3 de abril de 2020, 14h00

Betinho: de Cabo Verde para o mundo

Basquetebol

O basquetebolista falou em exclusivo ao Jornal O Benfica.

O semanário do SL Benfica publica esta semana a primeira parte de uma entrevista com o basquetebolista Betinho.

O jogador explica ao jornal O Benfica como nasceu a paixão pela modalidade, aborda as experiências no estrangeiro e recorda as três primeiras épocas no Clube...

Betinho

Tem como imagem de marca não gostar nada de estar parado. Nesse sentido, o momento que vivemos está a ser pior do que, por exemplo, estar ausente por uma lesão?

Claramente! Quando estamos fora por lesão é muito difícil, mas acabamos por aceitar que não há nada a fazer e que temos de recuperar. Agora, esta situação em que estamos a viver é pior pelo facto de fisicamente estar a 100% e nada poder fazer, e o pior disto tudo é que vamos acabar por perder a boa forma física que tínhamos antes de tudo começar. Estou a seguir o plano de treino do preparador físico em casa, mas nunca é o mesmo do que treinar no pavilhão com os companheiros de equipa.

Falando em Cabo Verde, foi aí que começou a aventura no basquetebol. Como nasceu esse gosto?

Começou aos 12 anos quando eu e a minha família mudámos da ilha de Santiago para São Vicente. Antes só tinha amigos que jogavam futebol, mas na ilha de São Vicente só fiz amigos que jogavam voleibol e basquetebol. Comecei a passar muito tempo com eles a ver jogos da NBA e foi aí que apareceu o interesse.

Betinho

"Metia pedras na mochila para fazer agachamentos e poder saltar e afundar como Jordan"

Michael Jordan foi uma grande influência. Quais os movimentos que o levaram a admirá-lo?

A maioria dos meus amigos gostava dos Chicago Bulls e víamos muitos jogos deles. Foi aí que me apaixonei por Michael Jordan. Praticamente tudo o que ele fazia me fascinava, mas foi por causa dos afundanços que comecei a meter pedras na mochila da escola para fazer agachamentos e poder saltar e afundar como ele.

Destaca-se em 2002 num Torneio da CPLP em Cabo Verde e surge a hipótese de jogar no Barreirense. Ao sair do seu país, vinha com o objetivo de vingar em Portugal?

O meu objetivo era ser como o Michael Jordan, queria sempre ser o melhor de todos, cheguei a Portugal com esta mentalidade e até hoje continuo a trabalhar duro para ser melhor e ajudar a equipa da melhor maneira possível.

Betinho

O que se recorda das épocas ao serviço do Barreirense?

O mais importante no Barreirense não foram os prémios de melhor jogador, não foram os campeonatos de juniores que ganhámos, mas sim as pessoas. Éramos uma família, não houve um único momento naqueles cinco anos em que eu me tenha sentido sozinho.

Tem a hipótese de chegar à NBA em 2007, houve um treinador que chegou inclusivamente a falar consigo. Não ter um agente com forte influência no meio poderá ter sido determinante para não ter entrado?

Não foi por aí, foi mais pelo campeonato onde jogava. O nosso nível não era tão forte que me permitisse chegar lá e competir com jogadores que jogam em ligas como a ACB, por exemplo. Mesmo assim causei boa impressão.

Betinho

"Ao vestir a camisola do Benfica lembrei-me do miúdo que, em Cabo Verde, festejava títulos do Clube"

Abraçou depois uma aventura em Espanha. Que diferenças encontrou em relação ao que já tinha vivido em Portugal?

Muitas diferenças em todos os aspetos do jogo, e, no que toca à promoção da modalidade, em Espanha respira-se basquetebol, o ambiente que se vive nos pavilhões é contagiante.

Regressa a Portugal em 2011 para assinar pelo Benfica. Antes de mais, o que o levou a tomar esta decisão? Foi um passo importante na carreira?

Depois dos cinco anos no Barreirense, onde ganhei praticamente tudo nos juniores, não sabia ainda qual era a sensação de ser campeão numa liga principal e tinha a certeza de que poderia viver essa experiência no Benfica. Durante três anos seguidos descobri como era essa sensação.

Betinho

O que sentiu ao vestir a camisola do Clube? Tem memórias das primeiras sensações?

A imagem que me veio à cabeça quando vesti a camisola foi a daquele miúdo de 6 ou 7 anos em Cabo Verde a festejar o título de campeão do Benfica no futebol.

Esteve no Clube durante três temporadas. Consegue identificar o jogo mais marcante dessa primeira passagem?

Foi, sem sombra de dúvida, o último jogo da final, no Porto, em 2012, o meu primeiro título.

Depois do sucesso no Benfica, volta ao estrangeiro. Como descreve a experiência em Andorra?

Uma das melhores que já vivi. Andorra foi a cidade que me permitiu poder jogar na melhor Liga da Europa [Espanha], por isso, será inesquecível.

Betinho

"Não sabia o que era ser campeão numa liga principal, mas sabia que podia viver isso no Benfica"

Seguiu-se o ingresso na Liga italiana, outra das ligas europeias de referência, tendo sido considerado um dos jogadores mais importantes da história do Trento entre 2016 e 2019. A experiência em Itália correspondeu às expectativas?

Itália é outro dos países, à semelhança de Espanha, que respiram o basquetebol. No início as coisas não correram muito bem, recebi muitas críticas nos primeiros dois meses, o que me motivou a trabalhar mais ainda e a ser melhor. Consegui ajudar a equipa a atingir duas finais consecutivas, algo que nem o clube nem os adeptos imaginavam sequer.

Ficou um sabor amargo pela não conquista do Scudetto? Vencer o campeonato teria sido a saída perfeita do basquetebol italiano?

Claro que sim, ainda por cima teriam sido dois campeonatos seguidos. Passei dois verões a pensar como seria se tivéssemos ganhado, mas não deixaram de ser duas épocas para a história do clube.

Leia a entrevista na íntegra na edição de 3 de abril do jornal O Benfica.

Fotos: SL Benfica

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