jogadores e treinadores de equipa grande, nunca podemos olhar para trás e pensar naquilo que perdemos ou ganhámos. É fechar um jogo, analisá-lo, ver o bom e menos bom que fizemos, ver o próximo adversário, o espaço que nos dará e avançar.

Tem-se falado, após o jogo com o Lyon, que o Benfica necessita de contratar para ser competitivo nas competições europeias. Isto é sinal de que a estratégia anterior é suficiente, ou quer dizer que falta competitividade ao futebol português?

São opiniões. Se em cada derrota mudarmos o nosso rumo quer dizer que não temos estratégia preparada. Podemos fazer outro tipo de análise. Há uns anos dizia-se que era quase impossível ganhar o Campeonato Nacional tendo como base uma equipa com jogadores vindos da Formação. O Benfica tem provado que isso é possível. Agora temos de dar o passo seguinte e fazer uma competição europeia à imagem da dimensão do Clube, mas seguindo uma filosofia. Tendo o Benfica a capacidade de segurar os melhores jogadores que tem tido, alguns da Formação… seguramente, nos oitavos de final, entre Manchester City, Juventus e Barcelona, vão estar vários jogadores que estiveram aqui. Agora, imagine que conseguimos segurar estes jogadores. Seremos mais fortes e atingiremos os objetivos em termos europeus. Não quer dizer que não tenhamos ambição. Temos ambição e exigência, mas nada nos pode tirar deste trajeto.

Bruno Lage

Sente que nesta época os jogadores vindos da Formação estão com um rendimento abaixo do que é esperado para a equipa principal?

Não! São momentos. Vamos apontar isso a quem? Todos têm tido oportunidade de jogar, uns melhor do que outros. É verdade que o rendimento da equipa nem sempre é tão brilhante como na época passada, mas é um caminho que temos de fazer. Nestes blocos, como são os primeiros quatro meses, jogam-se sete jogos em pouco mais de 20 dias e há uma paragem para as seleções. Regressamos e voltamos a entrar em novo bloco de uma série de jogos em 20 dias. A dinâmica coletiva nem sempre é possível trabalhar como queremos. Não faço distinção entre este ou aquele, se está melhor ou pior. Quem nos dera fazer uma época inteira consistente.

Não é contraditório que o discurso do Benfica passe por ter ambição europeia e depois alguns titulares fiquem no banco? Existe um Benfica para a Europa e outro para o Campeonato?

O Pizzi praticamente não jogou no último jogo da Liga dos Campeões; o André Almeida não jogou neste jogo com o Lyon assim como não tinha jogado o anterior. Como vencemos [na 3.ª jornada da fase de grupos da Champions], essa questão não se colocou. O Seferovic? O Vinícius havia feito golos nos dois jogos anteriores, jogou bem. São opções, conforme a minha forma de ver. Já falámos tanto da Liga dos Campeões. Quero fechar esse jogo e seguir. Quero perceber e fazer uma análise a cada um dos jogadores, e depois escolher o melhor onze no momento. Tenho 43 anos e tirei o curso há 23. Quase todos os que estudaram comigo foram dar aulas e eu não, fui para o futebol. Todos me diziam que eu ia ganhar bem menos do que eles ganhavam como professores. Pensei pela minha cabeça e segui. Passados uns anos cheguei ao Benfica, treinei Iniciados, Juvenis e aos 30 treinei os Juniores. Precisava de outro desafio, fui para o Dubai e depois Premier League. Estava com o Carlos Carvalhal e todos me diziam que ninguém abandona a Premier League. Vim para a equipa B do Benfica. Ou seja, são 20 anos a pensar pela minha cabeça. Comecei como adjunto no V. Setúbal a ganhar 100 euros e hoje estou no Benfica a treinar a equipa principal.

Bruno Lage

Já sabe se pode utilizar Ferro neste jogo?

Vai connosco, mas ainda vamos ver se está em condições de jogar. Foi mais o susto. Tem treinado normalmente. Se estiver a 100%, joga; se não, temos Jardel sempre pronto.

O Benfica é a melhor defesa da Liga NOS, mas já sofreu nove golos na Liga dos Campeões. A que se deve esta falta de consistência defensiva na Europa?

São situações que podem acontecer. Não tem a ver com a força dos adversários. Temos de olhar para o rendimento e para a evolução da equipa. Essa é a nossa preocupação.

Qual é a importância do apoio dos adeptos num ciclo exigente como este de sete jogos em 23 dias?

É muito importante. Já sentimos isso na Luz nos últimos dois jogos, com um apoio incrível. Os adeptos têm percebido o momento da equipa e têm-nos apoiado. Os adversários jogam de uma forma diferente contra nós. Jogamos contra linhas de cinco defesas, com menos espaço. Temos de ter paciência para os atrair, para entrar de um lado, puxar do outro, para encontrar espaço entre linhas. Isto requer paciência e uma circulação de bola eficaz e rápida. Quando se joga frente a este tipo de equipas, o apoio tem de continuar e os adeptos têm sido fantásticos. O mais importante é que durante os 90 minutos, equipa e adeptos, sejam só um e remem todos para o mesmo lado.

Texto: Marco Rebelo

Fotos: David Martins / SL Benfica

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