13 de dezembro de 2019, 14h49

🎥 Bruno Lage: “A dinâmica de vitória e evolução dá-nos segurança”

Futebol

O Benfica vem de uma série de boas exibições e triunfos. O treinador das águias quer capitalizar este momento frente ao Famalicão.

[CONFERÊNCIA DE IMPRENSA]

“Temos de fazer o nosso melhor”. Foi com este alerta que Bruno Lage iniciou a conferência de Imprensa de antevisão à 14.ª jornada da Liga NOS. O jogo entre o Benfica e o Famalicão arranca às 18h00 de sábado, no Estádio da Luz.

No lançamento da partida, o técnico abordou a renovação de contrato, a presença em massa de equipas lusas na Liga Europa e analisou os momentos de Chiquinho e Vinícius.

O treinador do Famalicão [João Pedro Sousa] referiu na conferência de Imprensa que a equipa está a jogar da forma idealizada e a melhorar em relação ao início do campeonato. Concorda com esta afirmação? Quais as qualidades do Famalicão?

Sim, concordo. Quando fazemos a análise, tentamos colocar de lado o resultado e ver a forma de jogar. É um facto que o Famalicão não tem vencido nos últimos jogos, mas marcou oito golos e isso é difícil de encontrar. Isso revela a qualidade da equipa e o processo que tem demonstrado desde o início da época. Fez bons jogos frente a FC Porto, Sporting, SC Braga, V. Guimarães e acredito que ele sinta a equipa a evoluir. É uma equipa que cria dificuldades, gosta de ter bola, coloca muita gente à frente da linha da bola para atacar. Temos de fazer o nosso melhor, fazer uma boa exibição para vencermos, que é o nosso objetivo.

Renovou o contrato, ficou com uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros. O que significa este número tão avultado?

Não sei. Não lhe sei responder. É o mundo de hoje. Em jeito de brincadeira, se eu valesse os 20 milhões, a minha mulher colocava-me à venda e ficava com os 20 milhões de euros (risos). O mais importante é estarmos felizes e fazermos o nosso trabalho de uma forma séria e dedicada. A relação entre a equipa técnica e os jogadores – e a estrutura sente isso – é verdadeira. Dizemos a verdade a todos, identificamos as coisas boas e menos boas, e fazer o nosso trabalho de forma equilibrada e a pensar no jogo seguinte.

Gaitán esteve em Lisboa e, numa entrevista ao jornal “A Bola”, disse que gostaria de voltar ao Benfica. O treinador do Benfica gostaria de ter Nico Gaitán?

Não sabem, mas nós, a equipa técnica do Carlos Carvalhal, já estivemos interessados no Gaitán. Quando estivemos no Swansea, o Gaitán era o nosso alvo porque achavamos que nos podia ajudar. É sempre bom ouvir essas palavras de um grande jogador, que fez história no Clube e foi muito importante. Mas o nosso projeto e targets estão identificados. O nosso desafio é encontrar os Gaitáns e os Salvios, mas com a idade com que chegaram ao Clube.

Portugal vai ter quatro equipas na Liga Europa, três delas como cabeça de série. Que comentário lhe merece esta afirmação do futebol português? Considera que esta participação massiva de equipas na Liga Europa pode ter impacto no campeonato?

Para além das quatro equipas, estão oito treinadores portugueses [Champions e Liga Europa]. Os portugueses têm tido a capacidade de vingar em qualquer parte do mundo, em qualquer equipa. Fico sempre satisfeito por ver alguém a triunfar no estrangeiro, porque é sinal de que as portas se podem abrir a qualquer momento. O que marca a diferença, neste caso, é o profissionalismo. O que pode mudar no campeonato? É o calendário. Com as equipas a jogarem à quinta-feira, pode haver mais jogos à segunda-feira. A gestão de cada momento cabe a cada treinador decidir.

O que mudou desde o dia 22 de novembro quando disse, na antevisão ao Vizela para a Taça de Portugal, que este processo seria um aumento salarial e não uma renovação de contrato?

Não mudou nada. Esta foi uma situação conversada e planeada há uma série de tempo e, da minha parte, era só saber o dia e o local para assinar o papel.

Quando chegou ao Benfica, uma das primeiras medidas que o Bruno Lage tomou foi recuperar o 4x4x2. Quando é que teve essa convicção e porquê?

Quando é que viu essa mudança? Isto é a dinâmica dos jogadores. Neste momento está lá o Chiquinho. Quando desce é um terceiro médio, quando sobe pode ser um segundo avançado. Quando joga o Seferovic ou o Raul de Tomas são dois avançados a jogar lado a lado e quando baixam vêm jogar entre linhas. O mais importante é a equipa ter dinâmicas. Temos uma ideia de posicionamento, e é isso que oferecemos aos jogadores e tentamos convencê-los de que isso poderá ser o melhor para eles. A partir daí, tendo em conta as suas características, eles criam as próprias dinâmicas. O que se vê agora, e é observável, é o Chiquinho a oferecer outro tipo de dinâmicas.

O Bruno Lage chegou à equipa principal do Benfica com sete pontos de desvantagem em relação ao FC Porto. Recuperou e manteve-se no topo até final. Lembro-me de uma frase que disse aos adeptos que foi para eles não terem medo porque o Benfica não ia perder o campeonato duas vezes. O que é que o Benfica aprendeu nessa fase quando os jogos foram menos conseguidos e teve de lidar com a pressão e onde é que isso se reflete neste aumento de vantagem para quatro pontos em relação ao 2.º classificado?

O que aprendemos é que é um jogo de cada vez e isto muda de um momento para o outro. Esta tem de ser a nossa forma de pensar. Aquilo que é a dinâmica quer de vitória, quer de evolução é que nos dá tranquilidade e segurança para prosseguir. Antes do jogo com o Zenit, o que escrevi no quadro, na preparação para o jogo, foi: “Um jogo de cada vez.” E julgo que é assim que tem sido feita essa viagem. Já estivemos a analisar a nossa forma de defender. Demos feedback sobre a forma como a equipa se comportou perante uma linha de cinco defesas [Boavista] ou uma linha de quatro [Zenit]. Tendo em conta a forma como o Famalicão joga, temos de ter algum cuidado na construção e temos de usar uma ou duas situações que usámos noutros jogos. Já estamos a introduzir características do Famalicão que achamos importantes serem analisadas. Isso tem que ver com o lado estratégico do jogo e depois repete-se para o SC Braga [Taça de Portugal]. É focarmo-nos na tarefa a cada momento.

Esperava que o Chiquinho tivesse este rendimento? Como classifica a contratação de Raul de Tomas, tendo em conta que foi a mais cara e tem dois golos apontados?

Sobre o Chiquinho, a última vez que falei nele numa conferência de Imprensa [antevisão ao FC Porto], ele ficou de fora três meses. A cada momento há uma avaliação. Há dois ou três meses, o que se poderia dizer do Vinícius, e hoje está em alta e num grande momento. Ele está num grande momento, tem de aproveitar. Mas é o mesmo Vinícius que diz [em entrevista à BTV]: “Não nos podemos esquecer que o Seferovic foi o melhor marcador na época passada.” Ele também vê a forma como o Raul de Tomas treina e se dedica. Tem um enorme potencial e pode aparecer a qualquer momento. Temos um plantel de 26 jogadores e três guarda-redes. Estes onze são os que estão a render. Neste momento está o Vinícius a ter um bom momento; os outros têm de continuar a trabalhar.

Texto: Marco Rebelo

Fotos: João Paulo Trindade / SL Benfica

 

Utilizamos cookies para enriquecer a sua experiência de navegação.
Ao continuar a navegar no nosso site está a concordar com a nossa política de utilização de cookies.

Aceitar