Futebol

03 março 2021, 14h22

Jorge Jesus

ANTEVISÃO

O treinador Jorge Jesus fez a antevisão do jogo com o Estoril, marcado para as 20h15 desta quinta-feira, no Estádio da Luz, a contar para a 2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal. No primeiro embate, recorde-se, o Benfica venceu na Amoreira por 1-3, mas, apesar da vantagem e do enorme desejo de estar na final, ainda nada está garantido.

Numa conferência de Imprensa realizada nesta quarta-feira, no Benfica Campus, Jorge Jesus vincou a ambição de o Benfica marcar presença na final da prova-rainha, alertou para o facto de a vantagem ser positiva, contudo, há que respeitar o adversário, para mais sendo esta uma prova pródiga em surpresas. O treinador assumiu várias mudanças no onze, falou individualmente de alguns dos seus jogadores e fez questão de realçar o carinho dos adeptos benfiquistas.

Jorge Jesus

De que forma é que o Benfica encara a partida? Tendo em conta que está em vantagem, poderá haver uma gestão da equipa?

Chegar à final é um dos grandes objetivos da época. Falta um jogo para chegar à final. É verdade que estamos em vantagem, mas temos de respeitar sempre o adversário. O Estoril é uma equipa bem organizada, tem qualidade técnica em ataque posicional e pode-nos criar alguns problemas, tal como criou na Amoreira. Já conhecemos melhor o Estoril, eles também já nos conhecem melhor, portanto, estamos preparados para sairmos vencedores na eliminatória. O passaporte para a final é aquilo que todos nós queremos. Relativamente à gestão... Será o terceiro dia após o jogo com o Rio Ave. Vocês [jornalistas] estão atentos a tudo e sabem que, normalmente, mexo em alguns jogadores nestas situações. Amanhã [quinta-feira] acontecerá a mesma coisa.

"Desde que estabilizámos a equipa, ela tem vindo a melhorar"

Quão importante é para o Benfica tentar vencer a Taça de Portugal? Uma possível vitória na Taça atenua uma época abaixo das expectativas?

Isto ainda não acabou e já me está a fazer uma pergunta sobre o final da época e a final da Taça. Primeiro tenho de jogar com o Estoril, depois chegar à final e depois vencê-la. Ainda há dois jogos. Esse é um cenário, é um facto! Se me perguntar se é importante chegar à final e vencer? É, seja pela época positiva ou pela época negativa. É importante o Benfica chegar a uma final e vencer, seja a época positiva ou negativa. Fundamental é ganhar o troféu, a segunda prova mais importante da calendarização do futebol português.

Jorge Jesus

Já disse que sente a equipa a progredir. Julian Weigl, eleito "Man of the Match" no encontro com o Rio Ave, é o atleta que mais progrediu, nas suas mãos, nesta época?

Tem-se notado que, desde que estabilizámos a equipa e todos começámos a treinar juntos, ela tem vindo a melhorar, não só no que se observa, mas também nos dados científicos. Treinamos e jogamos com GPS, sabemos as distâncias que os jogadores percorrem nos jogos. Desde o primeiro jogo com o Arsenal que a equipa, fisicamente, dá-nos dados muito mais elevados. Por exemplo, o Julian [Weigl] é um jogador que antes não corria acima de dez quilómetros e no último desafio correu 13. Se somarmos isto, individualmente, quer dizer que a equipa corre mais ao longo dos jogos e fisicamente está melhor. Desde que cheguei, há dois jogadores que jogam acima daquilo que era o normal deles. Um é o Julian [Weigl]. Ele percebeu aquilo que eu acreditava ser importante para a valorização da posição. Hoje, ele é um jogador muito mais intenso sem bola. O outro é o Rafa. Curiosamente ele nunca teve COVID-19. Tem feito jogos neste ano desportivo, na minha opinião, com um ritmo, uma intensidade e uma disponibilidade tática superior ao que fazia, pelo menos ao nível defensivo.

"O Pizzi é um jogador muito importante para mim como treinador do Benfica"

Relativamente a Rafa, onde é que sente que ele deu os passos em frente desde que chegou? Disse, há sensivelmente um ano, que Weigl tinha um defeito para corrigir. Esse defeito já foi corrigido?

Depois de o conhecer vi que não tinha só um, tinha muito mais do que um, e um é exatamente essa falta de agressividade. É um jogador que joga à frente da última linha. Portanto, se tens ali um jogador só tecnicamente bom na fase ofensiva e na defensiva não for agressivo, principalmente para cobrir as bolas e para que a nossa última linha possa jogar mais posicional… Ele melhorou nisso. Já tinha um jogo de posição muito bom, estava habituado ao 4x3x3, e aqui no Benfica só tem um médio à frente dele, e isso fazia com que se desposicionasse mais. O Rafa, quando souber definir o último passe, o da decisão... Ele já é um grande jogador e, aí, vai passar a ser um jogador de top. Onde melhorou mais? Defensivamente, naquilo que era importante ele ser responsável. Tem jogado quase sempre e está muito mais moralizado. É evidente que todos os jogadores que jogam mais ficam mais confiantes, e ele está muito confiante. É um jogador superinteligente taticamente, tem facilidade em perceber as coisas que passo para ele, e isso também ajuda! Valoriza o jogo dele e é isso que compete aos treinadores.

Jorge Jesus

Qual é o tempo de paragem de Darwin?

Não posso responder à questão do Darwin porque não sou médico. Ele não estará neste jogo. Não tenho a certeza de quanto tempo precisará para recuperar. São questões do nosso Departamento Médico. Não questionei o Departamento porque o médico já me tinha avisado que ele, pelo menos até ao jogo com o Estoril, não poderia estar presente.

Antes do jogo com o Arsenal pediu aos adeptos para darem carinho à equipa. Depois de dois jogos, uma derrota e uma vitória, já sentiu mais carinho por parte da massa associativa do Benfica?

Neste último jogo saímos do Seixal e tivemos algumas dezenas de adeptos a quererem dizer que estão connosco, e isso é importante. Ficamos muito mais satisfeitos do que se for ao contrário. A equipa tem vindo a melhorar não por causa disso, mas, sim, devido ao facto de há três ou quatro semanas estar a trabalhar toda completa.

Sente que esta eliminatória já está decidida?

Claro que temos a vantagem neste segundo jogo. Temos uma vantagem de dois golos, jogamos no Estádio da Luz que, apesar de não ter público, é a nossa casa. Antes da primeira mão já acreditávamos que tínhamos possibilidades de ultrapassar esta eliminatória, portanto, agora, ainda acreditamos mais. No futebol há surpresas em todos os jogos. Por isso, nem a equipa nem o treinador sentem que esta passagem está garantida. Falta um jogo e temos de respeitar o adversário.

"Falta um jogo e temos de respeitar o adversário"

Falou de Julian Weigl e de Rafa. Está surpreendido com o rendimento que Diogo Gonçalves tem apresentado?

O Diogo é um jogador que tem vindo a melhorar aquilo que é o seu entendimento, principalmente a lateral-direito. Com a lesão do André [Almeida], tentámos que ele se adaptasse a essa posição. Não tem sido fácil para ele porque, defensivamente, não conhece muito os espaços e os percursos que muitas das vezes tem de fazer. Semana a semana, jogo a jogo, tem vindo a melhorar e também tenho falado muito com ele. Defensivamente está muito melhor e ofensivamente é um jogador que tem umas boas características. Ele era um ala e, normalmente, quando um ala passa para lateral, continua com a mesma qualidade ofensiva. Aí, ele continua a ser forte, cruza muito bem e chega com alguma facilidade a zonas de cruzamento. Está a melhorar ao nível dos confrontos individuais defensivos, essa era uma das dificuldades que tinha, mas agora está muito melhor. Julgo que acertámos no jogador que terá de disputar com o Gilberto aquela posição, se bem que neste caso é o Gilberto que tem de disputar com o Diogo porque é ele que tem jogado. Estou muito contente com o aproveitamento dele. É muito concentrado, muito profissional, não fala muito, mas sabe o que quer e está sempre disposto a aprender. Isso é importante e torna-se mais fácil para um treinador poder corrigir e evoluir os jogadores. 

Jorge Jesus

Pizzi estará de regresso à titularidade?

Alguns treinadores acreditam que não devem individualizar os jogadores, seja positiva ou negativamente. Eu não vejo o futebol dessa forma. O mais importante é o coletivo, é verdade, mas se tiver de falar dos meus jogadores individualmente, falo, não tenho problema nenhum. O Benfica já fez 38 jogos, o Pizzi esteve em 35, não esquecendo que teve COVID-19. Foi um jogador que eu pedi quando cheguei ao Benfica. Ele estava no Espanhol e eu pedi ao Presidente o regresso do Pizzi. Comigo, foi titular em muitos jogos. O Pizzi conhece-me bem, eu conheço bem os defeitos do Pizzi e ele conhece os meus. É capitão da equipa, sente-se muito responsável pelas coisas que não têm sido tão boas e ele acha, e bem, que todas as tarefas passam pela equipa. Seja pela positiva ou pela negativa, o principal responsável é sempre o treinador. Se os atletas jogam melhor ou pior, isso tem a ver com o treinador. O Pizzi é um jogador muito importante para mim como treinador do Benfica, não só por estes fatores, mas por um que, para mim, é o mais importante: com o Pizzi no jogo posso mudar o sistema facilmente. É um jogador que pode atuar em mais do que uma posição. Já viram que o utilizo em três posições e isso é muito importante para um treinador. Ele não jogou de início com o Rio Ave, mas amanhã [quinta-feira] jogará.

"Desde que cheguei, há dois jogadores que jogam acima daquilo que era o normal deles"

Como é que viu a renovação do título do Flamengo no Brasileirão?

Se me perguntar que equipa gostava que vencesse a Liga Europa, vou responder Arsenal. Porquê? Porque estão lá dois jogadores que estiveram comigo, um no Benfica, outro no Flamengo, que são o David Luiz e o Pablo Marí. O Flamengo é a mesma coisa. É uma equipa onde deixei jogadores amigos, e nós queremos sempre o bem dos amigos. Fiquei feliz que o Flamengo tivesse vencido.

Texto: Diogo Nascimento e Sónia Antunes
Fotos: Tânia Paulo / SL Benfica
Última atualização: 4 de março de 2021

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