15 de agosto de 2019, 12h54

Edward Zakayo: “O Benfica mudou a minha vida para sempre”

Atletismo

Em conversa exclusiva com o jornal O Benfica, o atleta queniano revelou-se como nunca antes.

Em conversa com o Jornal O Benfica (onde poderá ler a entrevista na íntegra), Edward Pingua Zakayo fala sobre os sonhos que tem já para o Mundial e para os Jogos Olímpicos, sempre com a meta de ajudar os seus – a família e a tribo.

O jovem queniano é já uma das grandes promessas do atletismo a nível mundial. O atleta chegou ao clube da Luz no início de 2019 e já conta com variados títulos, sendo o mais recente conquistado em equipa – o Campeonato Nacional de Clubes, em Leiria –, em que alcançou a 1.ª posição do pódio nas provas de 3000 e 5000 metros.

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Origens

“O meu nome é Edward Zakayo, venho do Quénia, nasci em 2001, na cidade de Narok, e pertenço à tribo masai. Vim para Portugal no final de 2018 e juntei-me, oficialmente, ao Benfica no início do presente ano. Faço parte da equipa júnior de crosse. A minha infância não foi fácil, mas comparativamente à de outras crianças, que sei que tiveram experiências terríveis, acabou por não ser má. Tenho oportunidade de estudar, andar na escola. Talvez tenha passado por situações menos boas, mas isso fez-me ser mais responsável e obrigou-me, a mim e aos meus irmãos, a não esquecer que todos temos uma família e é também por ela que queremos ser alguém.”

Início do atletismo

“Tudo começou em 2014. Nós tínhamos atividades de corrida na escola e, quando eu comecei a correr, não havia ninguém que conseguisse ultrapassar-me. Eu era o melhor da escola e era o único de lá com aquela vontade... Era bastante complicado alguém vencer-me. Confesso que tinha essa perspetiva de futuro, sempre me achei veloz e ambicionava poder ser 'o tal'!

Em 2015 comecei a competir. Comecei a viajar para competir e fiz uma pausa na escola durante um ano. Em 2016 regressei e senti que não estava a ir bem nos estudos, reprovei um ano e voltei a repetir. Para ir para a escola, tenho de fazer 20 quilómetros a pé e outros 20 para regressar a casa. Acho que isto me tornou mais forte. Andar/correr os tais 40 km todos os dias tornou-me muito ativo e resistente. Sim, porque eu fazia o percurso a correr, e não tenho dúvidas de que isso me tornou mais forte no que sou hoje.”

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Assinar pelo Benfica

“Assinei pelo Benfica porque achei que era o melhor para mim. É um grande clube e considero que foi uma boa decisão, pois é um grande estímulo para a minha carreira desportiva. Espero continuar durante muitos anos aqui, identifico-me muito com a história do clube e das suas lendas, como Eusébio — um grande futebolista e um grande atleta. Quando me viram [família] com o símbolo ao peito – quando me viram equipado –, começaram a perceber as coisas e o que é o grande Benfica. A reação ao início foi negativa, pois questionavam-me sempre que saía do Quénia, mas agora já entendem o porquê de ter assinado com o maior clube português, especialmente a minha mãe, pois agora possuo condições financeiras. Já consegui começar a construir uma casa para a minha mãe. Só tenho a agradecer ao Benfica. Especialmente por me permitir concretizar o sonho de ter água potável na minha comunidade.“

O Benfica e as mudanças

“O Benfica mudou a minha vida completamente. Deu-me algo que eu nunca consegui ter. Inicialmente, deu-me a esperança de conseguir mudar a vida da minha família e da minha comunidade e, depois, claro, a esperança tornou-se realidade. Tenho uma casa em construção para a minha mãe. A nossa casa antiga, não sei como chamar, não tinha condições nenhumas. Tinha o telhado de palha. O Benfica mudou a minha vida de uma maneira que mais ninguém conseguira antes. Mudou a minha vida para sempre. Estou muito contente e verdadeiramente grato.”

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Perspetivas futuras

“Talvez devido ao meu trabalho árduo, à minha maneira de fazer as coisas, acredito que um dia a minha performance poderá ser útil ao Quénia para chegarmos a maiores conquistas no atletismo mundial. Talvez no próximo ano eu participe em provas de 10 000 metros, e depois disso vejo o rumo que quero tomar. Quero também fazer provas de distância mais longas, como as maratonas."

Sonho olímpico

“O meu grande sonho é ganhar os Jogos Olímpicos de Tóquio. Esta competição acontecerá em 2020, e eu tenho de me preparar muito bem, tanto a nível físico como mental. As coisas só se concretizam com trabalho e dedicação. Creio que esta será uma importantíssima prova no meu percurso.”

Texto: Carolina Brito

Fotos: SL Benfica

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