Futebol

05 junho 2021, 12h01

EXCLUSIVO BPLAY

Estreia neste sábado, dia 5 de junho, a série "O Rival Invisível", um exclusivo BPlay sobre o surto que se viveu no plantel de futebol profissional do SL Benfica no último mês de janeiro e que junta testemunhos únicos e impressionantes do treinador Jorge Jesus, dos jogadores e do staff encarnado.

No primeiro episódio, sob o título "O Mundo Parou", os receios sentidos pelo grupo de trabalho e pelo staff benfiquista são relatados com pormenor. "Dava uma volta ao campo a correr e parecia que tinha 60 anos", conta Darwin, um dos elementos que contraíram o novo coronavírus.

"Há muita gente que passa mal, gente que morreu, e eu tinha medo que me acontecesse algo assim, no coração, onde fosse, porque isto é muito forte. Por mais que sejas um desportista jovem, pode atacar forte e pode matar. Nunca sabes o que pode acontecer", confidencia o internacional uruguaio.

Darwin

"Quando cheguei aqui estava a sentir-me muito mal, tinha vontade de vomitar, dores de cabeça, tive febre e tosse. Só queria deitar-me e dormir, e as dores de cabeça voltavam. Estava muito agitado porque não aguentava muito as dores de cabeça, e estive assim cerca de um mês, com dores de cabeça, e também perdi o olfato", descreve Darwin.

Julian Weigl, por sua vez, confessa a incerteza das sequelas na gravidez da sua esposa. "Começámos a perguntar aos médicos como poderia afetar o bebé. O meu maior medo era que ela ficasse infetada. Quando recebemos o resultado do teste positivo, começámos a perguntar o que ia acontecer com o bebé, se ia afetá-lo", revela o internacional alemão.

Weigl

"Foi forte. Tive de tomar medicação para baixar a febre porque estava a subir, a subir, a subir. E aí, sim, senti-me realmente mal. Tive febre, dores de cabeça, senti-me completamente sem forças", explica o médio, recordando o momento  delicado que passou devido à infeção por COVID-19.

No período em que o surto de SARS-CoV-2 abalou o plantel do Benfica, algumas ações singelas do dia a dia, mais ainda para atletas profissionais, como, por exemplo, subir escadas, transformaram-se em barreiras difíceis de transpor. "Eu sentia que cada perna tinha 100 quilos, não conseguia mexê-las como devia ser", lembra Helton Leite, que acrescenta detalhes: "Por vezes, caminhava um pouco e, até para subir e descer escadas, eu ficava tonto. Sentava-me nas escadas e esperava que passasse."

Seferovic, Helton Leite e Gonçalo Ramos, jogadores do Benfica

No caso de Seferovic, "os primeiros quatro dias [pós-infeção] foram difíceis". "Tinha sempre dor de cabeça, não me sentia bem. Quando dormia estava todo suado. Depois, no terceiro dia, também dor de cabeça. Nada estava a ajudar", narra o avançado.

"Suava muito, não comia. Perdi também quatro, cinco quilos", agrega o internacional suíço. "Isto rebenta-nos mesmo", corrobora o fisioterapeuta Paulo Rebelo.

Recuando até janeiro, Gonçalo Ramos afirma: "Eu nem estava a acreditar." O jovem avançado assume o sobressalto que logo o dominou: "O que me preocupou mais foi a minha família, eles poderem estar infetados e que sintomas poderiam ter."

No segundo episódio ("O Último a Cair"), o treinador Jorge Jesus explica o que sentiu e a experiência que viveu com o caso raro de COVID-19, em que continuou a exercer as funções de treinador apesar da distância e das tremendas dificuldades respiratórias que quase o levaram ao internamento hospitalar. "Tive falta de ar, de oxigénio e houve momentos em que me assustei", testemunha o técnico. "Eu tinha alguns momentos de medo porque me faltava a respiração, pelo menos quando acordava à noite. A mim, atacou-me forte", salienta.

Jorge Jesus

Jorge Jesus detalha toda esta experiência pessoal complicada e descreve quão difícil foi o momento da equipa na ausência de mais de 20 elementos do plantel, da equipa técnica e do staff.

"Fui dos últimos a cair, é verdade. Houve alguns dias de treino em que tinha pessoas a trabalhar diretamente comigo que eu não conhecia, porque os outros elementos da nossa equipa técnica tiveram problemas", relembra o treinador.

"Tivemos de andar a sofrer calados, sem podermos dizer nada, para não sentirem que podíamos estar a desculpar-nos fosse do que fosse. Mas houve um momento em que tive de bater com a porta, porque, eu e os jogadores, estávamos a sentir-nos injustiçados pelo rendimento da equipa sem ter culpa nenhuma. Queríamos, mas não podíamos", refere Jorge Jesus.

"'Quero é recuperar o mais rapidamente possível', foi o que pensei sempre, nem que estivesse ao longe... Eu até pus a possibilidade de vir para um quarto no Seixal e, a partir dali, ver e organizar o treino, mas chegou um momento em que os meus assistentes também estavam doentes, com COVID-19, em casa. Tive de me fechar no meu mundo, que é o Benfica, e esperar que, eu e os jogadores, voltássemos à normalidade. O tempo é que nos iria tirar daquela situação, a cura da doença é assim", rememora o treinador.

Benfica Campus

Neste episódio, jogadores e equipa técnica contam como foi o regresso, com perdas a nível respiratório e cardíaco, alterações físicas e dificuldades na recuperação.

Jorge Jesus, Darwin, Julian Weigl, Helton Leite, Gonçalo Ramos, Seferovic, Luisão (diretor técnico e de performance), Ricardo Antunes (diretor clínico), Telmo Firmino (fisioterapeuta), Paulo Rebelo (fisioterapeuta), Cláudio Correia (fisioterapeuta), Carlos Caetano (nutricionista) e Hélder Dores (cardiologista do Hospital da Luz – Lisboa) são os entrevistados neste exclusivo BPlay.

Fotos: SL Benfica
Última atualização: 7 de junho de 2021

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