22 de maio de 2020, 19h13

🎥 "Foi um título suado até ao final"

Futebol

Há 15 anos, Simão Sabrosa, ex-camisola 20 do Benfica, marcou no Bessa e o Clube festejou o seu 31.º título de Campeão Nacional, depois de um jejum de 10 épocas.

ENTREVISTA COMPLETA

No dia em que se assinalam 15 anos sobre o título nacional conquistado em 2004/05, no início de uma nova era, Simão Sabrosa foi o convidado na emissão especial da BTV. Memórias, histórias e confissões numa entrevista imperdível... Para ver e rever!

Chegou à Luz em 2001/02 e em 2004/05 lançou-se naquela que seria a sua melhor época no Benfica, com a braçadeira de capitão. Os encarnados de Giovanni Trapattoni chegaram ao título nacional, numa conquista que colocou fim a 11 anos de jejum, o maior período de seca da história do Clube. 

"Esse título tem muitas histórias curiosas, foi um título bastante suado até ao final. Pelo meio houve várias situações que conseguimos ultrapassar, como lesões, jogadores castigados e também derrotas em que aprendemos com elas", lembra, nesta entrevista a BTV, o então capitão encarnado.

Benfica Campeão 2004/05

Naquela que foi a temporada mais produtiva da sua carreira em termos de golos, Simão Sabrosa contabilizou 22 tiros certeiros, 15 na Superliga. Foi ele, aliás, quem marcou o golo no empate no Bessa [1-1], de grande penalidade. 

"Não estava mais nervoso. Marcar um penálti é sempre muito difícil, os mais decisivos são sempre mais difíceis. Eu baseava-me muito na minha concentração. A minha respiração era fundamental. Tive a possibilidade de trabalhar com o Pedro Almeida, psicólogo que estava no Benfica, e tenho uma excelente relação com ele. Ele ajudou-me muito em bolas paradas. O facto de respirar antes era essencial. A partir do momento em que colocava a bola, respirava fundo e parece que não havia mais ninguém no estádio. Só o guarda-redes. Quando partia para a bola já tinha um lado escolhido para o caso de o guarda-redes não se mexer. Quando fazia a típica paradinha, se o guarda-redes não se mexesse mandava para o lado que já tinha escolhido. Se se mexesse, chutava para o lado contrário", explicou.

Simão Sabrosa

O ex-jogador encarnado confessa-se "emocionado" quando revê as imagens do jogo do título de há 15 anos e lembra que o dia 22 de maio de 2005 foi o realizar de um sonho. 

"Desde que cheguei ao Benfica que o meu objetivo era, juntamente com os meus colegas, colocar o Clube de novo no caminho a que estava habituado", admitiu Simão Sabrosa, que recordou ainda a lesão contraída nessa época.

"Valeu a pena sofrer e chorar muitas vezes. Quando consegui marcar a grande penalidade no Bessa senti um alívio enorme, parecia que me tinha saído um peso das costas. Foram momentos complicados, mas foi um título muito saboroso", salientou o então camisola 20 do Benfica, que reforçou também a "experiência" de Luís Filipe Vieira e a "competência" de Trapattoni.

“O PRESIDENTE SABIA QUAL ERA O CAMINHO CERTO”

"O Presidente sabia qual era o caminho certo e o que pretendia para o Benfica. (...) Estou muito grato ao Presidente Luís Filipe Vieira por ter confiado em mim para estar no Benfica durante seis anos... Conseguiu construir um grande Benfica", destacou, deixando elogios ao treinador italiano que na altura orientava as águias, Giovanni Trapattoni.

"Era um pai, conhecia as manhas, brincava muito, corria connosco, ele misturava as línguas todos e nós brincávamos com ele. Era muito querido por nós, ouvíamos com admiração, pela sua trajetória, e tínhamos de nos deixar levar por ele. Foi a contratação certa. Recordo-me de uma fase vencedora, e o grupo pediu-me, como capitão, para termos mais um dia de folga. Ele disse-me 'vai tu dois, três dias...' Ele insistia para ir sozinho. Eu dizia que ou era para todos ou para ninguém, e então deu-nos mais um dia de folga", contou o antigo internacional português.

Simão Sabrosa

Apesar de confessar preferir "assistir do que marcar", em seis temporadas ao serviço do Benfica Simão Sabrosa anotou mais de 90 golos, mas há pelo menos um que não esquece… Aquele marcado em Anfield perante o então campeão europeu Liverpool, que colocou os encarnados nos quartos de final da Champions, e que considera "o melhor da carreira".

"Que saudades destes momentos [golo ao Liverpool], deixam-me com uma nostalgia… O tempo passa a voar. Daria tudo para poder voltar a jogar, não é possível… Poder voltar a pisar um relvado e voltar a sentir o calor dos adeptos. Este golo é memorável para mim e para o Benfica, acabámos por eliminar o Liverpool e passámos à fase seguinte da Liga dos Campeões… É inesquecível", confessou.

Texto: Filipa Fernandes Garcia

Fotos: Arquivo / SL Benfica

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