Futebol

21 abril 2021, 16h27

Jorge Jesus

ANTEVISÃO

Jorge Jesus, em conferência de Imprensa, destacou "a mesma intensidade e confiança" nos treinos desta semana e apontou à vitória no Algarve, resultado para o qual o Benfica tem "capacidade e valor". O treinador perspetivou o desafio com o Portimonense, a contar para a 28.ª jornada da Liga NOS, aprazado para as 19h00 desta quinta-feira, no Portimão Estádio.

No Benfica Campus, o técnico assegurou que acredita no 2.º lugar e que as águias tudo vão fazer para lá chegar; falou sobre os dois sistemas táticos (4x4x2 e 3x4x3) mais utilizados e também abordou com algum detalhe o rendimento de Everton.

As equipas vêm de dois resultados antagónicos na última jornada. De que forma é que estes resultados condicionaram a preparação deste jogo?

Não condicionaram. Temos de trabalhar em função dos objetivos de cada jogo, conhecendo os adversários. No Campeonato português, e nestes últimos jogos, está difícil de ganhar pontos. Os jogos têm sido muito disputados. Vamos encontrar um Portimonense a fazer uma segunda volta muito forte, sabemos que vamos ter dificuldades no jogo em Portimão. A equipa trabalhou durante a semana como vinha a trabalhar desde há um mês e meio, com as mesmas intensidades e com a mesma confiança. Penso que, sabendo que o adversário também está moralizado, temos a capacidade e valor para sair de Portimão com os três pontos, que é o que nos interessa. Mas não pomos de lado o valor do adversário e sabemos que vamos passar por momentos complicados no jogo.

Desportivamente falando, sente mais pressão para chegar ao 2.º lugar?

Pressão, não, mas sinto é que está mais difícil. Estávamos a três, agora estamos a seis pontos. A pressão é sempre a mesma num clube como o Benfica, que tem de ganhar sempre. Nesta época não estamos a fazer um Campeonato de acordo com o que eu e todos os benfiquistas pensávamos, mas o futebol tem momentos e épocas que são assim, e não é nada que eu não tivesse passado neste clube. O Benfica tem capacidade para inverter este ciclo para outro completamente diferente na próxima época, com a mesma estrutura e os mesmos jogadores, e é isso que vai acontecer no futuro.

Disse que acredita que o Benfica pode chegar ao 2.º lugar. Esse 2.º lugar é mesmo o objetivo? É essa a mensagem que passa para o grupo?

Claro! Não podemos fingir e assumo as minhas responsabilidades. Faltam sete jogos, 21 pontos. O Sporting tem 12 de avanço sobre o Benfica. Matematicamente ainda é possível o 1.º lugar? Sim. Na prática, é muito difícil, mas não digo que é impossível. Em relação ao outro objetivo, que é o caso do 2.º lugar, do qual estamos a seis pontos e não dependemos de nós, acreditamos! Temos possibilidades, até porque temos um jogo com esse rival [FC Porto] no Estádio da Luz. E sabemos que, tanto para o FC Porto como para o Benfica, estes sete jogos vão ser muito duros. Ainda há equipas que vão perder pontos.

Após a primeira parte com o Gil Vicente e em face das retificações efetuadas no segundo tempo, admite voltar a jogar de início com três centrais frente ao Portimonense ou pretende alinhar de início com um sistema de quatro defesas?

Começámos com um sistema nesta época, mas temos desenvolvido outro. Não há plano A nem plano B, há o que entendemos que possa ser melhor em função dos jogadores do Benfica e do nosso adversário. São dois sistemas muito parecidos, é fácil mudar de um para o outro modificando apenas um jogador, por isso é que escolhi estes dois sistemas. Não há um melhor do que o outro, cada sistema é importante em função das dinâmicas que se possa dar e das características dos jogadores. Claro que, para amanhã [quinta-feira], vou ter de optar por um, mas não é por termos perdido com o Gil Vicente que vamos mudar a nossa ideia para o jogo de Portimão. Depois do jogo com o Gil especulou-se muito, que os jogadores podiam estar mais cansados ou menos cansados pelo trabalho efetuado durante a semana... Só quem não entende nada de treino e não tem noção nenhuma de como se trabalha nas equipas de alto nível é que pode ter alguma dúvida e escrever alguma coisa em relação ao que se trabalhou durante uma semana normal numa grande equipa. Hoje, com as novas tecnologias, um treinador sabe tudo sobre a intensidade do treino de um jogador, porque ele tem um GPS!

"A pressão é sempre a mesma num clube como o Benfica, que tem de ganhar sempre"

Sendo o 1.º lugar no Campeonato muito difícil de alcançar, acredita que esta é uma época falhada, ou isso vai depender de fatores como a obtenção do 2.º lugar na Liga e a conquista da Taça de Portugal?

Para mim, se o Benfica ganhar a Taça de Portugal e ficar diretamente apurado para a Liga dos Campeões, continua a não ser uma boa época. Não estou habituado a isso. Nos meus últimos anos no Benfica ganhei tudo, portanto, não fico satisfeito por ganhar a Taça e ser 2.º classificado no Campeonato. São objetivos que não me satisfazem.

Que motivos encontra para a ideia generalizada de que Everton está aquém das expectativas? Terá relação com a maior competitividade do futebol português face ao brasileiro?

Cada caso é um caso. Estive ano e meio no Brasil, via o Everton jogar de três em três dias e ele fez quatro ou cinco jogos contra o Flamengo. Ele sabe que não está a jogar ao nível do que fazia no Brasil, mas há jogadores que demoram a adaptar-se. O futebol em Portugal, em comparação ao do Brasil, é diferente, porque no Brasil todas as equipas jogam para ganhar. Ou seja, jogam com a intenção de serem ofensivas com bola, que possam disputar o jogo. Em Portugal somos mais evoluídos taticamente, sabemos parar melhor o ataque do adversário. Tem tido alguma dificuldade nesse pormenor do jogo, mas estão dentro dele as capacidades. Acredito que na próxima época vai estar em pleno, já se adaptou ao futebol português e vai entrar numa pré-época – ele chegou com mais de 20 jogos já em cima. É um grande jogador, senão não jogava na seleção do Brasil que, na minha opinião, no mundo, é aquela que tem melhores jogadores. Tem tudo para continuar a jogar ao nível dele.

"Temos de trabalhar em função dos objetivos de cada jogo"

A Superliga Europeia é um tema que marcou o futebol nas últimas horas. Como é que acompanhou tudo isto?

Não acompanhei. Nem eu, nem ninguém, porque, em poucas horas, em dois/três dias, tudo se alterou. Nunca acreditei que fosse até ao fim, porque o futebol é um jogo feito para as pessoas, para o povo; é um jogo em que os melhores criam historial ao longo de 10, 15 ou 20 anos e conquistam-no por resultados desportivos, e é sobre esses resultados desportivos que se pode criar a "elite" do futebol. É no jogo que fica definido e não num torneio em que, alguns que nunca tiveram capacidade para lá chegar desportivamente, hoje ficavam com essa possibilidade. É contranatura do que é a essência do futebol e do desporto. As pessoas que têm essa noção, o respeito e a paixão pelo jogo nunca vão aderir a uma coisa deste género.

Texto: João Sanches e Marco Rebelo
Fotos: Tânia Paulo / SL Benfica
Última atualização: 22 de abril de 2021

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